O Agro é Coop!

Publicado em: 19 junho - 2020

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O Brasil, sem dúvidas, é reconhecido como uma das maiores potências agrícolas mundiais, tendo em vista seu crescimento constante na produção de alimentos. Contudo, a abertura crescente do mercado internacional faz com que exista uma forte pressão em relação a necessidade de evoluir em um quesito primordial para o futuro: a sustentabilidade.

À medida que as questões ambientais ganham senso de urgência, surgem cada vez mais regulamentações e critérios que aliam o desenvolvimento econômico com a preservação do meio ambiente. Hoje, a regra é muito clara; toda e qualquer prática definida como sustentável deve ser “Economicamente viável, socialmente justa, culturalmente aceita e ecologicamente correta”.

De acordo com o Relatório Brundtland, redigido pela ONU em 1987 com o título “Our Commom Future” (Nosso futuro comum), uma das premissas principais da sustentabilidade no agronegócio é que o uso de recursos naturais deve suprir as necessidades da geração presente sem afetar as possibilidades das gerações futuras. De acordo com o palestrante internacional, professor e autor, José Luiz Tejon Megido, “o mundo cresce em uma proporção de 4 nascimentos por segundo. Seremos cerca de 10 bilhões de humanos em 2050. Alimentar essa população crescente, fazendo do alimento o fator número 1 da saúde na terra, será uma questão a ser tratada doravante”.

Rio + 20 – O que foi?

Sobre: A Rio + 20 foi a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada no Rio de Janeiro de 13 a 22 de junho de 2012, tendo como participantes os 193 líderes dos países que fazem parte da ONU.

Objetivo: Renovar o compromisso político para o desenvolvimento sustentável.

Temas:

  • A economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza;
  • A estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável.

Brasil

Englobando o tema da sustentabilidade, foram discutidos 10 pontos sobre a contribuição da agricultura brasileira na construção de uma economia verde e na erradicação da pobreza. São eles:

  1. A qualidade do alimento;
  2. Agricultura de Baixa Emissão de Carbono – ABC;
  3. A liberação dos mercados agrícolas;
  4. A universalização da segurança alimentar;
  5. O fomento à assistência técnica e extensão rural;
  6. A biotecnologia;
  7. A agricultura orgânica;
  8. Matriz energética;
  9. Sistema cabruca/cacau e demais sistema SAF;
  10. O papel do associativismo e do cooperativismo.

Fonte: Mapa e Rio + 20.

Nos dias de hoje, é praticamente impossível manter uma gestão sem o comprometimento com temas relacionados à preservação e consumo consciente, visto que são pontos que oferecem melhores condições de vida e trabalho para a sociedade. Segundo o  Sócio Gerente da Hecta – Desenvolvimento Empresarial nos Agronegócios, José Carlos Pedreira de Freitas, “Permear a sustentabilidade no processo de gestão implica em adaptar indicadores que permitem medi-la”.

Essa “regra da sustentabilidade” se baseia na adoção de boas práticas socioambientais na agricultura, na pecuária e em todas as atividades rurais, visando garantir o bem-estar de toda a sociedade, além do equilíbrio entre produção, conservação ambiental e questões econômicas e culturais. “O conceito de sustentabilidade, em suas dimensões ecológicas, interconectados, passam a representar um importante instrumento de redução de riscos e de certificação da capacidade de agregar valor a longo prazo”, ressalta Pedreira.

Com a adoção de práticas sustentáveis, os produtores são capazes de manter a proteção natural proveniente da biodiversidade nas áreas cultiváveis, melhorando a conservação dos recursos naturais e da produtividade dessas áreas, o que, consequentemente, reduz drasticamente os impactos gerados pela produção em larga escala, aumentando o lucro do produtor, bem como diminuindo seus custos, visto que essa questão impacta na redução de desperdícios.

Um erro, ainda comum entre trabalhadores rurais, é acreditar que a sustentabilidade representa somente a não degradação do meio ambiente. Porém, a abrangência do termo sustentabilidade vai além, incorporando questões relacionadas à qualidade de vida, competitividade empresarial, tecnologias limpas, utilização racional dos recursos, responsabilidade social, questão cultural, entre outros.

Como a economia atual do Brasil tem se solidificado na produtividade, desenvolvimento e crescimentos dos Produtores Rurais, é válido que os mesmos estejam informados e contextualizados sobre as legislações pertinentes, as tecnologias que a cada dia melhoram o condicionamento, tanto do produtor quanto da produção, e da demanda que o mercado nacional e internacional vem exigindo.

Levando essas questões em consideração, é possível perceber que existem recursos que favorecem essa relação da sustentabilidade com a agricultura e são elas: a ciência e a tecnologia. “Com a ciência e a tecnologia teremos sementes com maior poder de qualidade nutricional a ser transferida para os frutos das plantas e os fertilizantes serão compreendidos como nutrientes para a vida. Teremos animais mais bem nutridos e uma consciência alimentar mais educada da população”, ressalta Tejon.

Os avanços desses estudos fazem uma interação perfeita com a produtividade. Os rendimentos podem crescer a partir da intensificação do uso das tecnologias ou de uma maior eficiência no uso de insumos em geral, entregando uma maior crescimento da produtividade total. E essa é a porta de entrada do conceito de sustentabilidade na agricultura.

E o cooperativismo?

Concluímos até aqui que um dos principais desafios da agricultura mundial é produzir alimentos para toda a população, que está em constante crescimento, e preservar, ao mesmo tempo, a natureza. Considerando esse fato, percebe-se que é necessário estar atento a todos os caminhos para alcançar esse objetivo. E uma das alternativas é o cooperativismo.

Hoje, é possível arriscar que, no dia a dia, no prato de cada brasileiro, existe um alimento produzido por uma cooperativa do Ramo Agropecuário. Essas cooperativas tem um papel fundamental nessa produção de alimentos, bem como na geração de trabalho e renda no país, se tornando parte do protagonismo desse campo.

“Sem cooperativismo não faremos o agro dos próximos 50 anos” – José Luiz Tejon Megido.

As cooperativas, em geral, tem realizado fortes investimentos na ampliação e na modernização das técnicas de plantio, comercialização e agroindustrialização das principais matérias-primas e fibras produzidas no Brasil. “No Brasil, existem cerca de 5 milhões de propriedades rurais. Em torno de 3.500 com tecnologia zero, segundo a Embrapa. Menos 12% das propriedades domais geram 80% do valor bruto da produção. Esse cenário mantido significa a impossibilidade de sucesso no campo para milhões de pessoas. E essa realidade se não for revertida impedirá o maior crescimento do PIB do país, pois temos potencial para gerar riqueza em frutas, hortaliças, leite, mandioca, especiarias, acquacultura, palma, florestas, biocombustíveis, ovos, carnes e estimular a produção e a agroindústria local. Sem o cooperativismo será impossível viabilizar o acesso aos mercados e às tecnologias para todos.”, conclui Tejon.

“As consequências sociais sem a expansão do cooperativismo seriam terríveis”. – José Luiz Tejon Megido.

Além das questões de produção, o movimento cooperativista tem um dos mais eficazes modelos de assistência ao produtor rural brasileiro. Contando com 8 mil técnicos, incluindo engenheiros agrônomos, florestais, veterinários e zootecnistas, o ramo tem um papel fundamental na transferência de tecnologias e é uma referencia para o agronegócio.

Muito se engana quem pensa que o sistema cooperativista contribui apenas para o desenvolvimento do agronegócio. Ele representa, ativamente, uma grande colaboração para a economia do Brasil. E é focando no objetivo principal de crescer em todas as áreas, que a  sustentabilidade se torna necessária para a evolução da sociedade em todos os sentidos.


Redação MundoCoop – Matéria publicada no Anuário Brasileiro do Cooperativismo 2020



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