O Brasil que coopera, supera

Publicado em: 12 novembro - 2019

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A comunicação é uma ferramenta importante para divulgar para os brasileiros os benefícios que o cooperativismo pode oferecer ao País.

A melhor forma para disseminar uma ideia é comunicá-la de maneira clara para o maior número possível de pessoas não por um momento, mas em tempo integral. Os benefícios sociais, ambientais e econômicos do cooperativismo ainda são pouco conhecidos dos brasileiros, embora, entre cooperativas e cooperados, essas vantagens sejam não só compreendidas como, também, sentidas. Porém, para expandir o conceito para além da fronteira cooperativista, é preciso forte trabalho de comunicação com toda sociedade.

Grandes cooperativas, particularmente de crédito, como a Sicredi, fazem campanhas para vender seus serviços. Mas não há nenhuma ação efetiva para divulgar os benefícios do cooperativismo. De acordo com José Luiz Tejon, palestrante, escritor e especialista em cooperativismo, a comunicação significa um insumo vital para alimentação das mentes humanas. “A comunicação serve para ampliar e acelerar o desenvolvimento do cooperativismo no mundo e no Brasil , e a comunicação significa também um seguro , uma proteção de imagem para os inevitáveis conflitos e situações competitivas a serem enfrentadas por qualquer organização”.

Tejon acredita que no caso do cooperativismo brasileiro , “vivemos um momento de necessidade fundamental a respeito do espírito, filosofia e administração da cooperação , sob a filosofia das boas práticas do cooperativismo . O empreendedorismo de pequenos e médios exige os princípios cooperativistas para que a imensa maioria desses empreendedores possam ser bem sucedidos”.

A OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) tem em sua visão  uma  meta ambiciosa para propalar o cooperativismo no Brasil: “Em 2025, o cooperativismo será reconhecido pela sociedade por sua competitividade, integridade e capacidade de promover a felicidade dos cooperados”.

Diz Tejon: “Há um bom trabalho central na OCB, uma vontade efetiva de criar essa comunicação e o programa ‘Eu sou Coop’ ilustra isso. Eu tenho solicitado sempre que precisaríamos de mais recursos para uma comunicação mais profunda para toda a sociedade brasileira como fonte inspiradora do melhor modelo de negócios do novo milênio, que é o cooperativismo”.

Agregados em um só bolo, o poder econômico das cooperativas brasileiras formaria a maior empresa do País e, certamente, seria maior que o PIB de muitos pequenos países. Esse universo reúne cerca de 14 milhões de brasileiros diretamente envolvidos. “Isso significa dizer que as realidades do cooperativismo no Brasil são maiores do que as suas percepções pela sociedade”.

O palestrante entende que dar relevância a esse fato concreto significa oferecer ao País um caminho sólido e realista para a evolução da sociedade brasileira, numa velocidade adequada aos tempos contemporâneos. “Precisamos fazer a economia crescer aceleradamente, e o cooperativismo é o melhor modelo para isso, associado a bons planos de negócios, incluindo acesso a mercados internacionais”.

O cooperativismo de crédito vem fazendo ações de comunicação nos centros urbanos. Mas há outras ações no mesmo sentido. “Da mesma forma sempre enalteço o sistema Aurora, por ter uma bela filosofia de comunicação, sempre  associando sua marca ao cooperativismo”. Tejon diz que observa uma vontade maior em se comunicar mais e melhor com a sociedade. “Cooperativas como a Frimesa, Coamo, Capal, Castrolanda, Frisia e muitas mais inserindo e associando a informação de ser uma cooperativa nas embalagens e na comunicação de seus produtos”.

Ainda não nos comunicamos como deveríamos com toda a sociedade brasileira. Tejon diz que o modelo cooperativista seria um programa de estado, fundamental para a sociedade, “pois onde tem pobreza não tem cooperativa e onde tem riqueza tem cooperativa”. E, quanto maior uma empresa privada possa ser, mais ela precisaria ao seu lado de cooperativas, seja para seu suply chain, seja para saúde de funcionários, para abastecimento, ou ainda para criar uma sociedade consumidora mais progressista na sua linha de negócios.

Cooperativismo e iniciativa privada independente não são concorrentes, todos atuam para a construção de negócios. No cooperativismo o fator educação faz uma gigantesca diferença positiva, pois na cooperação o objetivo número 1 é o de não deixar associados pra trás.

Para melhorar a comunicação

Tejon sugere uma central estruturada e inteligente para desenvolver a percepção dos fundamentos do cooperativismo numa sociedade como a brasileira. “Um plano de longo prazo, onde o valor da cooperação seja o elemento determinante da comunicação e que as cooperativas signifiquem as grandes guardiãs desse valor com integridade, ética, aversão ao risco, longo prazo e segurança”.

O estudioso prega que a comunicação institucional do cooperativismo deve ser a grande “alma” de todo o setor. Além da comunicação na mídia, é preciso programa de educação e treinamento sobre o sentido e o propósito de trabalhar numa cooperativa e de ser um associado a uma cooperativa.

O Brasil hoje precisa mais do espírito da cooperação e do cooperativismo do que as cooperativas do Brasil. “Por esse sagrado motivo, solicito uma comunicação educadora e inspiradora para esse setor, uma vez que este modelo de negócios é o melhor para todo século 21”. Empreendedorismo cooperado e privado é a fórmula para o futuro. Com base nestas considerações, Tejon arremata: “O Brasil que coopera supera”.


Por Mauro Cassane – Matéria publicada na Revista MundoCoop, edição 90



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