O impacto global da juventude

Publicado em: 10 novembro - 2020

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Os jovens estão à frente de um movimento por um mundo melhor e quando falamos de futuro, é impossível não atrelar a inclusão da juventude no mercado de trabalho no presente. Em um universo dominado por regimes centralizados e estreitos, há uma necessidade eminente de um modelo que faça as coisas de uma maneira diferente, e a boa notícia é que já temos um: o modelo cooperativo.

Sendo um movimento global crescente, o cooperativismo vem quebrando paradigmas da sociedade e abrindo os olhos para uma nova realidade para a inclusão da geração Z. E para ajudar nesse processo, a ACI Américas criou a Rede Global de Juventude.

Trabalhando junto com 4 comitês de jovens das regiões da ACI (Europa, Ásia-Pacífico, África e América), a Rede Juvenil opera com cooperativas em todo o mundo para ajudar a desenvolver estratégias próprias, para assim promover melhores oportunidades de empregos para os jovens e para garantir-lhes a chance de progredir dentro do mercado. Nas Américas, especificamente, a ACI trabalha com o Comitê Regional Juvenil, que tem como objetivo apoiar e facilitar a interação, a intercomunicação, a cooperação e a colaboração entre cooperativas de jovens e iniciativas que se desenvolvem em todo o continente.

Pensando nisso, a MundoCoop conversou, com exclusividade, com a Presidente do Comitê Regional da Juventude para as Cooperativas das Américas, Angélica Soberanes, sobre a importância do papel dos jovens dentro do cooperativismo, o trabalho que o Comitê tem realizado para fomentar essa inclusão e a revolução sustentável e de mercado que essa nova geração traz para o movimento.

Leia entrevista na íntegra!

MundoCoop: O cooperativismo vem apostando cada vez mais na inclusão e no incentivo da participação dos jovens. Como o Comitê Juvenil da ACI auxilia nessa aproximação e ajuda a erguer a voz da geração z?

Angélica Soberanes: A Rede Global de Juventude não está apenas trabalhando a partir de uma perspectiva da Geração Z, já que muitos dos membros da Rede fazem parte desta geração, mas também está considerando os novos desafios que os jovens, aqueles que virão depois de nós, estão enfrentando.

Trabalhamos com uma perspectiva de inclusão em todos os projetos como, por exemplo, o Projeto de Replicação que lançamos recentemente, que permite aos jovens desenvolverem novos empreendimentos cooperativos, convidando-os a inovar a partir de suas próprias necessidades e perspectivas de como estão vivendo as condições sociais e econômicas em suas comunidades com a orientação de colegas mais experientes. Também tivemos o Fórum Global da Juventude em fevereiro do ano passado na Malásia, onde mais de 100 jovens de todo o mundo se conectaram e compartilharam suas experiências cooperativas, resultando em muitas colaborações e parcerias, mas também na Agenda Juvenil para Advocacia.

Link: https://gyf20.coop/youth-agenda-for-advocacy/

MundoCoop: A juventude deixou de ter uma definição atrelada ao futuro, para se tornar uma solução para o presente. Você acredita que essa inclusão seria a chave para uma nova estratégia global de mercado? Qual é a influência dos jovens dentro do movimento cooperativista?

Angélica Soberanes: Definitivamente somos o presente, mas trabalhando para enfrentar o futuro, isso significa que para ter um futuro melhor temos que começar a trabalhar imediatamente. Nessa perspectiva, é claro que os jovens devem liderar a inovação em todos os setores com a enorme responsabilidade de aprender com o passado. A maior tradição do movimento cooperativo tem que abrir a janela para as ideias dos jovens, para que possamos assegurar sua permanência.

Não apenas as estratégias do mercado global devem ser consideradas pelas cooperativas e, nesse ponto, certamente incluir os jovens para co-criá-las, mas como vivemos em um mundo global apressado e movido, os jovens terem a oportunidade de tomar decisões é crucial .

MundoCoop: Como a inclusão de jovens ajuda na discussão e inclusão de outros grupos sociais dentro das organizações?

Angélica Soberanes: É uma ótima pergunta. Já tivemos essa discussão com o comitê de juventude que temos no México e, por exemplo, sobre o tema igualdade de gênero, percebemos que para os jovens é mais fácil falar e entender as novas perspectivas sobre o tema. Portanto, acredito fortemente que se queremos mudar a mentalidade da humanidade, temos que começar pelas crianças e pelos jovens. Naturalmente, estamos abertos para colocar sobre a mesa muitos tipos de discussões com uma visão de mente aberta.

MundoCoop: O cooperativismo tem muito para aprender e ensinar com a nova geração. Você acha que a inserção cada vez maior da tecnologia no ambiente de trabalho pode contribuir para que os jovens tenham mais oportunidades no movimento cooperativista? O que torna o movimento tão atrativo?

Angélica Soberanes: Sim, a crescente inserção da tecnologia em geral tem contribuído para que haja mais oportunidades entre os jovens. Vimos isso depois da pandemia, muitas organizações cooperativas tiveram que implementar mais tecnologia em seus negócios e para que isso acontecesse, pediram a expertise dos jovens.

O movimento atrai os jovens porque além de terem um trabalho decente, podem compartilhar o bem-estar com os demais em uma organização centrada nas pessoas que se preocupa muito com a comunidade, o meio ambiente e o comércio justo.

MundoCoop: O que, na visão da ACI, ainda precisa ser mudado? Como podemos inserir essa ideia mais a fundo no movimento cooperativista?

Angélica Soberanes: A ACI trabalha fortemente ouvindo as necessidades de seus associados em todo o mundo, por isso estamos cientes dos diferentes desafios e exigências locais e globais. Mas a exigência do fortalecimento da identidade cooperativa e da visibilidade do nosso movimento está sempre presente. Portanto, sabemos que somos um grande movimento econômico e social igualitário, mas temos que divulgar amplamente e fazer parte das importantes tomadas de decisão em nossos países e regiões. O que muitos jovens pensam é que talvez tenhamos que mudar a forma como falamos sobre as cooperativas e sua filosofia e princípios, isso significa pegar sua grande e importante história e colocá-la em uma linguagem moderna e inovadora.

MundoCoop: Como o Comitê Juvenil enxerga o futuro do cooperativismo e quais são as iniciativas e projetos para os próximos anos? 

Angélica Soberanes: Vemos o futuro trabalhando a partir do presente. Depois da Covid-19, aprendemos que a crise pode chegar e mudar nossos planos para que não tenhamos que esperar o futuro chegar, temos que agir agora. Assim, as cooperativas têm que seguir atendendo as necessidades da comunidade, mas sempre considerando que serão emergências e crises para enfrentar, então sua flexibilidade é muito importante. Temos muitos projetos acontecendo agora nos comitês globais e regionais, como o Projeto de Replicação, CoopsTv e a iniciativa Cooperativas de Plataforma, mas também estamos enfrentando muitas mudanças em nossa estrutura organizacional que podem trazer novas perspectivas para o movimento cooperativo de jovens. Então fique ligado!

(Saiba mais aqui: www.globalyouth.coop)

MundoCoop: O que você diria, como representante do Comitê, para a nova geração e para os líderes do cooperativismo?

Angélica Soberanes: Muito obrigado a todos os jovens cooperadores de todo o mundo. Você é a razão pela qual nosso movimento está aumentando sua participação e força no cenário global. Cada pequeno ou grande projeto, iniciativa e advocacy que você está liderando é muito importante. Estou ciente de que nem sempre é fácil ser ouvido, mas temos que continuar tentando. As cooperativas podem não ser a única forma de fazer economia, mas como cooperadores, temos que torná-las a única maneira.


Por Jady Mathias Peroni – Entrevista publicada na Revista MundoCoop, edição 96



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