O “negócio” cooperativa

Publicado em: 01 outubro - 2018

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Mais que uma solução para aumentar as chances de competitividade nos mercados de produtos e serviços, o cooperativismo é uma atividade econômica rentável, que se não for bem gerenciada pode desaparecer

 


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“Em qual nível de excelência sua cooperativa está?” A pergunta feita pelo Sescoop na página do Programa de Desenvolvimento da Gestão das Cooperativas, o PDGC, não deixa de ser uma provocação aos participantes do sistema, com o propósito de refletirem sobre seu negócio. O programa é um instrumento de avaliação e desenvolvimento da autogestão das cooperativas, com o objetivo de promover a adoção de boas práticas de gerenciamento e governança.

Este pode parecer um tema recorrente para grande parte dos dirigentes, mas uma pesquisa apresentada pela consultoria MPrado aponta para um cenário, no mínimo, alarmante. Apesar de ter sido realizado com cooperativas agropecuárias – especialidade da consultoria – o estudo reflete um gargalo comum a várias cooperativas: a falta de regras de governança corporativa e de compliance.

Para o sócio-diretor da Massi Consultoria e Treinamento, Marcos Assi, debater o assunto é fundamental, pois o sistema cooperativo representa uma grande parcela de todas as organizações que atuam no Brasil e, consequentemente, apresenta importante contribuição socioeconômica para o País. “Ainda assim, sentimos algumas necessidades no desenvolvimento de seus projetos, de alguns aspectos de suma importância à longevidade das empresas”, comenta o especialista. “Não basta ter conhecimento do negócio e achar que a dedicação à história da cooperativa e dos fundadores serão suficientes para mantê-lo funcionando. A profissionalização da gestão é o mais indicado para o sucesso de qualquer organização”, ressalta.

Marcos Assi, da Massi Consultoria e Treinamento: não basta ter conhecimento do negócio e achar que a dedicação à história da cooperativa e dos fundadores será suficiente para manter o negócio funcionando

Assi explica que o compliance, como uma das ferramentas da governança, tem a função de aprimoramento da relação com investidores, associados, cooperados e todas as partes relacionadas, uma vez que traz na sua essência um guia de conduta no que que se refere a sistemas, processos, regras e procedimentos adotados para gerenciar os negócios. “Independentemente de ser uma cooperativa ou uma empresa, quando se tem a gestão focada no negócio, mas utilizando processos de compliance, controles internos e de riscos, é mais fácil agregar valor”, diz o especialista, enfatizando que, quando o gestor entende que os procedimentos devem reproduzir a atividade, a obtenção de indicadores é melhor. “As cooperativas, por terem um modelo de negócio colegiado, no qual todos são donos de um pedaço, precisam melhorar esse processo para que não se torne uma empresa ‘familiar’. Muitos tomam a frente do negócio e esquecem do coletivo.”

Em termos práticos, o compliance e os controles internos, ferramentas essenciais em um processo de governança corporativa, consistem em planejar a prevenção de riscos de desvios de conduta e descumprimento legal, além de incorporar métodos para detectá-los e controlá-los. Na opinião de Assi, é preciso mobilizar os gestores a implementar uma postura mais proativa e preventiva no gerenciamento e no tratamento dos riscos que permeiam a atividade empresarial e comprometem sua sustentabilidade, tais como: problemas trabalhistas; problemas tributários; danos ao patrimônio físico; falhas em ferramentas de TI, sistemas e na segurança da informação armazenada e compartilhada; falhas em contratações com clientes, parceiros e fornecedores; fraudes e desvios financeiros; corrupção de agentes públicos, entre outros.

Provocação ou não, a pergunta do Sescoop reforça o quanto é importante estar atento a todas as questões pontuadas por Marcos Assi. O PDGC tem essa função. Ele é aplicado em ciclos anuais, visando à melhoria contínua de planejamento, execução, controle e aprendizado. Sua metodologia verifica a conformidade legal da cooperativa, identifica suas práticas de gestão e avalia o nível de excelência com base no MEG (Modelo de Excelência de Gestão®), da Fundação Nacional de Qualidade (FNQ). Além disso, desenvolve relatórios com pontos fortes e oportunidades para melhoria, possibilitando a construção de planos de ajustes que resultem no aumento da competitividade e da sustentabilidade da cooperativa. Então, em qual nível de excelência sua cooperativa está?

 

 

 



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