O profissional turbinado

Publicado em: 26 dezembro - 2019

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Nestes tempos em que é preciso entregar resultados rápidos e ser cada vez mais eficiente, é bom saber como aprimorar sua performance corporativa

Duas icônicas frases, uma de um mestre da literatura e outra de um gênio empresarial seriam assaz suficientes para resumir toda essa matéria. Em nome da produtividade, vamos logo a elas, começando pela lapidar colocação de Stephen King, um dos maiores escritores estadunidenses: “Amadores sentam e esperaram por inspiração, o resto de nós simplesmente se levanta e vai trabalhar”. Parece óbvio, só que não. É comum no mundo corporativo executivos perderem precioso tempo esperando aquele “insight” que custa a chegar e, quando chega, pode ser tão inútil quanto tarde demais.

Por isso mesmo neste segundo parágrafo vale a colocação do gênio criador da Apple, Steve Jobs: “Você não pode impor a produtividade, você deve fornecer as ferramentas para permitir que as pessoas se transformem no seu melhor”. Refletindo sobre o que disse King e a posição de Jobs concluímos, logicamente, que é preciso arregaçar as mangas e fazer não sem antes, naturalmente, certificar-se de que há, de fato, todas as condições necessárias para se executar as tarefas. Entenda-se por “ferramentas” também um ambiente operacional positivo.

Christiane Berlinck, diretora de RH da IBM Brasil, comenta que executivos, geralmente, são responsáveis por liderar times compostos por profissionais com diferentes habilidades e todos precisam estar alinhados no mesmo objetivo, “ou seja, em um propósito único e claro, com o qual esse time se identifica e também que cada um tenha clareza na sua contribuição do todo”.

De acordo com a executiva da IBM, o perfil do líder tem passado por mudanças e atualmente é determinado por fornecer muito mais coaching, uma comunicação clara para a organização, preocupação em criar um ambiente seguro no qual as pessoas se sintam bem em propor suas ideias e sugestões, alinhamento da estratégia para entregar resultados atuais e para construir resultados futuros e inspirar as pessoas.

Para ser mais produtivo, considerando as duas frases lapidares do início desta reportagem, Christiane resume com bastante didática o perfil dos executivos altamente produtivos: “o executivo precisa delegar, priorizar, ajudar as pessoas a serem resilientes, colocar as pessoas certas nas posições certas, influenciar e negociar, dar feedback continuamente, aprender continuamente, favorecer ambientes de trabalho transparentes e incorporar metodologias e processos ágeis”.

Aqui, resumidamente, um profissional produtivo faz o que recomenda King, “arregaça as mangas e trabalha” mas não sem antes promover o que aconselha Jobs no sentido de “fornecer as ferramentas que extraem o melhor das pessoas”. Por isso, um líder centralizador e que não tem a mentalidade de entregar resultados através do seu time acaba por trabalhar em excesso e ter baixa produtividade. “Claro que não podemos desconsiderar o nível de responsabilidade que um executivo tem diante dos objetivos da organização, mas o papel de engajar as pessoas para juntos terem resultados, inovações e experiências continuamente positivas para os clientes é imprescindível na atuação do executivo”, comenta Christiane.

Com base em sua longa experiência em RH de grandes corporações e considerando seu trabalho atual na IBM, a executiva elenca algumas dicas preciosas que podem contribuir para mais produtividade no ambiente corporativo, especialmente partindo-se da chefia: “primeiramente, entender que o papel do líder não é mais comando e controle. Ele não é a pessoa que manda e executa, mas sim quem inspira, monta times diversos e plurais que se engajam em fazer acontecer”.

Outra dica importante é a clareza em relação à estratégia do negócio e quanto aos objetivos de curto e longo prazos. “Em um mundo em constante transformação, o executivo precisa sempre se preparar para o que virá em seguida: fazer o hoje e se preparar para as tendências futuras”. A comunicação, tão importante em todos os negócios, é um trunfo a favor da produtividade.

“É fundamental o conhecimento do negócio do cliente e dos seus objetivos, estruturar um time com as aptidões necessárias para hoje e para o futuro, curiosidade, incentivar as pessoas a terem a habilidade de priorizar atividades e metas do negócio, aprendendo a gerenciar diariamente o tempo para dar foco nos temas relevantes, aprender continuamente (tempo dedicado a estudo) e manter uma rede de relacionamento diversa e com pessoas de opiniões distintas”.

Por fim, Christiane reforça que adotar formas de trabalho que promovam autonomia nas pessoas e que estimulem a tomada de decisões é vital nas corporações. “Isso passa por confiança e fomenta um ambiente no qual as pessoas sabem de sua responsabilidade e não precisam ser cobradas pelo que precisam entregar. Não punir o erro, mas cobrar uma atitude responsável diante do erro”.

Essas condutas certamente ajudam a melhorar tanto a produtividade do líder como também de toda equipe. Mas melhorar a performance, especialmente hoje em dia, também passa por uma atenção especial que toda empresa deve dar à operacionalidade dos processos. Ou seja, os profissionais precisam contar com as ferramentas adequa- das para executarem as tarefas com mais eficiência. A tecnologia oferece agilidade aos líderes quando, por exemplo, transforma uma série de dados não estruturados em insights, ou quando simplifica o acesso às informações para a tomada de decisão. “Desde o momento da contratação, nós temos soluções baseadas em inteligência artificial que auxiliam o líder a tomar as melhores decisões de talentos que vão desde a contratação, passando por desenvolvimento organizacional e retenção de talentos e indo até análises mais profundas, como fazer um mapa de capacidades de força de trabalho com a demanda futura da organização”.

Para a executiva da IBM, com o uso de tecnologias, como a inteligência artificial, “podemos ser mais assertivos nas ações, usar predição para se antecipar aos desafios e a investir mais tempo pensando, inspirando e co-criando soluções nunca antes pensadas, porque a parte mais operacional já está sendo equacionada pelo uso destas novas ferramentas”.

O caminho das pedras

De acordo com Emerson Moura, superintendente da Frísia Cooperativa Agroindustrial, “na Frísia, trabalhamos para que a produtividade aconteça em todos os setores, tanto nos escritórios, na sede em Carambeí (PR), passando pelas demais unidades da cooperativa, até o campo”. Moura comenta que “em hipótese alguma deixamos pela metade qualquer projeto que produzimos. Isso porque pode gerar perda de capital humano e material. Esse sistema serve para os mais simples trabalhos da cooperativa, processos cotidianos, como para os grandes eventos e investimentos que realizamos”.

O superintendente comenta que o sistema Frísia+Lean é um exemplo disso: “criamos, junto com a Clínica do Leite (Esalq/USP), uma metodologia que prioriza a gestão das propriedades rurais, focando na otimização de recursos, equipe colaborativa, aumento de resultados e, consequentemente, maior margem para os cooperados. Se o campo está bem, haverá reflexo positivo no escritório também”.

A Cooperativa Frísia foca no aumento de produtividade, mas sempre com bem-estar social e qualidade no ambiente de trabalho. Diz Moura: “os nossos colaboradores têm estrutura para produzir mais e melhor, com atenção ao resultado. Continuamente avaliamos os processos e nossas estratégias através de pro- gramas de qualidade e excelência. Conseguimos elevar em 10% nosso faturamento no último ano com valorização da nossa equipe e forte investimento, pois sabemos que temos os melhores talentos”.


Por Mauro Cassane – Matéria publicada na Revista MundoCoop, edição 91



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