PDGC: o programa sob medida para as cooperativas


Gestão


Lançado em 2013, conta com a adesão de 2.232 cooperativas

“A cooperativa é um grande farol para o cooperado. Tudo o que ele quer é uma organização que funcione bem. A cooperativa, por isso, tem de criar mecanismos de monitoramento dos gestores, e o processo de governança, focado no negócio pode minimizar os riscos da cooperativa como organização, até porque cooperado e cooperativa são reflexos um do outro. Portanto, cooperativa pobre e cooperado rico – e vice-versa – não é saudável”. Essa afirmação de Decio Zylbersztajn – professor da USP, com atuação na área de Economia das Organizações e Estratégia desde 1990 ­– foi feita à MundoCoop em 2015 em matéria que tratava da evolução ao longo dos dois primeiros anos do Programa de Desenvolvimento da Gestão das Cooperativas (PDGC).

Idealizado pelo Sescoop – braço de formação do cooperativismo – e construído de fora participativa com outras duas entidades integrantes do sistema (OCB e Confederação Nacional das Cooperativas – CNCoop), das unidades estaduais, além da Fundação Nacional da Qualidade, o PDGC adequa o Modelo de Excelência de Gestão da FNQ à realidade das cooperativas, naquilo que Susan Miyashita Vilela, gerente de Monitoramento e Desenvolvimento de Cooperativas do Sescoop, define como “um casamento perfeito”.

Trabalhar fundamentos de excelência na gestão, como pensamento sistêmico, cultura de inovação, liderança, valorização das pessoas e conhecimento sobre clientes e mercado são ações com resultados positivos nos resultados das cooperativas, com reflexos para cooperados, empregados e sociedade, tais como redução de custos, aumento da produtividade e da competitividade, maior flexibilidade frente a mudanças, mais credibilidade e reconhecimento público ao setor. Soma-se a isso a intercooperação, pois o PDGC é via de mão dupla: os dados coletados contribuem para identificar outras frentes de ação relacionadas às áreas de formação profissional e promoção social do Sescoop, assim como a gestão compartilhada de conhecimentos entre as cooperativas do sistema.

Em que pese todos os ganhos alinhados por teóricos, acadêmicos, consultores e técnicos em Governança, os números oficiais do Sistema OCB sinalizam que o PDGC evolui a passos ainda tímidos: no ano do lançamento (2013), 541 cooperativas finalizaram sua autoavaliação e que receberam o seu relatório de devolutiva com recomendações de práticas de gestão. Em 2014, foram 442; 2015, 645; e 2016, 604.

Autogestão e maturidade
O PDGC, como lembra Susan Vilela, é parte de um programa nacional do Sescoop que objetiva contribuir para o desenvolvimento da autogestão das cooperativas. “Pautado no conceito de sustentabilidade, pelo qual as cooperativas se tornam economicamente viáveis, socialmente justas e ambientalmente corretas, resguardando as características societárias que as distinguem e respeitando os princípios e valores do Cooperativismo, as ações são segmentadas em três eixos – Identidade Cooperativa, Gestão e Desempenho Econômico-Financeiro – cada um com programa próprio para viabilizar sua implementação esse trabalho”, comenta.

Todo realizado por meio eletrônico, via site dedicado ao PDGC, o processo tem início com a resposta a dois questionários: o primeiro verifica o grau de conformidade da sua cooperativa em relação à legislação e aos modelos de gestão esperados para o setor. Já o segundo avalia o nível de maturidade da estrutura de governança. O preenchimento dos questionários gera indicadores que são compilados no Índice Sescoop de Sustentabilidade (ISSC).

Na sequência – descreve a gerente de Monitoramento e Desenvolvimento de Cooperativas do Sescoop – a cooperativa “recebe um relatório com os pontos fortes e as oportunidades de melhoria da cooperativa. O documento é completo e muito didático. Com ele em mãos, a cooperativa descobre o nível de maturidade da organização e o que fazer para alcançar a excelência de gestão. Além disso, recebe diversos subsídios para elaborar o planejamento estratégico e o plano de ação da sua cooperativa”.

Aplicado em ciclos anuais, visando à melhoria contínua a cada ciclo de Planejamento, Execução, Controle e Aprendizado, o PDGC exige a identificação do patamar de maturidade da gestão em que a cooperativa se encontra, que pode ser:

  1. Primeiros passos para a excelência –aplicável às cooperativas em estágio inicial de um programa de melhoria da gestão.
  2. Compromisso com a excelência –aplicável às cooperativas que estão em estágios iniciais de evolução do seu sistema de gestão e começando a medir e a perceber melhorias nos seus resultados.
  3. Rumo à excelência –aplicável às cooperativas cujo sistema de gestão está em franca evolução e que já demonstrem competitividade e atendimento às expectativas das partes interessadas em vários resultados.
  4. Excelência –ainda não disponível para as cooperativas, é aplicável às cooperativas que têm um sistema de gestão bastante evoluído, já demonstram excelência em alguns resultados, competitividade na maioria e pleno atendimento às expectativas das partes interessadas em quase todos eles.

Além do assessoramento do Sescoop, as cooperativas participantes do PDGC têm oportunidade de serem reconhecidas pela adoção de boas práticas de gestão e governança. Isso acontece a cada dois anos, pelo Prêmio Sescoop Excelência de Gestão.



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