Pesquisada Obscoop gera Insights


Gestão


Devido à importância das cooperativas agropecuárias, o Observatório do Cooperativismo as estuda para compreender sua evolução e, recentemente, Davi R. de Moura Costa – Prof. Dr. da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEARP/USP) e diretor do Obscoop – estabeleceu alguns insights sobre o futuro, apontando desafios a serem transpostos. Para isso, fez uso de dados fornecidos pela OCB, referentes ao total de cooperativas, total de sócios por cooperativa e número de funcionários nas diferentes regiões do Brasil, no período de 2010 a 2015, e do levantamento de informações coletadas em conjunto com pesquisadores da University of Missouri, junto a conselheiros e gestores de cooperativas das diversas regiões brasileiras.

Os números apontaram para um crescimento anual do total de cooperativas no Norte e Centro-Oeste (respectivamente 6,51% e 3,10%), enquanto Sul e Nordeste tiveram redução anual, cerca de -4,67% e -3,06%, respectivamente. Por outro lado, na região Sul houve crescimento de 6,13% no total de sócios por cooperativa e, no Norte, ocorreu queda de -4,42% ao ano.

Os resultados sugerem que “há um movimento de consolidação do cooperativismo no Sul do País, com redução no total de unidades e aumento no quadro de sócios. No Norte, é possível inferir que há criação de cooperativas com número menor de associados. Já para o Centro-Oeste, é factível apontar como a região mais dinâmica: cresceu o número de cooperativas e de produtores cooperados. Além disso, as cooperativas da região Sul são maiores em número de membros e em atividade econômica (vide gráfico), enquanto no Centro-Oeste o dinamismo não se reflete em atividade econômica que demande quantidade significativa de mão-de-obra”, resume o diretor do Obscoop.


E qual será o futuro que decorre desse quadro? Na visão do pesquisador, a questão tem dois aspectos: o porte das cooperativas do Centro-Oeste e do Norte e a possibilidade de migração das maiores cooperativas da região Sul atrás da produção de grãos.

Considerando as diferenças estatísticas das cooperativas das duas regiões e do perfil do produtor, ele aponta para a possibilidade “de criação de estruturas que trabalham com a ação coletiva, sem que seja necessariamente uma cooperativa. Por exemplo, condomínios de armazenagem e consórcios produtivos tal qual o Consórcio Cooperativo Agropecuário Brasileiro (CCAB) já existentes na região. Além disso, o processo de consolidação do cooperativismo da região Sul invariavelmente vai elevar o nível de competição entre as cooperativas que atuam com commodities (grãos e carnes), mercado que demanda inovação constante para ganhos de economia de escala”.


Entre as consequências do acirramento da competição poderá surgir práticas predatórias como opção para aumento do market share na região. A solução de curto prazo, segundo a visão de Moura Costa, envolve a abertura de unidades destas cooperativas em outros Estados. “Esta estratégia já está sendo adotada pelas cooperativas do Paraná, por exemplo, abrindo filias no Mato Grosso do Sul e São Paulo. Portanto, espera-se que as grandes cooperativas da região Sul migrem para locais cada vez mais distantes, atrás da produção de grãos”, informa o diretor do Obscoop, lembrando a necessidade de vencer três desafios básicos: os impedimentos legais estatutários que vedam as cooperativas migrarem para outras regiões; o perfil cultural do associado que não gosta de assumir riscos; e aversão ao risco dos seus gestores, que não estão familiarizados com as questões logísticas desafiadoras destas novas regiões.

A possível chegada das cooperativas do Sul às regiões Centro-Oeste e Norte leva ao aprofundamento da reflexão, pois – frisa Moura Costa – é preciso detectar se “os produtores da região continuarão a optar por estruturas menores ou se vão se associar aos grandes complexos cooperativos”.

Independentemente da resposta, o diretor do Obscoop problematiza ao inserir no cenário atual mais um elemento: “as maiores cooperativas do mundo, como a americana CHS e a japonesa Zen-Noh, já estão entre nós originando soja e recursos para seus cooperados nos países de origem”.



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