Presente consciente, futuro sustentável

Publicado em: 19 junho - 2020

Leia todas


É fato que nos dias de hoje, a pauta ‘sustentabilidade’ vem sendo cada vez mais debatida. Entretanto, o crescimento dessas discussões não resulta, necessariamente, numa evolução máxima de consciência e preservação. O caminho para se moldar uma sociedade sustentável é longo e está longe de acabar.

O mundo, de certa forma, está inteiramente conectado. Nele, toda e qualquer ação interfere em outra e as mutações são cada vez mais frequentes, o que potencializa essas conexões. E quando falamos sobre meio ambiente, essa questão se intensifica ainda mais.

Quando chove, os oceanos elevam seu nível; Quando o inverno chega, as folhas caem; E assim como o meio ambiente e seus efeitos, as ações humanas estão diretamente ligadas à natureza e influenciam, e muito, a vida ambiental.

Sempre que o tópico ‘sustentabilidade’ é colocado em pauta, é necessário que se entenda que sua definição vai muito além do convencional “tentar não poluir a natureza”. Porém, antes de estabelecer conceitos para entender e mudar o mundo, é necessário assimilar que todas as atitudes possuem consequências, desde as mais leves até as mais extremas. E é tendo essas consequências como base, que surge a necessidade de falar sobre Consciência e Consumo Sustentável.

Atualmente, o modelo de produção e consumo tem sido os principais vilões no processo de degradação ambiental, no qual a população adquire produtos desnecessários e que, em seu dia a dia, não percebem o impactos desse consumo  demasiado no meio ambiente. Porém, antes de mais nada, o que é consumo sustentável?

Segundo a gerente do Centro Sebrae Sustentabilidade (CSS), Suênia Sousa, “As expressões “consumo consciente” ou “consumo responsável” ou “consumo sustentável’ possuem o mesmo significado. São conceitos que buscam chamar a atenção das pessoas para as consequências do consumo exagerado, impulsivo e desnecessário, que gera enormes impactos na geração de resíduos, descartes volumosos e incorretos com drásticas consequências ambientais e na saúde pública.”, explica.

De acordo com o Panorama do Consumo Consciente no Brasil: desafios, barreiras e motivações 2018, que realizou entrevistas em 12 regiões metropolitanas brasileiras, o repertório associado ao conceito de sustentabilidade ainda é voltado estritamente ao meio ambiente. Quando, na verdade, sua concepção aborda, também, a relação da natureza com a sociedade em si.

A ideia do consumo sustentável é promover uma reflexão dos hábitos de consumo da população, fazendo com que seja despertado a existência da consciência ecológica. Consumir conscientemente não é deixar de consumir e sim consumir o necessário, sabendo selecionar os produtos e serviços que contribuam com a redução dos impactos, desperdícios e o desequilíbrio econômico e socioambiental. “Os hábitos de consumo provocam mudanças nas empresas e indústrias, responsáveis pelo fornecimento de produtos, serviços e alimentos ao mercado. Os consumidores são o motor dessas mudanças. A tão desejada implantação da ‘economia circular’ no Brasil depende da conscientização deles.”, relata Suênia.

Conforme Suênia, o Brasil é um dos países que possui maior potencial de se tornar um país sustentável. “A primeira condição está no fato de a maior base econômica do Brasil, em termos de quantidade, estar alicerçada nos pequenos negócios. Eles estão em toda parte: nas grandes, médias e pequenas cidades, nos rincões e nas fronteiras do país. Este segmento corresponde a 98,5% das empresas brasileiras.  É uma massa silenciosa que trabalha muito e gera mais de 54% dos empregos e renda em todo o território nacional.”, ressalta.

Sustentabilidade, muito além do meio ambiente, tem a ver com qualidade de vida. Desde a distribuição de renda, geração de empregos decentes e bem-estar da população permeiam todas as metas dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 das Nações Unidas (ONU). “Não nos tornamos, ainda, uma potência sustentável, pois não enxergamos as oportunidades existentes no desenvolvimento sustentável, isto é, que podemos nos desenvolver economicamente com preservação ambiental e alto valor social. Precisamos reconhecer, também, que os pequenos negócios são protagonistas essenciais do desenvolvimento brasileiro. Quando isto for percebido, teremos um outro Brasil”, encerra Suênia.

É evidente que o grande objetivo mundial para a conscientização sustentável é a redução de desperdício. Existe, hoje, uma migração de uma economia puramente material para a de serviços, ou seja, desmaterializada, que consiste na contribuição do consumo consciente e no bem-estar e qualidade de vida coletiva. Negócios conectados ao bem humano são uma tendência atual.

Existe uma firme necessidade da conscientização do real significado de sustentabilidade, para que, à partir desse conceito, a sociedade possa criar uma consciência coletiva da importância do consumo responsável. Essa iniciativa deve partir de todos os lados, tanto dos consumidores quanto das maiores entidades como as empresas e, principalmente, o governo.

E o cooperativismo?

O modelo cooperativista se baseia em diversos princípios benéficos para a sociedade em geral e, entre eles, consiste na ideia fixa da cooperação e do compartilhamento, que, se observado, tem relação direta com a economia desmaterializada. Portanto, o cooperativismo ganha uma grande representatividade e potencializa as medidas sustentáveis.

Trilhar um caminho onde exista uma relação coletiva e o compartilhamento, contribui para um resultado final muito mais rico em experiências. A troca de conhecimento entre os que sabem mais com os que sabem menos, beneficia a todos, tanto como sociedade, como meio ambiente. “Ações cooperadas na área de ecoeficiência serão melhor implementadas de modo coletivo, por exemplo, em projetos de energias renováveis, na gestão de resíduos e na adoção de tecnologias inovadoras. Fazer tudo isto coletivamente se torna mais barato e é um caminho muito mais rico em experiências”, completa Suênia.

O cooperativismo está intensamente relacionado com dois ODS que são muito observados pelos consumidores, especialmente pelos jovens que estão ingressando no mercado e são elas: ODS 8 (Trabalho decente e crescimento econômico) e ODS 12 (Produção e Consumo Sustentáveis). Baseando nisso “Se houver atividades de planejamento das cooperativas, deliberadamente ligadas a estes dois ODS, comprovadas por indicadores por todos os cooperados para apresentar à sociedade, certamente alcançarão maior relevância na sociedade de consumo”, conclui Suênia.

As práticas de sustentabilidade são essenciais para se constituir uma relação bem definida com o meio ambiente. A implementação de premissas básicas podem oferecer um futuro muito mais agradável e saudável, tanto para a população quanto para a natureza. Porém, consciência sem prática, não leva à evolução. A sociedade precisa compreender seu papel no mundo para conseguir muda-lo.


Redação MundoCoop – Matéria publicada no Anuário Brasileiro do Cooperativismo 2020



Publicidade