Ter auto controle, empatia e saber lidar sob estresse faz bem à saúde física e profissional

Publicado em: 28 dezembro - 2019

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Embora um excelente currículo, conhecimento teórico, habilidades técnicas, aperfeiçoamento continuado e experiência na área sejam itens fundamentais para o sucesso da carreira, tudo isso pode ir por água abaixo se o profissional não souber lidar com as emoções (próprias e dos outros). Situações estressantes são muito comuns em um local de trabalho que enfrenta cortes no orçamento, demissões de funcionários, cobranças por resultados e mu- danças constantes. Pode ser cada vez mais difícil gerenciar suas emoções nessas circunstâncias, mas é fundamental que você o faça não só pelo bem de sua carreira mas, também, para sua sanidade física e mental.

Afinal, profissionais que conseguem lidar com suas emoções, situações de risco, negociar, pensar estrategicamente, agir sob pressão, relacionar-se com a equipe são valorizados entre as gerências, afirma Rodrigo Fonseca, Presidente da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional (Sbie).

“As emoções fazem parte do ser humano e separar a bagagem pessoal da vida profissional é um verdadeiro desafio para qualquer profissional. Porém, é possível administrar as emoções de forma produtiva de modo que elas não afetem negativamente a convivência no trabalho e as relações pessoais”, pondera Fonseca.

De acordo com Fonseca, as pessoas experimentam emoções desde tenra idade. “À medida que tentamos navegar pelo mundo muitas vezes caótico da vida moderna, a gama de emoções que experimentamos em um dia pode mudar drasticamente”.

O esgotamento psicológico/ emocional não é algo que acontece da noite para o dia. O especialista alerta que é preciso prestar atenção a alguns sinais do corpo e mente. Segundo Fonseca, “quando olhamos para o micro, percebemos que o grande problema está no crescimento de transtornos emocionais, como síndrome de burnout, depressão e ansiedade. No macro, empresas que têm em seus pilares os valores da Inteligência Emocional, incentivando uma relação mais humana, consciência global e autonomia, possuem funcionários mais produtivos, engajados, criativos e saudáveis”.

Razão X Emoção

Apesar da crescente dependência de “big data” para resolver todas as decisões, fica claro para qualquer pessoa com um vislumbre de autoconsciência que os humanos são incapazes de pensar constantemente em termos racionais. Simplesmente não temos tempo ou capacidade para calcular as probabilidades estatísticas e os riscos potenciais que acompanham todas as opções.

Mas mesmo se pudéssemos viver a vida de acordo com cálculos tão detalhados, isso nos colocaria em grande desvantagem. Isso ocorre porque vivemos em um mundo de profunda incerteza, em que a lógica pura simplesmente não é um bom guia.

Embora muitas pessoas não se deem conta disso, as decisões tomadas hoje são fortemente influenciadas pelas emoções, mais do que se possa imaginar.

Quando se trata de sucesso nos negócios, a inteligência emocional supera o QI. Saber como gerenciar nossos sentimentos é importante. E entender os outros é crucial para o trabalho em equipe. De fato, gerenciar emoções é uma habilidade essencial de liderança.

Para Fonseca, “estamos caminhando para uma realidade onde as máquinas vão se ocupar de quase todas atividades técnicas e manuais que fazemos atual- mente e o ser humano terá que buscar dentro de si o que mais tem de valor: suas emoções e o relacionamento”.

São as pessoas que movem uma em- presa, logo, as emoções que regem o profissional afetam diretamente o ambiente de trabalho.

As emoções construtivas podem ser motivadoras e podem melhorar a com- preensão. Mas as emoções excessivamente intensas bloqueiam a comunicação e dificultam a solução de problemas. “O estresse contínuo leva ao mau humor, desconexão com a equipe e procrastinação. A tristeza leva a depressão, desmotivação, baixo rendimento e falta de atenção, até o profissional adoecer ou a empresa dispensá-lo” afirma Fonseca.

A maioria das pessoas não precisa de estratégias para gerenciar suas emoções positivas. Afinal, sentimentos de alegria, excitação, compaixão ou otimismo geralmente não afetam os outros de maneira negativa. Contanto que as compartilhe de forma construtiva e profissional, elas são ótimas para se ter no local de trabalho.

Inteligência emocional

O termo inteligência emocional apareceu pela primeira vez em um artigo de 1964 por Michael Beldoch e ganhou popularidade em todo o mundo por meio do livro Inteligência Emocional: Por que Ela Pode Importar Mais do que o QI”, publicado em 1995, escrito pelo psicólogo e Phd de Harvard, Daniel Goleman.

No livro, Goleman, argumentou que a inteligência emocional é até mais importante do que o QI, na previsão do sucesso na vida. Essas competências emocionais, também desempenham um papel particularmente importante no local de trabalho. A habilidade de controlar as próprias emoções e de saber reagir de forma adequada à atitude dos colegas de trabalho é uma característica bastante valorizada nos profissionais.

O conceito chamou a atenção de gerentes de recursos humanos e líderes de negócios. Os pesquisadores sugeriram que a inteligência emocional influencia o quão bem os funcionários interagem com seus colegas. Pensa-se também que a inteligência emocional desempenha um papel na maneira como os trabalhadores gerenciam o estresse e os conflitos, bem como no desempenho geral no trabalho.

De acordo com uma pesquisa realizada pela CareerBuilder com executivos de RH, 71% dos 2.662 entrevistados sugeriram que eles valorizavam mais a inteligência emocional de um funcionário do que o seu QI.

Quando o assunto é promoção, a porcentagem é ainda maior, 75% se dizem mais propensos a valorizar o funcionário que gerencia melhor as emoções. Quando questionados sobre por que a inteligência emocional é mais importante do que aquela medida pelo QI, os executivos de RH dizem que funcionários com alto QE conseguem manter a calma sob pressão, sabem resolver conflitos efetivamente, têm empatia com suas equipes, lideram pelo exemplo e tomam decisões de negócios mais bem pensadas.


Por Marcela Langer Noschang – Matéria publicada na Revista MundoCoop, edição 91



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