Simplificando a comunicação digital

Publicado em: 16 março - 2020

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Nos dias atuais se torna cada vez mais indispensável uma estratégia e planejamento de comunicação e as organizações já entendem essa questão

É essencial que cada organização tenha autonomia para trabalhar com diferentes públicos, estratégias e conceitos relacionados à sua identidade e, para isso, o investimento em comunicação tem sido uma forma de aproximar essas organizações de seus públicos.

Gerente de Comunicação Institucional do Banco Cooperativo Sicredi, Bianca Franchini.

A comunicação tem papel fundamental no objetivo de transmitir com clareza os valores e o propósito da instituição, assim como contribuir para o alcance dos objetivos estratégicos. E em um mundo cada vez mais conectado, uma marca quando se posiciona no digital precisa estar muito bem estruturada. Hoje, não existe a possibilidade de entrar no universo online sem metodologias, métricas e ações preestabelecidas. Um objetivo claro e uma meta alcançável são essenciais para uma organização.

Quando se fala em cooperativismo, a comunicação é um desafio constante. Pois, além de falar de produtos e serviços, é importante que exista a difusão dos valores cooperativistas como, por exemplo, o desenvolvimento local e sustentável. De acordo com a Gerente de Comunicação Institucional do Banco Cooperativo Sicredi, Bianca Franchini: “Entendemos o trabalho de comunicação como um fator muito relevante na disseminação do cooperativismo, pois é um modelo que verdadeiramente gera benefícios aos seus participantes e quando essas vantagens são conhecidas e compreendidas pelas pessoas, estamos no caminho certo para uma maior adesão ao segmento”.

Superintendente de Marketing e Produtos da Seguros Unimed, Henrique João Dias.

Uma boa gestão de comunicação e marketing traz benefícios diretos como, por exemplo, maior engajamentos dos públicos de interesse com a marca, contribuindo para a geração de negócios e para a sustentabilidade em longo prazo. “Investir em comunicação é investir na nossa instituição financeira cooperativa. Uma boa gestão de comunicação e marketing é aquela que contribui para o alcance dos objetivos estratégicos e, ao mesmo tempo, valoriza o relacionamento, a transmissão de propósitos, valores e ofertas de soluções com clareza e transparência”, ressalta Bianca.

Porém a comunicação em uma cooperativa não deixa de ser reconhecida como uma batalha e desenvolver estratégias efetivas e alinhadas ao propósito do cooperativismo se torna essencial. De acordo com o Superintendente de Marketing e Produtos da Seguros Unimed, Henrique João Dias, “Os mercados estão cada vez mais competitivos e a intermediação cada vez mais caindo. Para o futuro, é de extrema importância que o cooperativismo se adapte aos modelos digitais, pois o mundo está seguindo e acompanhar essa evolução se torna uma necessidade para quem quer sobreviver”.

Toda cooperativa necessita de um bom planejamento e táticas para uma melhor relação com clientes, fornecedores, parceiros e cooperados. Porém, no caso de cooperativas unidas sob uma mesma marca, o plano precisa também levar em conta uma visão macro, alinhada com as diretrizes nacionais. O objetivo é estar alinhado aos conceitos da marca, fazendo campanhas que passem mensagens boas e criativas que engajem o público-alvo. “O planejamento é essencial, é premissa básica da Comunicação e do Marketing.”, afirma o Diretor Executivo de Comunicação e Marketing Nacional do Sicoob Confederação, Marcelo Vieira.

Diretor Executivo de Comunicação e Marketing Nacional do Sicoob Confederação, Marcelo Vieira.

Entretanto, muito se engana quem acha que uma comunicação externa bem relacionada é a única que importa para o desenvolvimento de uma cooperativa ou organização. A relação interna é essencial!

Na difusão do cooperativismo, o público interno é um dos mais importantes, pois é  ele quem levanta a bandeira da instituição e faz com que os valores cooperativistas estejam presentes no dia a dia das atividades. Por isso, a comunicação com o colaborador é também estratégica. “A comunicação com o cooperado é a principal estratégia. Nosso foco é o cooperado. Todos os nossos produtos, serviços, aplicativos e peças são pensados para atender às demandas do cooperado. Estamos sempre buscando inovação para estar cada vez mais próximo e conectado aos nossos associados.”, descreve Vieira.

O legal do cooperativismo é que seus cooperados e público interno sempre estão deixando claro os valores desse movimento. São pessoas unidas com o mesmo tipo de criatividade e ao invés de pensarem no único, pensam em um todo.

Henrique João Dias

Um exemplo nessa direção é a iniciativa criada pela Central Nacional das Unimeds (CNU) para fortalecer o relacionamento interno. A instituição transformou a sua intranet em uma espécie de “Facebook corporativo”. Agora, as notícias são postadas no espaço e todos os 1.500 colaboradores conseguem compartilhar, curtir e comentar os posts.

“A antiga intranet ficava parada, quase ninguém se interessava. Com essa mudança conseguimos inserir um ambiente de mídias sociais, então todos escrevem, curtem e interagem com as postagens”, explica a gerente de comunicação da CNU, Larissa Errerias.

Níveis da comunicação

Barreiras foram quebradas, redes expandidas, os meios crescem cada vez mais e tornam o fluxo evolutivo mais ágil! O estudioso e também autor famoso que foca em comunicação e liderança, Lee Thayer, estabelece quatro níveis de análise da comunicação que julga ser indispensáveis dentro de toda e qualquer organização. São eles:

Nível intrapessoal: a preocupação maior é o estudo do que se passa dentro do indivíduo enquanto este adquire, processa e consome informações. Esta comunicação vai depender muito da capacidade de cada um, da suscetibilidade e do universo cognitivo do indivíduo.

Nível interpessoal: se analisa a comunicação entre os indivíduos, como as pessoas se afetam mutuamente e, assim, se regulam e controlam uns aos outros.

Nível organizacional: se trata das redes de sistemas de dados e dos fluxos que ligam entre si os membros da organização e esta com o meio ambiente.

Nível tecnológico: o centro de atenção recai na utilização dos equipamentos mecânicos e eletrônicos, nos programas formais para produzir, armazenar, processar, traduzir e distribuir informações.

Nesse aspecto, dentro do cooperativismo, existem três níveis de comunicação que são colocados em prática quando se pensa em expansão. São eles: Local (direcionado para as cooperativas), Regional (direcionado para as centrais) e Sistêmico (direcionado para o nível nacional). Esses níveis formam um planejamento estratégico que permeia todas as ambientações e fazem com que a marca, sendo seu produto, conceito ou objetivo, chegue pra toda a sociedade.

“As cooperativas têm autonomia, mas sempre trabalhamos alinhados com as Centrais e Singulares, para que a comunicação mantenha a linha de discurso, o mesmo tom. As Centrais, as Singulares e, principalmente, a Confederação servem como assessoria consultiva para as cooperativas. Temos um guia que estabelece o fluxo de Comunicação, as boas práticas e damos todas as orientações e apoio para que a comunicação das cooperativas seja cada vez mais eficiente.”, completa Marcelo.

Porém, pouco adianta existir uma comunicação alinhada nacionalmente se as cooperativas não interagirem umas com as outras. É importante lembrar que as trocas de experiências alavancam ideias e expandem conceitos. Esse relacionamento entre as cooperativas é de suma importância visto que cada uma possui criações próprias e originais e esse é um fator que contribui para deixar a comunicação mais padronizada, mesmo que em diferentes tipos de alcance e para públicos diversos.

Marketing é o agora!

O Marketing Digital foi desenhado para ser constante. Organizações que ainda olham para esse conceito como “o futuro” estão, no mínimo, 10 anos atrasadas.

Em uma era digital, é primordial apresentar boas estratégias para se destacar no mercado e isso se relaciona com o básico, como, por exemplo, a construção de um site que represente o DNA da marca e que seja relevante aos usuários.

Tendo essa questão em foco, é importante ressaltar com o que estamos lidando. O universo digital, ao mesmo tempo que pode ser um aliado, pode ser um vilão se não colocado em prática de forma correta. Existem quatro pilares da comunicação digital que podem não ser a verdade absoluta do marketing mas são altamente estratégicos para que a evolução ocorra!  São eles:

  1. Engajamento

A palavra do momento! O foco para se conseguir um retorno maior no engajamento é construir uma relação de comunicação que desperte o interesse do público, porém, mesmo sendo necessário, não é fácil de ser conquistado.

Pensando nisso, é primordial ter um planejamento estratégico de comunicação. O público em si está cada vez mais exigente e, com isso, se torna cada vez mais difícil convencê-lo de que o produto, serviço ou conceito é realmente o que ele precisa. Portanto, além de um bom visual e de um propósito bem estabelecido e apresentado, é preciso investir no conteúdo.

Além disso, é importante que, internamente, as pessoas se identifiquem e entendam a essência da organização. A relação interna e externa, juntas, esboçam um melhor resultado. Olhe de fora e pense “Por que eu gostaria de consumir esse conteúdo”?. Quanto mais certeza da resposta, mais atenção do consumidor!

2. Relacionamento

Um dos principais meios de fazer com que o público se engaje com o seu produto, serviço ou conceito é se relacionando com ele! Bem como com o público interno da organização.

Estrategistas, por exemplo, usam o cotidiano das pessoas para pensar em ações para elas, entendendo o que se passa na cabeça do consumidor e como isso pode ajudar estrategicamente. A relação com o consumidor e com o cooperado é fundamental.

Já se foi o tempo em que enviar um e-mail marketing era se relacionar com o consumidor na web, hoje é necessário uma ambientação muito maior. As redes sociais estão no cotidiano das pessoas, que seguem marcas porque querem falar e ser ouvidas por elas, querem conversar, querem conselhos sobre produtos e serviços, querem se identificar, saber o que há de novo, ler notícias sobre o cenário que essa marca/organização está inserida.

O modelo cooperativista tem um grande aliado quando se fala de relacionamento, pois é um movimento que se importa com as pessoas. Essa é a saída, entender o que as pessoas querem para finalmente fornecer à elas.

3. Conteúdo

O conteúdo deve sempre estar em constante atualização. Nenhum público se relaciona com redes sociais que não possuem um propósito e deixam de compartilhar as novidades. Na era digital, acompanhar o fluxo é uma questão de sobrevivência.

As pessoas, além de uma boa relação, querem bons conteúdos que contribuam em sua vida, seja ela profissional ou pessoal. O objetivo da organização/marca é pesquisar e entender os interesses de seu público-alvo para entregar um conteúdo que gere valor. Afinal, conteúdo é algo que move a internet.

4. Presença Digital

Com a mídia digital cada dia mais fragmentada, as marcas tem que impactar seus públicos com a utilização de diversas ferramentas. No universo digital, os usuários interagem nas redes por um interesse em comum: novidades.

Quanto maior sua presença nesse universo digital, maior interação do público e engajamento. Porém, não se pode deixar esquecer que a relação pessoal ainda é uma grande alavanca que instiga as pessoas.

Por fim, as dinâmicas atuais exigem cada vez mais das organizações e marcas, pois o mundo, quanto mais conectado, mais clama por informação. Se comunicar é essencial, mas além da internet, o contato humano ainda é promissor. Estabelecer boas relações digitais não significa deixar de lado a relação pessoal, o equilíbrio é primordial.


Por Jady Mathias Peroni – Matéria publicada na Revista MundoCoop, edição 92



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