Sustentabilidade e desenvolvimento humano elevam produtividade de zona rural

Publicado em: 13 agosto - 2018

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Após 1,5 ano do início da implantação, já é possível avaliar os dados do estudo que visa a compreender os impactos da prática agrícola do plantio direto (ou plantio na palha) e da agricultura irrigada, dentro de uma perspectiva ambiental, social e econômica, que fundamente o debate técnico com órgãos reguladores e sociedade sobre as regras para a agricultura irrigada.

Trata-se de um projeto desenvolvido pela Associação do Sudoeste Paulista de Irrigantes e Plantio na Palha (ASPIPP), com parceria da Cooperativa Agro Industrial Holambra e BASF, com implantação da Fundação Espaço Eco. Após o pioneirismo de alguns agricultores na década de 80 e da atuação da ASPIPP há 17 anos na região do sudoeste paulista, que incentivaram este modelo de agricultura, resultados em sustentabilidade e no desenvolvimento humano à zona rural já são perceptíveis, pois a região paulista que já foi conhecida como o “ramal da fome”, nas décadas de 1970 e 80, hoje, é mencionada como uma região com excelência em produtividade agrícola.

Muito dessa mazela era devido às condições desfavoráveis para implantação de agricultura, principalmente devido à concentração da chuva em alguns meses do ano e dos veranicos (períodos de inverno em que ocorrem temperaturas elevadas). Depois da adoção das práticas agrícolas de plantio na palha e irrigação, a região possui uma produtividade que chama atenção pelos números: “No caso da soja, por exemplo, na atual safra, estão colhendo mais de 50% acima da média nacional que é de 56 toneladas por hectare”, comenta Tiago Egydio Barreto, consultor em Gestão para a Sustentabilidade da Fundação Espaço Eco.

Como explica o consultor, a região apresenta totais pluviométricos anuais de 1.200 mm a 1.400 mm, volume que não é pouco, mas com padrão de distribuição desfavorável para a agricultura. Para armazenar água a ser aplicada na agricultura via irrigação, são feitos barramentos: “Essa prática ajuda no manejo inteligente dos recursos hídricos para a produção de alimentos, pois, é possível fornecer água para os cultivos ao longo dos veranicos que ocorrem no inverno, que é uma fase crítica para o desenvolvimento das plantas; e o plantio na palha favorece a atividade biológica de micro e macro fauna do solo, o que gera aumento do teor de matéria orgânica, maior disponibilidade de nutrientes e melhor infiltração da água, resultando em práticas que apoiam a conservação do solo e água”.

Fases

Iniciado em 2016, o projeto, a cada ano, avança e resultados positivos foram observados. No primeiro ano, por exemplo, “foi feito diagnóstico da área de estudo, enfocando na compreensão das práticas agrícolas adotadas pelos associados ASPIPP, quais culturas agrícolas são produzidas e o respeito ao Novo Código Florestal. Após, foi feito um estudo para compreender as percepções dos órgãos técnicos e reguladores, dos produtores rurais associados e demais atores sobre a agricultura irrigada, e a proposta deste estudo é que serviu como base para definição de uma comunicação mais assertiva”, rememora Barreto, comentando que os primeiros resultados percebidos foram relacionados à confirmação do uso de boas práticas agrícolas e respeito ao Novo Código Florestal pelos produtores ASPIPP .

A terceira etapa, iniciada em 2018, envolve a realização de estudo de Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) para comparar o impacto ambiental e econômico da agricultura praticada pelos associados ASPIPP com a agricultura tradicional (sem irrigação e sem plantio na palha) realizadas na mesma região, além de estudo da modelagem de diferentes cenários de agricultura e respeito às leis ambientais sobre a conservação do solo e da água, usando ferramentas de geoprocessamento.

“A conservação do solo e água é essencial para continuidade da atividade agrícola. Atualmente, as taxas de erosão aumentam em ordem exponencial e em muitos países, especialmente nos trópicos, há perdas astronômicas de solo por erosão. Em todo o mundo, 11 milhões de km² de terras – área equivalente à dos EUA e à do México – são afetados por altas taxas de erosão. Todos os anos cerca de 75 bilhões de toneladas de solo são perdidos por ser erodido dos ecossistemas terrestres, esta é uma taxa que chega a ser até 40 vezes maior do que a média da formação do solo”, informa o consultor.


Texto Katia Penteado

 



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