Inovação: Um processo que exige criatividade e senso prático

Publicado em: 11 março - 2020

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Fazer de maneira diferente e mais eficiente que seus concorrentes é o que determina o sucesso de uma organização, mesmo competindo entre gigantes

Nestes tempos de evolução em ritmo acelerado e busca incessante por novidades e soluções é preciso, incansavelmente, colocar a mente para trabalhar para encontrar novos meios de se fazer as coisas da maneira o mais eficiente possível.

Esse mundo, que se torna cada vez mais competitivo, exige, além de uma boa estrutura, uma atualização constante em termos de gestão, governança, processos e habilidades profissionais e, no fim, inovar acaba se tornando indispensável. Tendo essa questão em foco, as organizações enxergaram a necessidade de implementar novas táticas para um melhor desenvolvimento do negócio e, assim, surgiram os programas de inovação.

Coordenador do Programa de Inovação para as Cooperativas em todo o Brasil, Thiago Martins. Foto: Divulgação

De modo geral, os programas de inovação foram criados para ser uma “mão na massa”, ou seja, colocar em prática as ideias desenvolvidas para achar soluções criativas para problemas já existentes. “Os programas de inovação foram desenhados e estruturados para desafiar o estado em que as coisas estão, para pensar e agir de uma forma diferente”, afirma o Coordenador do Programa de Inovação para as Cooperativas em todo o Brasil, Thiago Martins.

Portanto é de suma importância que cooperativas e organizações comecem a mexer nesta cultura de dentro pra fora. “É necessário capacitar agentes de ideação e agentes de transformação para que estes, com o conhecimento conceitual equalizado e com diferentes ferramentas possam trabalhar em ações, processos e projetos de inovação que viabilizam o conhecimento em práticas e soluções”, acrescenta Thiago.

As pessoas são o ponto central. Certamente é o ponto principal pelo qual se pode agregar valores à essas inovações. Com isso, a dúvida, que é uma característica intrínseca humana, se difere muito das máquinas que, por sua vez, tem capacidade de processamento de informações muito maior que um ser humano. “Entretanto, é preciso lembrar quem criou as máquinas e que o juízo de valor e a abrasividade, bem como outras questões que superam a dualidade de respostas, ainda não foram substituídos pelas máquinas. Isso é mais presente quando a abordagem é sobre a capacidade de criação.”, completa Martins.

Porém, apesar de ser um assunto cada vez mais pautado, é muito comum que pessoas confundam o termo “inovação” com “invenção”. Inovar é a capacidade, apropriada pelas pessoas de introduzir no mercado um novo produto, processo, método ou modelo de negócio que ainda não exista ou que precisa ser significativamente melhorado e que gera valor. Já a invenção, é definida como uma forma nova de fazer algo. Muitas organizações deixam de aderir à cultura da inovação por acharem que precisam inventar algo que não existe, quando na verdade, o primordial é encontrar soluções para questões já existentes.

Um exemplo dessa questão exercido na prática, e que envolve a vida de todos, são os aplicativos de GPS. “O Waze, é um excelente exemplo. Quando ele entrou no mercado de GPS, cheio de players gigantescos como a Tomtom e a Garmin, líderes da época, decidiu focar em um único problema que nenhum deles estava resolvendo: o trânsito. E isso foi feito. O problema do trânsito foi resolvido e agora o Waze é a maior empresa de GPS do mundo. Tanto que, recentemente, foi vendida por US$ 1 bilhão para o Google”, exemplifica o especialista em inovação eleito uma das 50 mentes mais inovadoras do país pela revista Proxxima, Gustavo Caetano.

Quando o foco é o cooperativismo não é diferente. É possível perceber que o movimento está cada vez mais procurando estabelecer o seu espaço no mundo e, para isso, é evidente a necessidade de adaptação. “As cooperativas precisam se ligar na mudança do mercado e do mundo com muito mais produtividade. Se não acompanharmos esse desenvolvimento, ficaremos para trás. Sustentabilidade para o futuro é o foco”, alega o Diretor do Programa de Inovação Paranaense, Leonardo Boesche.

“Inove ou morra tentando! Não tem opção. Todo mundo tem de aderir a essa cultura, agora, como uma estratégia de sobrevivência. Ou a inovação ocorre, ou o seu negócio tende a terminar em alguns anos, porque possivelmente será substituído por alguém que faz isso melhor, de uma maneira diferente e com um custo mais barato”

Gustavo Caetano em Prêmio Seescop de Gestão

Por conta desse desenvolvimento acelerado, as cooperativas, principalmente de crédito e agrícolas estão em uma busca constante por inovação, visando a melhoria de vida para seus associados e comunidade. “Com o aumento de tecnologia e com a era do compartilhamento, as cooperativas, inclusive as que já desenvolvem ações voltadas à inovação e que possuem  projetos diferenciados precisam criar e fomentar ambientes mais favoráveis à disseminação dessas práticas, mais tolerância ao erro da experimentação e cada vez mais a participação de mais pessoas em ecossistemas e a intercooperação que potencialize seus princípios e práticas junto ao mercado.”, ressalta Thiago. “É a capacidade de pensar de forma empática em como melhorar a vida, e isso por ora é uma característica humana, não tecnológica”.

Porém, antes de pensar em plataformas tecnológicas, parceiros e ferramentas,  é necessário entender e analisar a cultura da cooperativa, na qual envolve as pessoas. A tecnologia é essencial, mas o primordial é a relação das pessoas com a inovação, pois é ai que o modelo cooperativista se diferencia do senso comum da cultura tecnológica.

Essa cultura tem a ver com processos e com a necessidade de estar atento às oportunidades de melhoria, por isso não depende somente de uma área específica, mas de pessoas. Todas as pessoas. É preciso capacitar, organizar, sistematizar e ter agentes de inovação dentro das cooperativas. Entretanto, tudo começa com a liderança. Líderes precisam ser capacitados para que se tornem facilitadores e apoiadores da inovação dentro das organizações. “Nem mesmo a mais poderosa ferramenta ou o último software com a tecnologia mais robusta irá resolver os dilemas da inovação se não tivermos líderes capacitados a liderar pessoas em ambientes inovadores. A mudança inicial é pelo modelo mental e pelas atitudes”, enfatiza Thiago.

Não existe um negócio inovador que nasceu de uma ideia genial e sempre com tudo a seu favor. Porém, um dos pontos de suma importância nessa questão é não deixar de tentar. Não é humanamente possível ter todo conhecimento do mundo, porém é importante ter foco para se conquistar objetivos. “O importante é ter a “cabeça aberta” para a experimentação, observar, ampliar sua rede de contatos, associar o que antes parecia ser contrário e questionar. Boas perguntas geram respostas melhores ainda! O Brasil é rico em sua miscigenação, temos culturas riquíssimas e diversidade que nos proporciona trabalhar com pessoas que possuem skills (habilidades) diferentes umas das outras.  Há complementaridade! E isso é um fator fundamental para evolução”, completa Thiago.

É urgente e vital trazer a cultura do teste, da execução, tirar da cabeça a ideia de que inovação vem de alguma habilidade ou especialidade, pois não adianta ter ideias brilhantes se não conseguir colocá-las em prática. Transformar visões e obter sucesso requer planejamento, porém nada pode ficar apenas na teoria.

Inovar é fazer algo diferente, mas é uma metodologia. Se não conhecermos ou estruturarmos um canal de inovação específico, corremos um risco grande de não acompanhar as evoluções. Sobrevive hoje quem é mais ágil.

Diretor do Programa de Inovação Paranaense, Leonardo Boesche. Foto: Divulgação

“Inicialmente, o processo começa em analisar o perfil/personalidade dos cooperados e identificar em qual grupo se encaixam: Inovador, que é formado por pessoas que tem ideias; Transformador, que é formado por pessoas que conseguem colocar essas ideias em prática. O primordial foi desenvolver uma grade e estruturar uma área de transformação”, explica  Boesche sobre como ocorre o processo dos programas. Portanto, o objetivo principal é fortalecer a competência das pessoas e fomentar o trabalho colaborativo entre elas, tudo para promover uma compreensão sistêmica da gestão de inovação e criação de um programa específico para cada cooperativa de acordo com sua identidade.

Porém, além do desenvolvimento interno das cooperativas, é extremamente necessário que exista uma relação de intercooperação, pois apesar de cada cooperativa exercer seus métodos, uma grade colaborativa estabelece uma melhor comunicação e um melhor desenvolvimento coletivo de ideias.

“Inovação é rede. Uma pessoa isolada produz até determinado ponto, porém, as ideias se multiplicam em grupo”

Leonardo Boesche

O cooperativismo, por si só, é um conceito inovador, porém, ainda possui ambientes mais tradicionais e lineares. E não pensem que está errado, mas a metodologia potencializa e faz com que as pessoas tenham uma consciência maior sobre onde e quando mudar.

Portanto a pergunta crucial para ocorrer uma transformação cultural dentro de uma cooperativa e/ou organização e, assim, estimular seus cooperados é: Quais soluções podemos criar?

O cooperativismo, bem como as organizações em geral, afloram com a união de pessoas ou grupos a fim de um objetivo em comum: evoluir. Com isso, a inovação deixou de ser uma tendência para se tornar uma necessidade.


Por Jady Mathias Peroni – Matéria publicada na Revista MundoCoop, edição 92



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