Vamos financiar o Brasil

Publicado em: 17 outubro - 2018

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Preocupadas com a situação econômica do Brasil, instituições do Sistema Nacional de Fomento querem ampliar a participação no desenvolvimento nacional

Frente a um cenário econômico cada vez mais desafiador, e sem grandes expectativas dos especialistas para mudanças rápidas, é fundamental investir em certas soluções. O Brasil já tem um sistema de fomento consolidado há quase 50 anos, formado pela ABDE (Associação Brasileira de Desenvolvimento), com participação da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), mas que poderia ser melhor utilizado pelos governantes.

Essa é a opinião de Marco Aurélio Crocco Afonso, presidente da ABDE. Ele reforça que o sistema tem participação decisiva para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, por meio do financiamento de longo prazo, para alavancar o investimento, contribuindo para o aumento da produtividade. “Por isso, pretendemos ampliar nossa participação, aumentando a taxa de investimento dos atuais 15% para, pelo menos, 25% do PIB”, comenta.

Marco Aurélio Crocco, da ABDE: os profissionais das instituições que compõem o SNF se empenharão para contribuir no planejamento e execução de políticas públicas para a retomada do desenvolvimento do Brasil

A ABDE tem como missão contribuir para o desenvolvimento sustentável do Brasil. Seus 31 associados – bancos públicos federais, bancos de desenvolvimento controlados por estados da federação, bancos cooperativos, bancos públicos comerciais estaduais com carteira de desenvolvimento e agências de fomento – respondem por mais de 78,7% dos financiamentos produtivos do País. Então, olhar para o segmento com um pouco mais de interesse pode colaborar para que o próximo governo caminhe para a retomada do desenvolvimento e o crescimento continuado. Essa é a expectativa dos participantes do SNF, o Sistema Nacional de Fomento.

Tanto que no mês de agosto, a associação realizou um encontro entre os assessores econômicos dos candidatos à Presidência da República e apresentou a eles sua posição e suas demandas com o intuito de auxiliar na melhoria da qualidade de vida e na geração de mais e melhores empregos. “As eleições de outubro podem ser consideradas um marco decisivo para o futuro do Brasil e a equipe do novo governo terá enormes desafios para reencontrar o rumo do desenvolvimento a partir de 2019”, diz Crocco, que enfatiza: “Após dois anos recessivos e um pequeno crescimento de 1% do PIB em 2017, é provável haver um melhor desempenho econômico em 2018. Mas os cenários que se desenham oscilam entre a continuidade do quadro de estagnação, com insuficiente recuperação da economia, e a retomada do crescimento”.

No manifesto para os presidenciáveis, a associação deixou claro que, independentemente do que ocorra no próximo ano, o SNF desempenhará papel crucial. “Em consonância com o projeto político escolhido, os profissionais das instituições que compõem o sistema se empenharão para contribuir, com toda sua competência e experiência, no planejamento e execução de políticas públicas à tão esperada retomada do desenvolvimento em bases sustentáveis”, ressalta o presidente.

Ele comenta, ainda, que por parte do SNF as ações estão acontecendo. Em 2015, foi elaborado o primeiro Planejamento Estratégico do Sistema, sob os pilares do relacionamento, da integração, da governança, da sustentabilidade financeira e do incentivo ao desenvolvimento, e as ações estratégicas implementadas já geram resultados. “Temos um instrumento para orientar políticas de gestão de pessoas nas instituições – a Matriz por Competência –, um estudo tributário e uma estratégia fiscal. Há, ainda, a maturidade das comissões temáticas, profissionais formados em temas aderentes à realidade de suas instituições e meios de comunicação contemporâneos para dar voz a essas iniciativas e à atuação das 31 instituições financeiras de desenvolvimento.”

Resultados estratégicos

Esse trabalho trouxe importante suporte da ABDE às associadas e agregou parceiros estratégicos como a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), possibilitando a implementação do Laboratório de Inovação Financeira (Lab), um fórum de discussão intersetorial com quatro grupos de trabalho – Títulos Verdes, Finanças Verdes, Instrumentos Financeiros e Investimentos de Impacto e Fintechs. Além disso, colaborou para consolidar parcerias com outros organismos internacionais, como o CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina), AFD (Agência Francesa de Desenvolvimento) e Alide (Associação Latino-Americana de Instituições Financeiras para o Desenvolvimento), e realizar trabalhos conjuntos com a OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), o Conselho Federal de Economia e o Ipea (Instituto de Pesquisas Aplicadas).

Os bancos cooperativos são fundamentais, pela atuação local significativa e em regiões onde não há a presença tão forte de grandes instituições bancárias

A parceria com a OCB veio em função dos associados da ABDE. Fazem parte da associação importantes instituições: Banco Sicredi, Sicoob (Bancoob) e Cresol Confederação. “As bases do sistema cooperativo têm total aderência aos nossos propósitos. Com isso, essas instituições têm uma participação relevante em todas as atividades e contribuem de forma decisiva para o desenvolvimento regional”, comenta Crocco, reforçando que os bancos cooperativos são fundamentais, pela atuação local significativa e em regiões onde não há a presença tão forte de grandes instituições bancárias. “Além disso, não podemos deixar de destacar o papel deles no financiamento à agricultura, familiar e/ou cooperativa, e em negócios locais.”



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