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NOS HOLOFOTES DO MUNDO

Elinor OstromPRÊMIO NOBEL

Vencedora do Prêmio Nobel em Ciências Econômicas defende que os recursos naturais podem ser protegidos por meio de uma gestão cooperada, sem a necessidade de intervenção governamental
ou da Justiça. 

Os estudos sobre o uso cooperativo de bens comuns realizados pela cientista política e professora universitária estadunidense Elinor Ostrom fizeram com que ela se tornasse a primeira mulher a ser laureada com o Prêmio Nobel em Ciências Econômicas. O prêmio de US$ 1,4 milhão, criado em 1969, foi repartido com o professor Oliver E. Williamson, que tem uma linha de pesquisa semelhante.

De acordo com a Academia Real de Ciências da Suécia, responsável pelo Nobel, a pesquisadora estadunidense demonstrou como as propriedades comuns podem ser geridas com sucesso por associações de usuários. Seu trabalho descreveu a formação de uma relação sustentável entre o ser humano e os ecossistemas, por meio de arranjos institucionais desenvolvidos ao longo dos anos.

O grande diferencial de Elinor foi desafiar a teoria tradicional da “tragédia dos comuns”, uma espécie de armadilha social, frequentemente econômica, que envolve um conflito entre interesses individuais e o bem comum no uso de recursos finitos. Ela declara que o livre acesso e a demanda irrestrita pelas propriedades comuns e recursos finitos termina por condenar estruturalmente o recurso por conta de sua superexploração, uma vez que as pessoas de negócios visam apenas os lucros ao tomar decisões que têm impacto sobre os bens e os direitos públicos. Com isso, para a teoria tradicional, é necessário que o governo imponha impostos ou taxas para reduzir os custos sociais dos investimentos privados.

O trabalho da professora Elinor não corrobora com essas ideias e evidencia que os recursos naturais são protegidos sem a necessidade de intervenção governamental ou da Justiça. Ela demonstrou que a administração comum dos recursos naturais levou a resultados muito mais satisfatórios do que os previstos pela teoria tradicional, principalmente quando a própria sociedade se encarregou de estabelecer regras para a gestão dos recursos.

GESTÃO SUSTENTÁVEL

Formada em ciências políticas pela Universidade da Califórnia em Los Angeles e professora da Universidade de Indiana, Elinor Ostrom é considerada um dos maiores nomes no estudo da “base comum de recursos” (common pool resources, ou CRP). Ela afirma que “propriedade comum” e/ou “regime de propriedade comum” referem-se aos arranjos de direitos de propriedade nos quais grupos de usuários dividem direitos e responsabilidades sobre os recursos. Para Ostrom, o termo “propriedade” está relacionado a instituições sociais e não a qualidades naturais ou físicas inerentes aos recursos.

Em particular, o trabalho de Ostrom enfatiza como os seres humanos interagem com os ecossistemas para manter os rendimentos dos recursos sustentáveis em longo prazo. CPR incluem cooperativas de pescaria, florestas, campos de petróleo, pastagens e sistemas de irrigação.

O trabalho de Ostrom analisa como as sociedades desenvolveram diversos mecanismos institucionais para a gestão dos recursos naturais e evitaram o colapso dos ecossistemas em muitos casos, apesar de alguns acordos não terem conseguido evitar o esgotamento dos recursos. O trabalho atual dela enfatiza a natureza multifacetada da interação ser humano- ecossistema, e argumenta contra qualquer panaceia para os problemas de sistema social-ecológico individual.

 

Última atualização ( Qua, 27 de Janeiro de 2010 01:37 )  

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