Economia Compartilhada


Gestão


Um movimento duradouro, abrangente e revolucionário, com bases Social, com destaque para o aumento da densidade populacional, avanço para a Sustentabilidade, desejo de comunidade e abordagem mais altruísta; Econômico, focado em monetização do estoque em excesso ou ocioso, aumento da flexibilidade financeira, preferência por acesso ao invés de aquisição, e abundância de capital de risco; e Tecnológico, beneficiado pelas redes sociais, dispositivos e plataformas móveis, além de sistemas de pagamento. Parece definição de cooperativismo? Mas não é. Este é o conceito de Economia Colaborativa, que continuamente ganha espaço e conquista mais e mais adeptos.

Observando esses três pilares da Economia Colaborativa, “pode-se dizer que o Cooperativismo, desde que nasceu, tem como base a prática da colaboratividade há, pelo menos, dois séculos. Pautado na união de pessoas, o movimento cooperativo promove o progresso socioeconômico dos cooperados, dos seus familiares e das suas comunidades. No modelo cooperativista, as decisões são tomadas coletivamente e os resultados obtidos são distribuídos de forma justa e igualitária, na proporção da participação de cada membro. Cooperativismo é, portanto, sustentabilidade e resultados efetivos para todos, sempre buscando construir de forma colaborativa um mundo melhor”, compara Jairo Martins, presidente executivo da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ).

Serviços de transporte, hospedagem, mídias sociais e serviços de internet, software e armazenamento em nuvem, robótica, saúde, pagamentos online e financiamentos, todas iniciativas com forte base tecnológica, cujos empreendedores pertencem à chamada “geração em rede”, ou seja, “os nativos digitais”, que não têm medo da internet, são os setores que mais se desenvolvem, afinal, garantem os especialistas como Martins, “na era da internet, a Economia Colaborativa é fruto da busca do equilíbrio econômico, e não mais do poder econômico”.

Enquanto o conceito de Economia Compartilhada ou Economia Colaborativa consiste em “ecossistema econômico sustentável, construído em torno da partilha de recursos humanos, serviços e produtos, incluindo a criação, produção, distribuição, comércio compartilhado e consumo por pessoas e negócios focados nas pessoas, Mercado Colaborativo é ambiente onde a Economia Colaborativa se desenvolve, sendo constituído de prestadores de serviços, provedores de plataformas e usuários e consumidores”, resume Jairo Martins.

Para ele, “no coração do Mercado Colaborativo está a Economia Compartilhada, que se resume em uma nova modalidade de negócios, monetizados ou não, movidos por fatores tecnológicos, econômicos e sociais. Nesse novo formato, as atividades são facilitadas por plataformas digitais que criam um mercado aberto para o uso temporário de bens ou serviços fornecidos por particulares ou empresas”.

Internet: a causa

A revolução da internet foi responsável pela ascensão dos negócios colaborativos e compartilhados, que surgem como resposta à crise econômica global, à escassez de recursos do planeta e aos níveis persistentes de desemprego no mundo.

Por isso, essa nova economia veio para ficar e pode se tornar uma terceira via socioeconômica, ou como prefere Martins: “A expectativa é que esse modelo de negócio cresça a contribua para ampliar o acesso a produtos e serviços competitivos e alinhados ás reais necessidades das pessoas”.

Três tipos de atores se sobressaem nesse cenário: Prestadores de Serviços (bens, recursos, tempo ou habilidades); Usuários e Consumidores (que tendo acesso à internet usufruem dos serviços e produtos compartilhados); e Provedores de Plataformas, que conectam os Usuários e Consumidores aos Prestadores de Serviços. “Pesquisar o mercado para identificar onde estão realmente as necessidades da população é o primeiro passo”, recomenda, lembrando que os benefícios são de ordem econômica, social e ambiental e “devem ser encarados de forma equilibrada, pois são interdependentes”.

Startups: fase de maturidade

Nesse ecossistema, as startups se destacam e, em função da própria evolução, somam cases de sucesso e fracasso para se espelhar, experiência e programas de incentivo, desta forma, as startups estão mais maduras e desenvolvidas, bem como os empreendedores, comenta Rafael Ribeiro, diretor executivo da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), para quem “a evolução do mercado é percebida pelo interesse de aproximação cada vez maior por diversos players como o Governo, as instituições privadas e até mesmo a imprensa”.

Os problemas existem, e – garante Ribeiro – são relacionados a pessoas. “Desde sua concepção em que os sócios têm um projeto não tão claro e com seu desenvolvimento os ideais deixam de ser os mesmos e surgem diversidades que podem desfazer a sociedade até o momento de contratar novos funcionários, num momento em que você não pode pagar altos salários mas necessita de grande dedicação e experiência. Além disso, a burocracia envolvida em todas as etapas de uma empresa são fantasmas para qualquer empreendedor”, reflete o presidente da ABStartups.

Desgaste do modelo tradicional

O modelo tradicional, na visão do presidente da FNQ, teve sucesso, mas levou às diferenças abissais entre nações, e, por isso, “é um modelo que não se sustenta mais”. A Economia Compartilhada, por sua vez, apresenta propostas que corrigem basicamente o modelo anterior. Apesar dos benefícios do novo conceito (vide box), Martins pede cautela, pois “os riscos são inerentes a qualquer empreendimento novo e podem ser mitigados por meio de uma gestão sistêmica, que respeite todas as partes interessadas. Privilegiar o lucro em detrimento da qualidade é o maior risco”.

No entanto, um dos desafios do mercado de compartilhamento são as legislações locais sobre direitos e obrigações, que ainda não contemplam a atuação das iniciativas globais nos países. O mundo está sendo reinventado e isso gera um certo desconforto. Também é preciso tratar as inconformidades da legislação trabalhista, segurança e qualidade dos serviços prestados, por meio de medidas de consensos, mais próximas da realidade do consumidor.

A Economia Compartilhada – para o presidente da FNQ – será um grande divisor de águas no modo de fazer negócios no mundo. “Quem encarar as mudanças de forma estratégica e inovativa terá um leque de oportunidades a explorar”, comenta Martins, citando que os números já demonstram que as receitas com a Economia Colaborativa estão crescendo substancialmente, já movimentando dezenas de bilhões de dólares ao ano.



Publicidade