Castro é capital nacional do leite, mas desempenho é digno de título mundial

Publicado em: 10 janeiro - 2018

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Castro é capital nacional do leite, mas desempenho é digno de título mundial (Foto: Divulgação)

Castro é capital nacional do leite, mas desempenho é digno de título mundial (Foto: Divulgação)

Com produção de 255 milhões de litros de leite por ano, e qualidade que rivaliza com as melhores fazendas da Europa e dos Estados Unidos, o município de Castro, nos Campos Gerais do Paraná, foi declarado oficialmente Capital Nacional do Leite.

Decreto – O decreto do Congresso Nacional foi sancionado pelo presidente Michel Temer no dia 26 e saiu no Diário Oficial da União desta quarta-feira, 27 de dezembro de 2017. A Lei 13.585 é uma iniciativa do deputado federal Osmar Serraglio, proposta em 2012.

Agregação de valor – O presidente da Cooperativa Castrolanda, Frans Borg, diz que a lei ajudará a agregar valor à matéria-prima da região dos Campos Gerais e é “um incentivo ao produtor de leite que vê sua atividade valorizada e reconhecida”.

Produção e qualidade – Segundo o IBGE, Castro é o município brasileiro que mais produz leite no país, tendo atingido 255 milhões de litros em 2016. O que orgulha mais os produtores, no entanto, é a qualidade da matéria-prima produzida na bacia leiteira que inclui ainda os municípios de Arapoti e Carambeí.

Exigências – “Com certeza, 100% do leite da região atende as exigências de qualidade do Ministério da Agricultura. Em relação às células somáticas, por exemplo (que indicam inflamação do úbere das vacas), o leite de Castro tem contagem abaixo de 300 mil por mililitro. Isso é bem menos do que o máximo permitido nos Estados Unidos, de 750 mil, e do que na Europa, de 400 mil”, certifica Altair Valoto, superintendente da Associação Paranaense dos Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (APCBRH). Valoto destaca, ainda, que o leite dos Campos Gerais alcança excelência nos parâmetros desejados pela indústria para produção de iogurtes e queijos, atingindo índices de pelo menos 3% de gordura e 2,9% de proteína.

Tradição preservada – O que explica a qualidade do leite produzido em Castro, em grande parte, é a tradição dos colonos europeus que começaram a se estabelecer na região há cem anos e receberam reforço de novos imigrantes “leiteiros” após a Segunda Guerra Mundial. “Na Holanda, fraude de leite não existe. Assim como na Índia a vaca é sagrada, na Holanda o leite é sagrado”, revelou à Gazeta do Povo o estudioso da história holandesa nos Campos Gerais, Peter Bosch, por ocasião do centenário da imigração, em 2010.

Pagamento diferenciado – Altair Valoto, da APCBRH, aponta um outro motivo para as virtudes do leite de Castro e região: “a Castrolanda foi pioneira no país ao implantar o pagamento pela qualidade do leite, em 1995. Esse foi um grande diferencial, porque incentiva e recompensa o produto de qualidade”. Na prática, o leite com maior percentual de gordura e proteínas, e menor contagem bacteriana e de células somáticas, pode colocar no bolso do produtor até 24 centavos de real a mais, em cada litro de leite padrão, cotado hoje pela indústria a R$ 0,98.

Captação – O leite produzido pelos cooperados da Castrolanda é captado pelo Pool Leite, associação de 800 produtores que congrega sete cooperativas (Frísia, Castrolanda, Capal, Bom Jesus, Coamig, Witmarsum e Agrária).

Agroleite – Informalmente, Castro já era conhecida como Capital Nacional do Leite, e realiza, todos os anos, a Agroleite, considerada a vitrine tecnológica do setor, que faturou R$ 45 milhões em 2016.

Entrevista – Confira abaixo a entrevista com o presidente da Castrolanda, Frans Borg, após o reconhecimento oficial de Castro como a Capital Nacional do Leite.

Como a Castrolanda recebe a notícia de que Castro é, oficialmente, a Capital Nacional do Leite?

Em 2012 o Deputado Federal Osmar Serraglio apresentou projeto na Câmara dos Deputados para conferir a Castro o título de Capital Nacional do Leite. Em 2015, após trâmite na Câmara, sua redação final foi aprovada e o projeto remetido ao Senado Federal. Hoje, é com grande satisfação que recebemos a notícia da lei sancionada. A lei é um reconhecimento ao trabalho desenvolvido por nossos produtores que, com muita dedicação, atingem elevados índices de produção por animal. A última pesquisa divulgada pelo IBGE, realizada em 2016, destaca Castro na liderança da produção por Municípios com a marca de 255 milhões de litros de leite no ano de 2016. Esse alto índice só é possível porque os produtores têm compromisso com a atividade que desenvolvem, porque atendem as normas de controle sanitário, investem em tecnologia, melhoramento genético de seus rebanhos e na profissionalização de suas propriedades. Essa é uma conquista de todos os pecuaristas de Castro.

Que indicadores de qualidade e produção fazem jus à concessão do título?

Os cooperados da Castrolanda têm o leite captado por uma entidade denominada de Pool Leite. Com o objetivo de assegurar a qualidade e os requisitos mínimos para o recebimento do leite, todos os produtores do Pool Leite devem garantir o atendimento aos padrões e exigências da legislação vigente no que tange ao controle sanitário e ao bem-estar animal. A cooperativa possui uma grande e constante preocupação com controle sanitário, principalmente no tocante a raiva, brucelose, tuberculose e febre aftosa. As propriedades já realizavam exames para controle da brucelose e tuberculose, mesmo antes do programa nacional ser lançado. Além disso, o sistema de pagamento do leite do Pool considera volume e qualidade e os produtores recebem orientação e acompanhamento para tornarem-se mais competitivos e aumentarem a sua produtividade com foco na qualidade e volume produzido. Para compor o pagamento por qualidade são realizadas as coletas de amostras de qualidade e composição semanalmente em cada tanque de resfriamento de leite dos produtores, totalizando quatro coletas de amostras mensais. As amostras são encaminhadas para um laboratório credenciado pelo Ministério da Agricultura e integrante da Rede Brasileira de Laboratórios de Controle de Qualidade de Leite. O preço pago ao produtor considera, entre outros itens, o valor unitário fixo pago por litro de leite, o volume entregue, contagem de células somáticas, e níveis de gordura e proteína.

Para onde vai o leite produzido na região?

O leite produzido pelos cooperados da Castrolanda é captado pelo Pool Leite, entidade de produtores de leite que congrega hoje sete cooperativas (Frísia, Castrolanda, Capal, Bom Jesus, Coamig, Witmarsum e Agrária) e é gerenciado por três delas: Frísia, Castrolanda e Capal. O Pool Leite não beneficia ou comercializa o leite captado nas propriedades que fazem parte do sistema. Esse leite é entregue nas Usinas de Beneficiamento de Leite geridas pela Intercooperação entre as cooperativas Frísia, Castrolanda e Capal, localizadas em Castro e Ponta Grossa no Estado do Paraná, e de Itapetininga em São Paulo, que industrializam e comercializam o leite. A matéria prima se transforma em leites UHT–marcas próprias e de terceiros; Leite Condensado, Creme de Leite, Achocolatados e Bebidas Sabor Morango.

O reconhecimento deve ajudar a destacar a diferenciação de qualidade do produto local?

Acreditamos que esse reconhecimento vai somar com várias de nossas estratégias. Realizamos anualmente o evento Agroleite, considerado a vitrine da tecnologia do leite no Brasil. É um evento destinado especificamente ao leite, sua cadeia produtiva e os elos que a compõe, com foco totalmente voltado à geração de conhecimento. Além disso, sermos legalmente a Capital Nacional do Leite agrega valor à nossa matéria-prima e, consequentemente, isso se reflete nos produtos que industrializamos. A lei também é um incentivo ao produtor de leite que vê sua atividade valorizada e reconhecida. (Gazeta do Povo)



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