Cooperativismo paulista debate caminhos para a geração de energias renováveis

Publicado em: 27 novembro - 2017

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Atentos às oportunidades que surgem com a geração de energias renováveis, representantes de cooperativas de diferentes setores, além de pessoas interessadas no assunto, reuniram-se em 22 de novembro, no Fórum de Energias Renováveis promovido pelo Sescoop/SP. Os cerca de 80 participantes do evento acompanharam painéis sobre legislação e regulação do setor elétrico, experiências de sucesso de cooperativas e comparativo entre os cenários da energia renovável na Alemanha e no Brasil.

Na abertura do Fórum, Edivaldo Del Grande, presidente do Sistema Ocesp, ressaltou que o cooperativismo pode contribuir para criar soluções para os grandes desafios energéticos do País. “O tema do Fórum é extremamente relevante. Sugiro que todas as cooperativas procurem saber mais sobre a viabilidade de produzir a própria energia. Acredito que esse fórum seja um ponto de partida para um caminho muito promissor”, ressaltou.

Para Marco Olívio Morato, analista de mercados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), a produção de energia, por ser um dos grandes gargalos do Brasil, traz boas oportunidades para o cooperativismo. “A energia elétrica deve se manter muito cara nos próximos anos. O cooperativismo pode ser o caminho ideal para organizar a sociedade em busca de novas soluções, mais limpas e sustentáveis. Produzir energia é uma possibilidade viável de reduzir a conta de energia. Já temos alguns exemplos promissores no Brasil e podemos aprender também com experiências de outros países”, explicou.

A coordenadora de Gestão e Desenvolvimento de Cooperativas do Sescoop/SP, Lajyárea Duarte, enfatizou que a instituição acompanha com atenção o tema. “Nossa equipe está à disposição para estudarmos juntos os melhores caminhos. Foi um primeiro evento, que trouxe muitas possibilidades interessantes”, disse.

Regulação do setor – O debate sobre ambiente regulatório contou com a participação de Leonardo Góes, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Edmilson Ferreira da Silva, da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), e Morato, da OCB. O representante da Aneel destacou as formas de Geração Distribuída, nas quais o consumidor pode gerar sua própria energia elétrica a partir de fontes renováveis ou cogeração qualificada e inclusive fornecer o excedente para a rede de distribuição de sua localidade. Esse modelo abre espaço para a constituição de cooperativas. (Saiba mais sobre o modelo). Uma visão geral sobre os trâmites para a comercialização de energia foi apresentada pelo representante da CCEE. A instituição é responsável por viabilizar as atividades de compra e venda de energia em todo o País, além da contabilização e registro dos contratos.

Casos de cooperativas Experiências de duas cooperativas também foram apresentadas. Rafael Vale, apresentou o case da Coober, do Pará, a primeira cooperativa dedicada a energias renováveis registrada no Sistema OCB. Com atuação desde agosto de 2016, é formada por 23 cooperados-consumidores e possui uma micro-usina com 288 placas fotovoltaicas que possuem capacidade de produção média de 11.550 KW/h por mês. “Escolhemos o cooperativismo pois acreditamos que é o melhor modelo para reunir as pessoas por objetivos econômicos comuns”, enfatizou.

O outro case apresentado foi da Cooperativa dos Plantadores de Cana do  Oeste do Estado de São Paulo (Copercana), com sede em Sertãozinho (SP). Tiago Zampronio, da área de Controladoria, mostrou que a cooperativa passou a adquirir energia no mercado livre, conseguindo economizar recursos. “Em sete unidades da Copercana já estamos adquirindo energia produzida a partir da fonte de biomassa. Temos contrato com uma usina de açúcar e álcool. Em maio, recebemos o Selo Energia Verde, oferecido pela Única e a CCEE”, conta.

Autoridade e líderes de outros Estados – O Fórum contou com a participação do subsecretário de Energias Renováveis, Antonio Celso de Abreu Jr., que representou o secretário de Energia e Mineração do Estado de São Paulo, João Carlos Meirelles. Também estiveram presentes na mesa inicial o presidente da OCB/GO, Joaquim Guilherme, e o diretor do ramo Infraestrutura da Ocesp, Danilo Roque Pasin, que também é presidente da Federação das Cooperativas de Eletrificação Rural do Estado de São Paulo (Fecoeresp). Também participou do evento o superintendente da OCB/MA, Marlon Aguiar.

 Na Alemanha, mais de 800 cooperativas atuam na geração de energias renováveis

No Fórum de Energias Renováveis promovido pelo Sescoop/SP também foi apresentado um comparativo entre a geração de energias renováveis no Brasil e na Alemanha, com foco na atuação das cooperativas. O debate contou com a participação de Anna Malka Campiani Gimenez, mestre em Gerenciamento de Recursos Ambientais pela Universidade Livre de Amsterdam (Vrije Universiteit Amsterdam), e Camilla Japp, representante da Confederação Alemã das Cooperativas (DGRV).

Ana Gimenez ressaltou o importante papel das cooperativas no desenvolvimento de fontes renováveis nos últimos 10 anos. Atualmente, mais de 800 cooperativas atuam no País, reunindo mais de 180 mil cooperados. O estudo comparativo da pesquisadora ressaltou que na Alemanha alguns fatores foram determinantes para esse protagonismo das cooperativas. “Foi criada uma política com subsídios, que garantiu preços mínimos para a geração de energia. É importante destacar também que existe um ativismo energético, que luta pela substituição da matriz de energia nuclear e, também, um background importante de confiança no cooperativismo”, explica Ana.

Para a pesquisadora, por conta do modelo altamente centralizado de geração de energia no Brasil, esse tema ainda está distante do brasileiro. Além disso, o cooperativismo também ainda não faz parte do dia a dia da maior parte dos cidadãos. “Nossa população ainda precisa aprender mais sobre os dois temas. Precisamos desenvolver um pensamento de longo prazo, acreditar mais no planejamento”, considera.
A representante da DGRV, que atua em projetos de cooperação internacional em diversos países da América Latina, adiantou que a instituição trabalha na produção de um guia sobre constituição de cooperativas de energia renovável. “Devemos disponibilizar o guia gratuitamente em breve”, adianta. “Acredito que haverá um importante crescimento das cooperativas desse segmento no Brasil. Em um primeiro momento, o público ligado a cooperativas de outros setores poderia ser o foco de nosso esforço, pois já sabem que as cooperativas são confiáveis”, prevê Camilla.



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