Escola busca inspiração na Alemanha


OCB


Impulsionadas pelo crescimento recente e o fortalecimento da regulamentação, as cooperativas têm investido cada vez mais na formação de seus quadros profissionais e na modernização da gestão, sob a inspiração do cooperativismo alemão.

Localizada em Porto Alegre, a Faculdade de Tecnologia do Cooperativismo (Escoop), ligada ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop Nacional), é um exemplo do que se passa nessa área na última década. “A Escoop é pioneira, somos a primeira faculdade de cooperativismo do sistema “S” e a primeira especializada em cooperativismo da América do Sul, voltada para formar os profissionais ligados às cooperativas”, diz Derli Schmidt, diretor-geral da Escoop. “Focamos na doutrina cooperativista, no marco legal e questões relativas à gestão financeira, de recursos humanos, auditoria e vivências, incluindo viagens para conhecer experiências práticas no exterior”.

A inspiração para a estruturação da Escoop veio da Alemanha, onde existem nove escolas de gestão cooperativista e o peso econômico das cooperativas é bem maior que no Brasil. Desde 2013, a escola das cooperativa formou 80 alunos de graduação, 294 de pós-graduação e 3,3 mil em seus programas de extensão, incluídos treinamentos nas sedes das cooperativas.

Especialista em cooperativas de crédito, Myrian Lundi, professora FGV-RJ, estuda há anos o segmento. “Os problemas mais frequentes na gestão das cooperativas têm a ver com a governança. Muitas vezes a escolha dos conselheiros e diretores não passa por uma avaliação prévia da capacitação das pessoas escolhidas”, diz Myrian. “Além de conhecimentos específicos da área de atuação da cooperativa, é preciso ensinar os princípios de gestão a esses executivos e conselheiros”.

Para Myrian, durante os cursos de gestão, é preciso começar ensinando as raízes dos princípios do cooperativismo, que seriam, segundo ela, um contraponto ao capitalismo strictu sensu. Além disso, seria preciso definir uma gestão mais profissional. E, finalmente, conhecer o mercado onde atua a cooperativa. “Normalmente, as cooperativas começam pela iniciativa de lideranças, que acabam se perpetuando nos cargos”.

Muitas vezes, o estímulo para a modernização da gestão vem de fora, em particular no caso das cooperativas de crédito e daquelas ligadas a serviços de saúde. “De uns cinco anos para cá, o Banco Central tomou para si a tarefa de regular melhor as cooperativas, criando regras para a governança cooperativa e um manual específico, exigindo formação superior, qualificação para a indicação dos quadros de direção e, desde o início de 2017, o planejamento sucessório, que também é um ponto crítico na gestão das cooperativas”, diz Myrian. No caso do setor de saúde, a pressão em prol da modernização vem da Agência Nacional de Saúde (ANS).

Outra iniciativa apontada pelos especialistas é o programa para o desenvolvimento da gestão e governança das cooperativas, criado em 2013 pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), com foco na autogestão. “Além do programa de incentivo, criamos uma premiação específica para estimular o desenvolvimento da gestão”, diz Susan Miyashita Vilela, gerente de desenvolvimento da gestão das cooperativas da OCB. “A premiação acontece a cada dois anos, mas as cooperativas realizam autoavaliações anuais, implantando melhorias de gestão e avaliando esse processo”, diz Susan.

No dia 21 de novembro, por meio de uma parceria da OCB e Fundação Nacional de Qualidade (FNQ), 41 cooperativas foram premiadas – dentre as 1,2 mil que aderiram ao programa de desenvolvimento da gestão (até dezembro de 2016), de um universo de 6,6 mil cooperativas que compõem a OCB nacional. Neste ano, dentre as premiadas, os destaques foram para a Unimed BH e a paranaense C.Vale. “Percebemos que as cooperativas de crédito e as operadoras de saúde são as que mais têm aderido ao programa, por serem segmentos regulamentados”, diz Susan.



Publicidade