Fórum debate compartilhamento de soluções tecnológicas

Publicado em: 30 outubro - 2018

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Debater os avanços da transformação digital e o compartilhamento de soluções tecnológicas para as cooperativas. Com essa proposta, o Sistema OCB, em parceria com a Confederação das Cooperativas Alemãs (DGRV) e as unidades estaduais do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Espírito Santo, realizaram nessa sexta-feira (26/10), no Centro de Formação Profissional Cooperativista, em Porto Alegre/RS, o primeiro Fórum Compartilhamento de Soluções Tecnológicas.

Vergilio Perius, presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS

Na abertura do evento, o presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Vergilio Perius, destacou que as cooperativas precisam estar sintonizadas com o cenário de mudanças que ocorrem através do avanço e da consolidação de novas tecnologias. “A inovação tem seus fundamentos e o princípio básico da integração quando se fala em compartilhamento. Parcerias estratégicas entre cooperativas passa a ser um instrumento efetivo de seu contínuo desenvolvimento. Sem integração e compartilhamento não há avanço e os custos são muito elevados”, ressaltou.

Parceria com a DGRV

Para a gerente técnica e econômica do Sistema OCB, Clara Maffia, a parceria com a DGRV representa uma oportunidade de aprendizagem e compartilhamento de soluções tecnológicas. “O modelo alemão traz muitas inspirações para o cooperativismo brasileiro, temos muito a aprender. O Sistema OCB tem uma convicção de que com esse projeto desenvolvido em parceria com a DGRV, o sistema cooperativo tem muitas oportunidades de trocas e compartilhamento de aprendizados que contribuem para o desenvolvimento do cooperativismo no País”, afirmou.

O representante da DGRV e diretor do projeto no Brasil, Arno Boerger, explicou que o trabalho desenvolvido junto com a OCB está alinhado a questões de estratégia, de educação, qualificação e intercooperação. “Nosso desejo é buscar mais serviços compartilhados no setor cooperativo brasileiro, pois através da intercooperação as sociedades cooperativas aumentam o seu ganho de escala e se tornam mais competitivas diante da concorrência. E nesse contexto, devemos priorizar o associado que é a razão de existir da cooperativa. Ele sempre tem que ser o foco da nossa ação, da nossa energia, da nossa dedicação”, destacou.

Cenário Global e Local – A Importância da Colaboração e do Compartilhamento

Especialista em transformação digital, o palestrante Fernando Martins destacou a escala e o potencial do agronegócio brasileiro. Para o engenheiro elétrico e de computação, o Brasil pode liderar o mundo em digital agro. “Temos 338 agtech startups no Brasil e o produtor brasileiro é muito permeável à inovação”.

Segundo a pesquisa “Inovação com propósito: o papel da inovação tecnológica na aceleração da transformação de sistemas alimentares”, do Fórum de Economia Mundial, a transformação digital do agronegócio tem valor enorme, com US$ 100 bilhões de economia em insumos, 300 milhões de toneladas de alimentos produzidos e 180 bilhões de metros cúbicos em economia de água.

Para Martins, as forças econômicas impulsionam a transformação digital e a colaboração e circulação de dados é fundamental para essa transformação. “A circulação de dados permite a proteção de marca, a rastreabilidade e transparência, o casamento de oferta e demanda, o crédito e seguro digital, a descomoditização e a eficiência operacional com a agricultura de precisão, preditiva e prescritiva”, explica.

Valor para o produtor

As soluções tecnológicas e a transformação digital agregam valor para o produtor, propiciando lucro, sustentabilidade e qualidade. “Dentre os benefícios para os produtores estão as melhores prescrições para manuseio de solo, plantio e trato cultural. Também há uma melhor excelência operacional em plantio, manejo e colheita”, complementa.

Cenários e Oportunidades – Compartilhamento de Soluções Tecnológicas e Serviços

O primeiro painel do evento contou com a mediação do representante do Sistema OCB/Sescoop-ES, Davi Duarte Ribeiro, e a participação do analista de Suporte do Sistema Ocepar, Taghert Brunno Toledo, e o analista de Tecnologia da Informação do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Roberto Niche. No painel foram apresentadas as pesquisas realizadas com os profissionais de TIs das cooperativas do Paraná e Rio Grande do Sul. “Nós conseguimos auxiliar as cooperativas, com base no censo, na questão de fornecedores, licenciamento, tendências de hardware, de software e firewall. O censo é a ferramenta perfeita de apoio para o planejamento estratégico”, afirmou Toledo.

Segundo Niche, o objetivo da elaboração do censo no Rio Grande do Sul é ter um retrato de como está a TI dentro das cooperativas gaúchas. “O censo nos permite perceber que as cooperativas estão começando a identificar os ganhos que têm quando a TI começa a fazer parte do negócio da cooperativa. A TI pode não só ser reativa, mas também proativa, ajudando as cooperativas em suas áreas de negócios”, comentou Niche.

SomosCoop

Na abertura da tarde, a organização do evento exibiu o segundo episódio da websérie do movimento SomosCoop. O vídeo retrata realidades diversas do cooperativismo, em todas as regiões do Brasil e traz experiências reais de sucesso e desenvolvimento.  A websérie produzida pelo Sistema OCB integra as estratégias da unidade nacional para se aproximar da sociedade, mostrando os benefícios do cooperativismo no dia a dia das pessoas e despertando nelas o sentimento de orgulho de pertencer a este movimento transformador.

Cases de Cooperativas Brasileiras

O segundo painel do Fórum reuniu a coordenadora de TI da Frísia Cooperativa Agroindustrial/PR, Berenice Los, e o representante da arquitetura corporativa do Sicredi, Christian Santos Balz, que explanaram sobre os indicadores econômicos e sociais das cooperativas. O moderador do painel foi o gerente de Monitoramento e Promoção Social do Sistema Ocesp-Sescoop/SP.

Berenice apresentou o case “Inovação e tecnologia a serviço do cooperativismo”, através da constituição da empresa NTI Soluções, que surgiu da sinergia existente entre as cooperativas Frísia e Castrolanda, no Paraná. “A criação da empresa ocorre a partir da necessidade de redução de custos nas duas áreas de TIs das cooperativas e também com o objetivo de buscar uma otimização de recursos físicos”, comentou a coordenadora de TI da Frísia, ao destacar que a iniciativa permite conseguir melhores negociações para as cooperativas em virtude do grande volume.

Balz falou sobre o compartilhamento de dados na era digital e destacou a importância da coleta das informações. “A informação e o compartilhamento de dados vão permear cada vez mais as nossas vidas”.

Cases Alemanha – Plataformas cooperativas de vendas

O último painel apresentou cases do cooperativismo alemão focados em compartilhamento de soluções tecnológicas, sob a mediação do representante da DGRV e diretor do projeto no Brasil, Arno Boerger. O consultor de Desenvolvimento da Estratégia de TI da GWS, Helmut Benefader, e o CEO da Cooperativa Raiffeisen Rhein-Ahr-Eifel. Alois Splonskowski, explanaram sobre os cases do cooperativismo alemão. “Os componentes do sucesso são a integração dos associados e modelo de negócios, solução setorial uniforme para as cooperativas, solução em forma de sistema vertical integrado e base tecnológica de ERP para o futuro. Juntos ficamos fortes!”, enfatizou Benefader.

Splonskowski elencou três desafios importantes para as cooperativas no compartilhamento de soluções tecnológicas: a ascensão do B2B e-commerce – 74% de todos os compradores B2B preferem a aquisição pela internet, a mudança estrutural na agricultura e o ataque dos concorrentes. “As cooperativas precisam utilizar os pontos fortes comuns. Como será a cooperativa digital do futuro? A nossa resposta é de que tem que haver cooperação com a ajuda de iniciativa, criatividade e paixão”.

No encerramento do evento, a gerente técnica e econômica do Sistema OCB, Clara Maffia, o representante da DGRV e diretor do projeto no Brasil, Arno Boerger, o superintendente técnico-operacional do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Gerson Lauermann e o superintendente do Sistema Ocepar, Leonardo Boesche, enalteceram a importância da realização do primeiro Fórum. “A proposta é que cada um saía mais sensibilizado em relação à relevância do compartilhamento de soluções tecnológicas e que o Sistema OCB e as unidades estaduais possam avaliar cada vez melhor a forma como podem contribuir dentro do sistema cooperativo nacional”, avaliou Clara.

Para o superintendente da Ocepar, Leonardo Boesche, as cooperativas devem priorizar a sua atividade finalística. “Nós temos que seguir e encontrar alternativas de buscar a intercooperação como vantagem competitiva e economia de escala para as cooperativas, principalmente na parte de compartilhamento nas atividades meio das cooperativas, com elas focando mais na atividade finalística”, ressaltou. E o superintendente técnico-operacional do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Gerson Lauermann, reforçou a importância dos dirigentes do sistema cooperativo se mobilizarem para propiciar mais negócios no ambiente da intercooperação. “Depende de nós, técnicos e dirigentes, dar um passo à frente e de fato construirmos um cooperativismo cada vez melhor e mais estruturado”, concluiu Lauermann.

Estiveram presentes ao evento, o diretor técnico sindical da Ocergs, Irno Pretto, técnicos e dirigentes de cooperativas do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Espírito Santo e Mato Grosso.

Fonte: Sistema OCERGS



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