Frustrações podem gerar aprendizados


Pessoas


Em caso contrário, promove stress e amplia situação de insegurança e sentimento de incapacidade, afetando a performance pessoal, profissional, familiar e social

Quando o assunto é pessoas, o tema rende muita conversa. Quando o tema é problemas e frustrações, o que não falta são casos, histórias, testemunhos, elevando a necessidade de tempo a níveis estratosféricos.

Várias teorias psicológicas, sociológicas, antropológicas, religiosas etc. explicam porque o ser humano necessita falar sobre dificuldades. No rol de assuntos que permeiam as relações sociais, familiares, profissionais e de amizade, a frustação resultante das situações cotidianas que não se concretizaram dentro das expectativas, sempre aparece, mostrando que é algo comum a todos. E, para entender a utilidade dessas dificuldades, é preciso conhecer as causas e a origem do sentimento de frustração. Só assim, elas podem ser entendidas, “não como uma privação da satisfação ou um sentimento negativo, mas sim, como uma forma de enfrentar positivamente as dificuldades no caminho, de crescer em âmbito pessoal, de ser uma pessoa mais flexível e a aceitar que nem sempre se tem o controle de tudo”, ressalta José Roberto Marques, presidente do Instituto Brasileiro de Coaching.

José Roberto Marques, presidente do Instituto Brasileiro de Coaching

O ponto de partida, para Marcos Garbossa – cofundador e diretor Técnico da Cloud Coaching – é se convencer de que nem todos os nossos desejos podem ser satisfeitos, ter a consciência de que nem tudo na vida acontece do jeito e no momento em que desejamos, que determinados objetivos nem sempre dependem unicamente de nós – de fato, na maioria das vezes, outras pessoas estão envolvidas. Isso deve ser entendido e aceito, respeitando o tempo de cada um quanto ao seu tempo de agir”.

Além disso, “em alguns casos, não conseguimos realizar nossos anseios porque temos medo, somos inseguros e nos falta mais autoconfiança, então ficamos limitados interiormente. Somos tomados, então, por um sentimento de incapacidade e frustração que torna a sensação de incapacidade ainda mais intensa”, lembra Garbossa.

A atenção, nesse cenário, deveria estar voltada ao controle e equacionamento das frustrações, com consequente aprendizado. Uma possibilidade para isso, apontada por José Roberto Marques, presidente do Instituto Brasileiro de Coaching, é controlar a sensação de impotência para não se estressar e ser capaz de enfrentar as dificuldades do dia-a-dia de forma equilibrada: “este exercício é realizado a partir do momento que o indivíduo tira lições da frustração vivida”.

Autoconhecimento

Para transformar a frustração em aprendizado, o ponto básico parece óbvio: detectar a frustração. Mas nem sempre o que é óbvio é praticado. A frustração gera sentimentos de privação e derrota. Por isso, quando uma pessoa se percebe em situação que desencadeia sentimentos de tristeza, incapacidade, insegurança, limitação ou falta de autoconfiança, está lidando com uma frustração, constata Marques. “Portanto, ao se deparar com uma circunstância, seja ela qual for, é importante que a pessoa tome consciência dos tipos de sentimentos e emoções gerados e detecte se ali existe uma frustração. Caso ela exista, o indivíduo deve trabalhar para que esses sentimentos negativos sejam controlados e eliminados”, recomenda.

Estabelecer claramente as causas das decepções permite determinar quais delas dependem unicamente das atitudes da própria pessoa para serem debeladas. Em resumo, é a busca de autoconhecimento, que “irá nos proporcionar uma visão clara dos nossos pontos fortes e fracos, permitindo assim, um melhor entendimento do que somos capazes. Desenvolver a nossa inteligência emocional, é vital, pois nos permitirá controlar as nossas emoções em momentos de crise, sem prejuízo do nosso equilíbrio (razão x emoção) ”, afirma Garbossa.

O autoconhecimento, para Marques, é “um exercício que ao ser colocado em prática, evidencia a pessoa, suas habilidades e competências, seus pontos de melhoria, seus medos e anseios, suas limitações, seus desejos e expectativas. A partir do momento que o indivíduo tem acesso a todos esses dados, ele é capaz de minimizar seus sentimentos e comportamentos negativos, trabalhar nas suas limitações e assim, controlar e canalizar de forma positiva a frustração e as emoções que ela causa”.

Importante também, segundo Marques, no dia a dia das relações – sejam profissionais, familiares, sociais, amorosas etc. – é a percepção de que o que gera frustração e o próprio sentimento são diferentes de pessoa para pessoa. “Tudo depende das experiências e expectativas de cada indivíduo. O que pode ser uma situação frustrante para mim, pode ser uma nova oportunidade para você. A ação correta nesse caso, é analisar todo o contexto e assim, identificar o sentimento que aquela circunstância é capaz de causar e ressignificá-lo, ou seja, dar um novo significado para essa emoção, caso ela seja negativa”, alerta.



Caminho para o aprendizado: 12 dicas

A frustração pode ser positiva e oportunizar o crescimento Marcos Garbossa, da Cloud Coaching, dá dicas.

  1. Entender toda a situação
  2. Desenvolver a tolerância
  3. Controlar as emoções negativas para que as mesmas não prejudiquem a estabilidade emocional e a proatividade
  4. Pensar e trabalhar naquilo que pode ser feito para reverter a situação,
  5. Ter consciência de que não é possível controlar tudo
  6. Transformar a frustração em crescimento, aprendizado e uma nova oportunidade
  7. Aprender quais são os estímulos provocadores
  8. Evitar o estímulo provocador sempre que possível
  9. Praticar técnicas de respiração que aliviem a ansiedade
  10. Controlar as expectativas que você tem dos outros
  11. Avaliar as reações
  12. Enxergar a frustração como um “atraso no seu sucesso” em vez de um “fracasso”


Tudo do mesmo ou há diferenças?

No dia a dia, é usual deixar de lado a especificidade de cada sentimento. Com isso, problema, dificuldade, frustração, teimosia etc. é tudo a mesma coisa. Mas será que é mesmo?

José Roberto Marques, presidente do Instituto Brasileiro de Coaching, e Marcos Garbossa, da Cloud Coaching, definem e mostram os benefícios de cada um deles.

Frustração – sentimento, emoção que ocorre quando algo que era esperado não ocorreu. É o ato ou o efeito de frustrar-se, de não ter o seu desejo satisfeito. Do latim frustratione (deixar sem efeito). É uma sensação de incapacidade diante de desgostos sofridos, diante de obstáculos difíceis de ultrapassar e que impedem chegar onde se deseja.

A frustração é uma resposta emocional quando os desejos e as expectativas da pessoa não são supridos. Pode levar a pessoa a sentir-se desmotivada e acabar desistindo de metas, objetivos e projetos, sejam eles de âmbito pessoal ou profissional. A frustração é um sentimento momentâneo, que não define a personalidade da pessoa. Ocorre quando é identificado um erro entre aquilo que foi planejado alcançar e o que realmente aconteceu.

Problema – a razão da existência do problema está na falta de informação. Diz respeito a uma questão que precisa ser pensada e requer uma solução (que pode ou não existir) e afeta negativamente o equilíbrio das pessoas envolvidas. O problema pode ser de caráter existencial, econômico, familiar, profissional etc. No sentido figurado, é tudo aquilo cuja resolução é difícil ou complicada, ou seja, dependendo da forma que se encara uma frustração, ela pode se tornar um problema.

Dificuldade – aquilo que impede a realização de alguma coisa; aquilo que estorva ou atrapalha o desenvolvimento de algo; impedimento ou obstáculo. Aquilo que não é fácil, que gera trabalho e é visto como um obstáculo para o desenvolvimento de algo. Para vencer a dificuldade, a pessoa precisa fazer o caminho contrário e assim, ultrapassar aquilo que bloqueia a sua superação. A frustração descontrolada pode gerar dificuldades para se levar a vida adiante, impedindo-se o desenvolvimento pessoal e profissional.

Teimosia – característica ou comportamento da pessoa teimosa, obstinada, que não desiste facilmente. Refere-se ao ato de defender determinado ato ou pensamento de forma inflexível e pouco racional, ou seja, a pessoa teimosa é resistente a mudança e coloca limites em sua percepção. Pode ser um fator positivo, se estiver relacionada à determinação; resolução, fortes intenções, propósitos. Mas pode ser um fator negativo, se relacionar-se com inflexibilidade, imutabilidade, radicalismo, etc.



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