Cooperativas fazem parte de projeto de capacitação de recursos

Publicado em: 23 novembro - 2020

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A captação de recursos para quatro projetos é o objetivo da rodada de negócios, na próxima quarta-feira (25), realizada pela plataforma de empréstimo coletivo Sitawi, mediante a expectativa de levantar em torno de R$ 1,6 milhão com a iniciativa, num modelo conhecido como “peer-to-peer lending”, modalidade pela qual o empréstimo vai diretamente aos empreendedores, retornando, depois, com acréscimo de juros e parcelas por 30 meses.

Trata-se do chamado Financiamento do Bem, voltado a projetos de impacto em plataforma de financiamento coletivo, com valor mínimo de R$ 1 mil por investimento, em que o investidor pode escolher a empresa na qual planeja aplicar o dinheiro pelo site da organização. Essa forma é diferente da aplicada por um fundo tradicional, em que o investidor confia a distribuição do dinheiro entre as empresas, para, em seguida, fazer um cadastro e optar pelo investimento, a ser transferido via TED. 

A Sitawi, por sua vez, dispõe de uma equipe que acompanha os negócios, além de repassar aos investidores um volume amplo de informações sobre estes, mediante apresentação de relatório trimestral de resultados financeiros, de fluxo de pagamento dos empréstimos, sobre os impactos sociais e ambientais, além dos próximos passos da empresa.

Os investimentos correspondem a quatro projetos das seguintes empresas: 

Caroá – Cooperativa de jovens agricultores do semiárido cearense que se dedicam ao cultivo e comercialização de verduras, frutas, legumes orgânicos, além de geleias, bolos, patês e pães, a Caroá pretende expandir a produção e o transporte de alimentos, para o que busca financiamento de R$ 300 mil.

YouGreen – Cooperativa paulistana que promove a gestão integrada de resíduos sólidos;

Maranha – Produtora “audiovisual de impacto”, conhecida pelos filmes “Imagina na Copa” (2014) e “Criola Reinado” (2018);

Sintecsys – Empresa de soluções tecnológicas para prevenção de queimadas.

Mesmo levando em conta o grau de comprometimento das empresas listadas, Letelier explica que “não há certeza de que estas conseguirão atingir o impacto imaginado”.

No caso específico da Caroá, o modelo de negócio prevê retorno financeiro de até 7,15% ao ano — o equivalente a 376% do CDI. Essa é a proposta da da Sitawi – Finanças do Bem.

Essa é a quarta vez a plataforma vai ao mercado utilizando o modelo de busca de recursos a empresa de impacto socioambiental. Desde 2019, a plataforma da empresa já movimentou R$ 5,6 milhões em captações para 12 negócios, com aporte de 274 investidores Pessoa Física.

Embora admita que há riscos inerentes ao negócio, como qualquer investimento, o CEO da organização, Leonardo Letelier aponta o fato de não ter sido registrada inadimplência entre as empresas, até o momento. Isso se deve, segundo ele, à característica da Sitawi de prestar consultoria às organizações que recebem recursos. 

Sobre o perfil de investidor desse tipo de operação, o CEO conta que a companhia possui alguns investidores-âncora, mais pacientes. “Eles (investidores) conseguem falar: ‘espero para receber minha parte depois dos outros’, caso uma empresa esteja em uma situação mais complicada”, diz.

Frente à pandemia – exemplo evidente de uma situação de risco – a Sitawi celebrou um empréstimo adicional com os investidores-âncora, com o objetivo de “não deixar que o curto prazo colocasse em risco o longo prazo”. Letelier acrescenta que “as pessoas estão acostumadas a verem risco como perda. No mercado financeiro, risco é algo sair diferente do planejado. Risco pode ser bom”.

Depois de fazer carreira como consultor empresarial, Letelier, engenheiro industrial de formação, criou a Sitawi em 2008, levando do antigo emprego a dinâmica de ‘ajudar os outros’, embora a partir com um público específico.

Atualmente, a Sitawi atua em várias frentes, sempre apresentando soluções financeiras de impacto social, sem contar a análise da performance socioambiental de empresas e instituições. “A plataforma de empréstimo coletivo representa uma pequena fração do que a gente faz”, acrescentou o CEO.

Enquanto que para as empresas, o maior diferencial está na facilidade de acesso a crédito, a juros mais baixos que os do mercado, ao investidor o que atrai é a perspectiva de retornos maiores que os oferecidos pelas aplicações de renda fixa tradicionais.

Em geral, as captações da Sitawi buscam tíquetes entre R$ 200 mil a R$ 1 milhão, o que representa uma opção vantajosa, sobretudo a empresas de pequeno porte, sem estrutura para receber investimentos de fundos de venture capital ou de empréstimo comercial.

Um detalhe interessante é que as empresas selecionadas para a captação de recursos contribuem com dez dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODSs), que integram uma agenda global que estabelece metas para erradicação da pobreza, proteger o planeta e “garantir que as pessoas alcancem paz e prosperidade”.


Por Marcelo Sigwaltt – Redação MundoCoop


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