Jovens assumem protagonismo no meio rural

Publicado em: 31 julho - 2020

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Com espírito de liderança, frederiquenses se destacam fazendo a diferença em suas propriedades e na comunidade

Despertar o espírito de liderança e acreditar na força do empreendedorismo rural, talvez, sejam os principais desafios da sucessão familiar. É claro que existem muitos outros fatores que influenciam na permanência do jovem no campo, mas estes dois, se trabalhados e incentivados, com certeza, podem e já fazem a diferença.

Neste sentido, as entidades, como a Emater/RS-Ascar e os Sindicatos dos Trabalhadores Rurais (STRs), as universidades, as cooperativas de créditos e de produção, fazem um trabalho singular de mostrar ao jovem rural todas as oportunidades que o meio oferece, inclusive de um futuro promissor e com mais qualidade de vida ao lado da família.

Em Frederico Westphalen, por exemplo, o STR ofereceu no ano de 2018 um Programa de Formação de Novas Lideranças. A iniciativa tinha como objetivos formar novos líderes, com espírito associativo e empreendedor e com visão inovadora para ocupar cargos nas entidades sociais e políticas. “Com o curso, que teve a duração de seis meses e foi dividido em oito etapas, constatamos um desenvolvimento ainda maior nestes jovens que participaram. Eles realmente demonstraram um preparo maior e hoje, muitos deles, já ocupam cargos nas entidades, como presidentes nas comunidades, membros do STR ou de cooperativas. E quanto ao desenvolvimento de suas propriedades, foi possível notar um despertar para uma atividade ainda maior, tornando assim um jovem mais empreendedor e comprometido com a sociedade”, relata o ex-presidente do STR de FW, Nadir Buzatto.

O desafio de administrar a propriedade e a presidência do STR

Amarildo Manfio, da linha Faguense, foi um dos 53 alunos que participou do Programa de Formação de Novas Lideranças, oferecido pelo STR de FW. Mais que uma oportunidade para buscar novos conhecimentos, o curso também possibilitou ao tecnólogo em Agropecuária e produtor rural assumir um novo desafio na sua vida. “Sempre participei de grupo de jovens e integrei diretorias da comunidade onde resido com minha família e ainda sou ministro da Eucaristia. Além disso, busquei ao longo da minha vida estar me envolvendo com os cursos de liderança promovidos pelo STR. Foi assim que em 2018, enquanto participava de mais uma capacitação, foi nascendo a ideia e o convite por parte da diretoria do STR para eu compor a chapa e estar desempenhando essa função hoje de presidente do sindicato. Sempre gostei de estar envolvido nestas atividades, porém nunca abandonei a minha propriedade, onde trabalho na atividade leiteira junto com meu pai. Para mim, é uma alegria, mas um desafio grande estar à frente desta entidade, que atualmente possui em torno de 1,5 mil associados ativos, e desempenhar essas duas funções”, conta Manfio.

Para o atual presidente do STR, os maiores desafios do empreendedor rural são o tempo, os incentivos e a imprevisibilidade dos rendimentos. “Tem a questão do clima, que é aquela incerteza do que vai acontecer; as políticas agrícolas e subsídios e também a questão do preço, em que o agricultor nunca sabe o quanto vai receber na próxima safra. Então, ele pode planejar a atividade, mas ele nunca vai conseguir ter uma rentabilidade real, o que causa incerteza em muitos jovens no momento de decidir se vão ou não permanecerem no campo”, afirma.

“A propriedade rural é meu empreendimento”

Assim como Manfio, a jovem de 19 anos, da linha São Francisco, Debora Sarmento, também participou do curso de formação de lideranças do sindicato, uma experiência que mudou os rumos da sua vida. “Eu trabalhava há mais de um ano na cidade, como jovem aprendiz em uma cooperativa de crédito, mas ainda antes de concluir o curso decidi que o que eu queria era ajudar meus pais na nossa propriedade. Eles estavam investindo em uma sala de ordenha para aumentar a produção leiteira, então eu voltei para casa para trabalhar com eles. O curso foi esse incentivo, deu aquela vontade de colocar em prática tudo o que você aprendeu”, comenta a jovem, que ainda participa ativamente da comunidade da linha Barra do Braga, onde é secretária do conselho, e do Curso de Liderança Juvenil (CLJ) do distrito de Castelinho, onde também atua como secretária.

Hoje, Debora ocupa um papel importante no desenvolvimento da propriedade familiar, participando ativamente de todas as decisões junto com os pais, Valdecir e Neiva, e a irmã mais nova, Helen. “Sempre busco aprender coisas novas e aos poucos ir colocando em prática, não é fácil, pois tudo tem custos. Vamos também se inspirando em outras pessoas, que acompanho nas redes sociais. Sigo bastante mulheres empreendedoras que administram fazendas e médicas-veterinárias, e vou aprendendo bastante, gosto muito. Meu sonho é continuar trabalhando aqui, talvez buscar aumentar nossa produção de leite, com mais animais e uma melhor genética. A propriedade rural é meu empreendimento, então quero evoluir cada vez mais e ter mais qualidade de vida”, destaca.


Fonte: O Alto Uruguai



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