Aumento na exportação de limão anima produtores

Publicado em: 28 janeiro - 2021

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Tempero e componente de diversos pratos, item essencial na preparação de bebidas ou ingrediente de sobremesas. Seja qual for o papel desempenhado, o limão brasileiro é mestre em versatilidade de aplicações culinárias, mundo afora. Mas o destaque recente diz respeito ao crescimento consistente das exportações do fruto, que somente em 2020 rendeu ao país uma receita de exportações de US$ 89,8 milhões ou um volume físico de 105,4 mil toneladas.

Terceira fruta mais exportada pelo País, em receita, segundo levantamento da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), o limão responde hoje por 98% dos envios brasileiros de cítricos ao exterior, ao acrescentar que o Estado de São Paulo concentra a maior produção brasileiro do produto, com 1,1 milhão de toneladas produzidas em 2019, seguido por Minas Gerais (72 mil toneladas) e pela Bahia (65 mil toneladas). A produção bandeirante alcançou, em valores, a R$ 1,152 bilhão, no ano passado. Entre os países da União Europeia, principal destino do limão brasileiro, a maior demanda ocorre na França, Holanda e Espanha.

Um cenário internacional promissor é o que está desenhado para os produtores rurais, na região de Catanduva, se depender do que apontam pesquisas e estudos, nos últimos três anos. Produtor Rural de Urupês, Antônio Domingos Hernandes, admite o potencial de expansão da, agora, commodity. “Estou no negócio há 30 anos, mas nos últimos três anos a comercialização melhorou muito, e resolvi investir na exportação do limão tahiti”, revela. Com embarques negociados pela Cooperativa de Produtores de Limão de Urupês (Cooperlimão) – responsável ainda por selecionar e comercializar os produtos de um total de 34 associados – a produção de Domingos teve como destino a França.

Hernandes acrescenta que somente a exportação de 50 mil caixas (27,2kg), do produto garantiu a metade dos lucros do campo, no ano passado. Ele admite, porém, que a desvalorização do real ante o dólar e o euro também contribuiu para aquecer a demanda, sobretudo por parte da Europa, a partir de maio último. “A gente leva as nossas caixas de limão para a cooperativa, onde os frutos são selecionados com muito cuidado, já que a logística para o embarque não é tão simples. Até deixar a roça aqui e chegar à França, entre o transporte em container e o descarregamento do produto no país de origem, leva cerca de 30 dias”, explica o produtor cooperado. Ele acrescenta que, para atender aos requisitos para exportação, o limão “deve apresentar ótima aparência, como cor e bom tamanho, para depois ser embalado em caixas próprias para o consumo, com peso de 4,5 quilos”.

O produtor rural e presidente da Cooperlimão, Eduardo Delboni, avalia que “as perspectivas são animadoras” para o setor este ano, a exemplo do nível de comercialização do limão no ano passado. “A caixa de limão chegou a ser vendida entre R$ 90,00 e R$ 130,00, quando a demanda da exportação estava maior”, informa, acrescentando que os contratos em euro são outro incentivo importante ao investimento na cultura, além de trazer retorno aos associados da Cooperlimão.

Em que pese o ano atípico, por conta da pandemia, Delboni considera que o ano de 2020 foi de boas vendas para os produtores, que colheram resultados positivos com a comercialização com o exterior. Nesse período, a Cooperlimão exportou para a França cerca de 76.500 caixas de limão tahiti (2.0880,8 kg), apenas um ano após iniciados os primeiros negócios no comércio exterior. O restante da produção não exportada atende o mercado, por meio de negociação com citrícolas. Ainda sobre o mercado interno, o dirigente conclui que “os preços não estão tão bons nesse início de 2021, em relação ao dezembro último ano passado, mas acreditamos muito na exportação do limão, com maior demanda para o próximo mês de março”. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Cepea-Esalq/USP), a oferta de limão tahiti está em alta desde o fim de 2020, mas o pico da safra será atingido nessa segunda quinzena de janeiro.  


Por Marcello Sigwalt – Redação MundoCoop


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