Blockchain vai agregar valor à cana

Publicado em: 08 dezembro - 2020

Leia todas


Pesquisas envolvem três cooperativas e produtores

Um projeto de pesquisa inovador, conduzido pela Embrapa, usa a tecnologia de blockchain para rastrear a cadeia produtiva da cana-de-açúcar. O blockchain é muito usado em transações financeiras e trata-se de um registro público, que impede fraudes.

A ideia é gerar uma ferramenta que armazene, registre, organize e rastreie os processos e produtos agroindustriais da cadeia, garantindo maior confiabilidade e segurança das informações fornecidas ao consumidor sobre a origem das matérias-primas e insumos.

As pesquisas iniciaram neste ano por meio de uma cooperação técnica com a Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana), a Safe Trace e a Usina Granelli. Dois experimentos são conduzidos em conjunto com produtores de Piracicaba e Tambaú e outro é realizado em Charqueada, todos municípios no interior do estado de São Paulo.

O projeto piloto será desenvolvido na Coplacana. Com o desenvolvimento desse sistema de rastreabilidade as embalagens dos produtos da usina parceira vão receber um selo “Tecnologia Embrapa” e um código QR. Assim, será possível disponibilizar todas as informações coletadas, desde a produção no campo até a chegada ao consumidor final, passando pela moagem da cana-de-açúcar, extração na usina, distribuição e comercialização desses produtos. 

“A adoção de tecnologia blockchain pelos cooperados da Coplacana vai proporcionar um ganho efetivo de mercado, uma vez que os elos agrícola, industrial, certificador e distribuidor envolvidos na cadeia produtiva passarão a estabelecer uma relação de confiabilidade nos dados compartilhados”, afirma o pesquisador da Embrapa Fábio Cesar da Silva.

O acordo com a cooperativa  ainda inclui a geração de processos agropecuários, softwares, modelos, banco de dados e metodologia técnico-científica. Por meio da parceria, ainda será criada uma tecnologia baseada em sensoriamento remoto para organizar, processar e disponibilizar em nuvem imagens de satélite aplicadas a análises de lavouras da cana-de-açúcar, que vão contribuir para apoiar o planejamento e o controle operacional da cultura, tanto na fazenda como em talhões.

Outra novidade é que imagens aéreas de canaviais, feitas com drones, serão usadas em uma solução tecnológica para detecção de doenças das plantas e pragas daninhas, deficiências nutricionais, estresse hídrico e estimativas de produção de biomassa. O diagnóstico vai permitir aos produtores a adoção de medidas de controle com mais rapidez e eficiência.

Na Usina Granelli o sistema de rastreabilidade vai armazenar dados primários de custódia da Política Nacional de Biocombustíveis, o programa RenovaBio. O recurso poderá ser empregado na contabilização de créditos de descarbonização do programa nacional de biocombustíveis. Por isso, a equipe do projeto está trabalhando no desenho dos processos agroindustriais para rastrear os Cbios, além de fazer o levantamento de certificações de interesse estratégico do programa.

Na Safe Trace está sendo desenvolvida um solução de blockchain que poderá ser empregada em toda a cadeia produtiva, passando pela produção de matéria-prima, industrialização e comercialização dos Cbios. Essa tecnologia será capaz de registrar, armazenar, organizar, rastrear e disponibilizar informações coletadas ao longo da cadeia, desde a implantação no campo até as etapas finais de extração, tratamentos, fermentação e destilação para etanol nas unidades agroindustriais.

As vantagens da cooperação devem ser sentidas tanto pelo agricultor e indústria, quanto pelo consumidor, uma vez que a qualidade do produto final será garantida pelo rastreamento feito pela SafeTrace e chancelada pela Embrapa, agregando valor na venda do açúcar mascavo. 


Fonte: Agrolink


Notícias Relacionadas


 



Publicidade