Brasil e Suécia ampliam parceria para diminuir desperdício de alimentos

Publicado em: 17 novembro - 2020

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Terra rica de contradições, o Brasil é, ao mesmo tempo, um dos maiores produtores de alimentos do mundo e um dos que mais os desperdiça no planeta. Esta última ‘liderança’, nada agradável, está aproximando o país da Suécia que, ao contrário, recicla 99% de tudo o que produz.

 Atualmente, enquanto o setor agropecuário exporta até US$ 100 bilhões por ano, cerca de 68,9 milhões de lares não possuem qualquer padrão de segurança alimentar, situação agravada pela ‘cultura’ de perdas e desperdícios de alimentos. Para mudar essa situação, afirmam os especialistas na matéria, será necessário implantar no país uma cultura de reaproveitamento pleno da produção nacional, seja de alimentos, roupas, móveis, entre outros, que podem retornar à sociedade sob a forma de energia.

Para marcar essa união de esforços em favor do meio ambiente, será realizada, nesta terça-feira (17), a Semana de Inovação Suécia-Brasil 2020, com direito a um webinario que vai reunir pesquisadores da Suécia, além de representantes da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Na pauta, além de gestões que mitiguem o desperdício, a meta de disseminar ideias para o consumo sustentável, informou o site da Embrapa. O webinario, por sua vez, discutirá alternativas e soluções inovadoras para áreas distintas, como sociedade, tecnologia e meio ambiente, caracterizando o que é desperdício e o que pode ser feito para evitá-lo.

A convite da Embaixada da Suécia, a Embrapa Alimentos e Territórios de Maceió (AL) será representada no evento pelo analista Gustavo Porpino, que abordará a importância da adoção de políticas públicas que mitiguem o desperdício de alimentos. O analista lidera o projeto “Diálogos Setoriais União Europeia – Brasil”.

Além disso, o webinario terá palestrantes, como Ida Björkefall, assessora do Swedish EPA, que trabalha com prevenção ao desperdício de alimentos e economia circular; Anita Lundström, assessora sênior na Swedish EPA; Gustavo Porpino, que desenvolve pesquisas em comportamento do consumidor; Carlos Eduardo Lourenço, professor da FGV; Andrea Portugal, assessora especial do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) do Distrito Federal; e Pedro Brancoli, estudante de doutorado e conferencista na University de Borås, na Suécia.

Como plano de fundo da ‘Semana’ – organizada anualmente pelo Team Sweden Brazil e coordenada pela embaixada sueca –  está a ideia de promover a Suécia como parceiro de longo prazo para o desenvolvimento de projetos nas áreas de ciência, tecnologia e inovação. Por conta da pandemia, a edição deste ano terá uma programação online e gratuita.

A experiência sueca parte da premissa de que “o que não é medido, não pode ser gerenciado”. Para resolver esse impasse, o primeiro passo é realizar a chamada gravimetria de resíduos sólidos, pela qual é possível medir o grau de desperdício de comida e o quanto de alimento está sendo desperdiçado (casca de ovo, arroz, massas, carnes, etc.).

Idêntica metodologia foi aplicada por pesquisadores suecos e brasileiros, na cidade de Taguatinga (DF), em novembro de 2019, por meio da uma triagem, peso e separação de todo o lixo de um determinado itinerário em um dia inteiro, concentrando-se no lixo das famílias, especificamente. A conclusão é que o índice de desperdício chegou a 30%.  

A pesquisadora e consultora sênior no Brasil da Agência de Proteção Ambiental da Suécia. Kelly Dalben admite que “hoje, no Brasil, a gente está no escuro, pois não há dados específicos estruturados e abrangentes para saber qual é o desperdício de alimentos que temos nas capitais, porque o desperdício do brasiliense é diferente do carioca, que, por sua vez, é diferente do baiano”, ilustrou.

A intenção da metodologia sueco-brasileira de gravimetria é identificar onde essa perda ocorre com mais intensidade. “Se é uma questão vinculada à embalagem ou à distribuição, de qualquer forma, essa diretriz ajuda os gestores a fazerem escolhas, no que toca à compostagem, biogás e outras questões decorrentes do resíduo alimentar”, conclui Kelly.


Por Redação MundoCoop


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