Com aporte inicial de R$ 40 milhões, Ater Digital (MAPA) mira 50% dos agricultores

Publicado em: 12 outubro - 2020

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Impulsionar a assistência técnica e ampliar o acesso de agricultores a serviços eficientes e ágeis, na direção de maior competitividade dos negócios. Com esse objetivo, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) lançou, quinta-feira passada (8), o Programa Ater Digital, que contará com recursos de R$ 40 milhões, inicialmente.

A expectativa do ministério é de elevar, dos atuais 18,2% para 50%, o percentual de agricultores atendidos por algum tipo de assistência rural no país.

Entre os principais objetivos da medida, o fortalecimento do Sistema Brasileiro de Assistência Técnica e Extensão Rural (Sibrater), que utilizará um meio considerado inovador pela instituição, uma vez que se baseia na larga utilização de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) nas ações das empresas de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) e do agro brasileiro.

Em sua primeira fase, o programa – com prazo definido entre 2020 e 2022 – serão desenvolvidos cinco projetos específicos, como a criação de um portal específico para compartilhamento de informações sobre pesquisa e extensão rural em áreas agrícolas de interesse dos produtores rurais.

Também ganham destaque os projetos de modernização da infraestrutura de TI das instituições públicas estaduais de Ater e o desenvolvimento de sistemas/aplicativos voltados à melhoria da qualidade dos produtos agrícolas, assim como para a otimização de recursos.

Em paralelo, o Ater Digital promoverá a capacitação de extensionistas das Entidades de Ater Públicas, no que se refere ao uso de recursos móveis de TI, além da instalação de 10 Hubs Pilotos de Informação e Gestão Tecnológica para Agricultura Familiar. Neste caso, a intenção é aperfeiçoar a interação entre pesquisa e extensão rural/assistência técnica.

Presente ao evento, a ministra Tereza Cristina destacou a importância do programa, no sentido de reduzir as desigualdades na agricultura brasileira. “Sabemos que, talvez, nem colheremos os frutos neste mandato, mas só de deixar essa semente plantada, vamos regar ela bastante, colocar bastante adubo para que ela possa florescer o mais rápido possível e melhorar a vida daqueles que precisam muito”, comparou.

A importância dos serviços de Ater para a modernização da agricultura brasileira, em especial, a familiar, foi destacada pelo secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do MAPA, Fernando Schwanke. Ele, no entanto, admitiu que o atendimento desse segmento, pela forma tradicional, “enfrenta grandes desafios, seja pela (vasta) distribuição geográfica das propriedades rurais, seja pelo número (mais restrito) de extensionistas. É aí que entra a tecnologia.

“Com o emprego de aplicativos para celular, por exemplo, as empresas de Ater podem ampliar o seu alcance, perpassando as barreiras geográficas, conseguindo chegar lá na ponta, no pequeno agricultor. Queremos dobrar o número de produtores atendidos nos próximos dez anos”, destaca Schwanke.

A ministra, por sua vez, lembrou que, em que pese o avanço tecnológico, “a assistência técnica presencial, não só vai permanecer, mas continuar próxima desse agricultor, que chega a esperar até 30 dias pelo retorno do técnico para sanar dúvidas”, revelou.

Coordenado pelas secretarias de Agricultura Familiar e Cooperativismo e de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação – por meio do Departamento de Desenvolvimento Comunitário (DDC) – o programa contará com a participação da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) e da Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer).

O secretário acrescentou que, nesse campo, o objetivo do MAPA é consolidar a governança dos programas já existentes, por meio de ferramentas disponíveis pela Embrapa, sem contar aquelas de empresas estaduais de assistência técnica e da iniciativa privada.

Já o diretor de Desenvolvimento Comunitário do Mapa, Pedro Arraes, pregou a necessidade de maior integração das ações de assistência técnica presencial e digital, assim como a capacitação de extensionistas. “É uma questão estruturante”, explicou.

Na seara da consultoria, uma das ações é a parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), de serviços de consultoria agrícola digital a agricultores familiares do Nordeste do Brasil, que deverá atingir 100 mil pequenos produtores rurais, em sua primeira fase.

O diretor-geral do IICA, Manuel Otero, “se disse honrado de ser parceiro do MAPA e contribuir para melhorar as condições de vida dos agricultores familiares, principalmente do Nordeste”. A iniciativa é desenvolvida pela organização Agricultura de Precisão para o Desenvolvimento (PAD), cujo fundador é o prêmio Nobel de Economia 2019, Michael Kremer, agraciado com o Prêmio Nobel de Economia 2019.

De acordo com Censo Agropecuário IBGE 2017, apontado pela Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer), naquele ano existiam no país 12.766 extensionistas, em contraste com o número de 5 milhões de estabelecimentos agrícolas – das quais 3,9 milhões classificados como agricultura familiar. Apesar disso, somente 18,2% dos agricultores familiares brasileiros têm acesso aos serviços de Ater, em percentual variável conforme a região (48,9% no Sul, 24,5% no Sudeste, 16,4% no Centro-Oeste, 8,8% no Norte e 7,3% no Nordeste).

Estiveram presentes ao encontro, o representante no Brasil da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), Rafael Zavala; a vice-presidente da região Sul da (Asbraer), Edilene Steinwandter; o diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Daniel Carrara; o vice-presidente de Operações para a América Latina da Corteva, Carlos Hentschke; o presidente da John Deere no Brasil, Paulo Hermann; e a presidente da Divisão de Crop Science da Bayer, Malu Nachreiner.


Redação MundoCoop com informações MAPA


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