Com incentivo do governo local, suinocultura do MS fatura R$ 1,1 bi em 2019

Publicado em: 08 fevereiro - 2021

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Decorrente de uma política bem-sucedida, adotada a partir de 2015, pelo governo do Mato Grosso do Sul, a suinocultura do estado vem experimentando expansão notável nos últimos anos, ao bater recorde R$ 1,1 bilhão de faturamento em 2019. Outros indicadores positivos confirmam a boa fase da atividade regional, como o crescimento da demanda por crédito, a implantação de novas indústrias no setor e o aumento da produção incentivada pelo programa estadual “Leitão Vida”.

Coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), o programa “Leitão Vida” acaba de completar um ano, em 1º de janeiro último, com 2.576 milhões de animais incentivados, o correspondente a R$ 18,6 milhões em benefícios pagos a criadores de suínos sul-mato-grossenses. Desde sua participação, no Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura (Siavs), no ano passado, o governo do MS tem procurado criar um cenário propício a investimentos, em especial, na suinocultura local, embora a iniciativa igualmente beneficie todas as cadeias produtivas do Estado.

Considerado um grande apoio ao desenvolvimento da cadeia suinícola, o Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO) – por meio de seu conselho – aprovou, na primeira reunião deste ano, a destinação de R$ 52,8 milhões para implantação de unidades de produção de leitões, nos municípios de Jateí e Ivinhema, ambos no Sul do estado.

Responsável hoje por 16 mil empregos e faturamento estimado em R$ 16 bilhões, a cadeia suinícola do Mato Grosso do Sul registra 74,6 mil matrizes – distribuídas em 34 propriedades do Estado – que recebem grãos de qualidade, na preparação da ração. No período de dez anos, o número de abates aumentou 131%.

Foco na estrutura – O dirigente da Semagro, Jaime Verrcuk, assinala que, no momento, o foco “é estruturar essa cadeia produtiva no Estado, desde a produção até o abate e o processamento da carne”, acrescentando que, além de importar leitões de outros estados, o governo local incentiva a entrada de novos produtores no setor, com vistas ao aumento da produção. Entre os incentivos, Verrcuk destaca a “viabilidade de energia elétrica e recursos financeiros”.

Em linha com a ideia de expandir a disponibilidade de animais no estado, a Cooperativa Agropecuária de São Gabriel do Oeste (Cooasgo) inaugurou, no final do ano passado, a Granja Rio Verde, unidade multiplicadora de matrizes suínas. Projetado em parceria com a Agroceres, o empreendimento tem uma estimativa de produção superior a 40 mil matrizes por ano, com previsão de obter 1,5 mil fêmeas para reprodução, por semana, totalizando 78 mil por ano. Quando a capacidade de produção da unidade atingir o pico, a expectativa é de que sejam produzidos 90 mil machos para abate por ano, o que permitirá a abertura de  42 empregos diretos e 210 indiretos, com injeção mensal de R$ 145 mil na economia local. 

Sobre o investimento, o presidente da Cooasgo, Sérgio Marcon, explica que a granja foi projetada para “atender as legislações internacionais voltadas a boas práticas de produção e bem-estar animal” e que “essa será a granja mais moderna do país, transformando, por completo, a genética da suinocultura na nossa região”, avança o dirigente. Ele adianta que “boa parte das matrizes aqui produzidas atenderá a demanda crescente por parte de suinocultores do próprio estado e da própria indústria”. Ao mesmo tempo, Marcon revela que 60% da produção serão vendidos às demais unidades da federação.  

‘Sem freios’ – Ao lembrar que o setor foi um dos que mais criou empregos durante a pandemia, o presidente da Associação sul-mato-grossense de produtores de suínos (Asumas), Alessandro Boigues aponta que “a produção do estado se concentra no mercado interno e se sustenta positivamente”. O líder associativo entende que “uma eventual demanda externa poderá abrir ainda mais portas à nossa produção, fazendo com que a nossa suinocultura ‘não tenha freios’ ao seu desenvolvimento, ao mencionar o reforço importante do selo de biossegurança, garantido pelos suinocultores sul-mato-grossenses. 


Por Marcello Sigwalt – Redação MundoCoop


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