Coopercentral Aurora Alimentos reduz operação em duas unidades

Publicado em: 08 agosto - 2016

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A queda contínua do consumo de carnes no mercado brasileiro associada aos elevados custos de produção industrial levaram a Cooperativa Central Aurora Alimentos – terceiro maior grupo nacional do setor – a suspender parcialmente as atividades de duas plantas industriais de aves.

A medida é temporária, segue orientação da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e busca ajustar a oferta de carnes ao atual nível de consumo, evitando a deterioração dos preços tanto no comércio atacadista. Em números, representa 13% do volume de abate diário de aves da Aurora e apenas 4,5% da força total de trabalho da cooperativa. A expectativa é de retomar a atividade com o usual aumento de consumo tradicionalmente registrado no último bimestre em razão das festas natalinas e de fim de ano.

A primeira unidade a trabalhar em regime de redução foi o Frigorífico Abelardo Luz (FAAL). Em 03 de julho passado, 532 trabalhadores entraram em férias coletivas e retornam nessa quarta-feira (dia 3 de agosto), quando outra turma, com 613 pessoas, entra em férias. Ali, o abate diário de 134.000 caiu para 70.000 frangos.

Nesta semana, a Cooperativa Central anunciou que iniciou a desmobilização de campo para que outra unidade, o Frigorifico Aurora Guatambu (FAG), também entre parcialmente no regime de férias em outubro. Esse período é necessário para as etapas de redução prévia da incubação de ovos, alojamento, apanhe etc, de forma que a unidade opera normalmente em setembro e entre outubro com o abate de 120.000 aves/dia reduzido para 60.000.

Essas medidas visam garantir a sustentabilidade da empresa e preservar os empregos”, de acordo com Mário Lanznaster (presidente), ao ressaltar que, mesmo com o bom desempenho das exportações, o mercado doméstico está superofertado em todos os tipos de carnes. “Apesar dos preços inflados da carne bovina, a natural opção pelas demais carnes – especialmente aves e suínos – não está se manifestando em nível comercial significativo”, observa.

Por outro lado, a situação mercadológica do milho – principal insumo da cadeia produtiva – continua preocupante. Apesar do recuo de 20% no preço dessa commodity no último mês, seu impacto no custos de produção continua elevado, tanto para produtores rurais quanto para as indústrias de processamento de carnes.