Economia Solidária é alternativa de inclusão, em meio à crise

Publicado em: 20 dezembro - 2020

Leia todas


Conjunto de atividades socioeconômicas integrada por associações, cooperativas e grupos informais de trabalhadores que se unem para produzir, prestar serviços, consumir e poupar, com vistas à geração de renda e criação de novos postos de trabalho, a Economia Solidária comemorou, na terça (15), o Dia Nacional da Economia Solidária.

Instituída pela Lei 13.928/19, a data remete a um jeito diferente de produzir, vender e comprar. Diverso da economia tradicional, que estabelece separação entre donos do negócio e empregados, na economia solidária, os próprios trabalhadores também são donos e tomam as decisões corporativas, como a divisão do trabalho e a partilha dos resultados.  No Brasil, a inclusão de segmentos sociais alijados dos direitos essenciais faz parte dos princípios e valores da EcoSol, também voltada à melhoria da renda de produtores rurais familiares, pescadores artesanais, quilombolas e indígenas. Além disso, a iniciativa constitui alternativa importante, em momentos de crise econômica, como o atual, marcada pelo desemprego em larga escala.  

Respondendo por, ao menos, 40 mil empreendimentos econômicos solidários formais e informais, a EcoSol abrange os segmentos de agricultores familiares e pescadores que comercializam a produção diretamente para os consumidores por meio de feiras do produtor; grupos de produção de artesanato e roupas; prestadoras de serviços de lavanderia e outros tipos; grupo de comercialização de cestas de café da manhã, cooperativa de comercialização de pescado; produtores rurais dedicados à agroecologia e vinculados a grupos de compra urbanos, indígenas e quilombolas engajados no turismo de base comunitária; hortas comunitárias urbanas, coletores de material reciclável etc.

Baseado na autogestão, o EcoSol atua junto a bancos comunitários atual no desenvolvimento local, mediante o uso da moeda social, dentro da visão de valorizar o interesse coletivo e a solidariedade e o apoio mútuo entre as comunidades. Essa fórmula não convencional se materializa pela autogestão, pela qual não existem patrões e empregados, mas cooperados. A ideia aqui é valorizar a interdependência entre os participantes do empreendimento, em que a atitude solidária vai além de seus membros, mas também destes com fornecedores, consumidores e poder público, sem se caracterizar ‘atos de caridade’, mas sim à reciprocidade que garante o desenvolvimento empresarial e a emancipação do indivíduo.   

Mas essa concepção social e produtiva não é novidade. No mundo, a EcoSol responde pela criação de pelo menos 100 milhões de postos de trabalho, contingente que supera, em mais de 20%, o apresentado por todas as multinacionais juntas. Exemplo disso é que no Canadá e na Noruega, 33% das respectivas populações estão vinculadas a cooperativas, ao passo que na Nova Zelândia, essa participação chega a 50%.   


Por Marcello Sigwalt – Redação MundoCoop

Notícias relacionadas



Publicidade