Estudo Embrapa/Sebrae aponta avanço da digitalização no campo

Publicado em: 27 janeiro - 2021

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Estudo denominado “Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira”, desenvolvido pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) – em parceria com o Sebrae – apontou avanços importantes no processo de transformação digital da economia: dos 753 produtores entrevistados sobre os temas ‘tecnologia’ e ‘agronegócio’, 84% deles admitiram já utilizar, ao menos, uma tecnologia no processo de produção; 70% usam internet e tecnologia em atividades relacionadas à produção rural e 57,5% usam mídias sociais para divulgação de dados ou produtos.

A expectativa da Embrapa é de que a digitalização do agronegócio – hoje responsável por 25% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e da metade de suas exportações – contempla a ideia da ‘fazenda do futuro’, que se baseia no conceito de ‘fazenda do futuro’, marcada pela otimização do uso de recursos e insumos, por meio de sistemas ciber-físicos, transversais e interdisciplinares. A chegada da inovação tecnológica igualmente demandará monitoramento e automatização, mediante instalação de sensores ligados à internet, com posterior produção de grande volume de dados, depois filtrados e armazenados em nuvem para análise por inteligência artificial.

Perda anual de R$ 11 bi

O trabalho – que levou em conta fatores como mudanças climáticas, espaciais e socioeconômicas –  apontou questões pendentes, como a necessidade de agregar valor às cadeias produtivas para agradar um consumidor crescentemente exigente; uma gestão eficiente para redução dos riscos que geram perda anual de R$ 11 bilhões ou cerca de 1% do PIB agrícola nacional.

Para a empresa pública, o Agro 4.0 demandará tecnologia em todas as etapas, uma vez que a de pré-produção exigirá o desenvolvimento de inovações para melhoramento genético, na biotecnologia e na bioinformática. Já na fase de produção, será atualizada a ferramenta “agricultura de precisão”, assim como equipamentos diversos. Na pós-produção, por sua vez, a tecnologia contribuirá para a introdução de melhorias em áreas, como logística, transporte e armazenamento. O detalhe é que, em todas essas fases, serão utilizados aplicativos para diversas finalidades, como previsão do tempo, identificação de pragas, gerenciamento da produção, contratação de serviços privados de satélites e drones, instalação de sensores terrestres GPS, Sistemas de Informações Geográficas (SIG), iniciativas que vão compor o planejamento corporativo.

Para todas fases descritas, serão utilizados aplicativos para finalidades diversas, como previsão do tempo, identificação de pragas, gerenciamento da produção, contratação de serviços privados de satélites e drones, instalação de sensores terrestres, GPS, sistemas de informações geográficas (SIG) serão importantes para o planejamento. Já a telemetria responde pela medição remota e a comunicação e o fluxo de informações entre sistemas, por meio de dispositivos sem fio – como ondas de rádio ou sinais de satélite. Acessados à distância por meio de tecnologias de comunicação, esses equipamentos facilitam o monitoramento de geradores que dão suporte ao abastecimento no meio rural. Paralelamente, avaliam especialistas, deverá haver uma demanda aquecida por especialistas nessas tecnologias, com apoio de governos, cooperativas, associações, sindicatos, startups e universidades.

A pesquisa da Embrapa/Sebrae apontou, ainda, que o primeiro desafio a ser vencido é o valor dos serviços, pois, ainda hoje, o custo de aquisição de equipamentos e dispositivos permanece elevado e proibitivo, que pode reduzido com a maior competição entre empresas. Em paralelo, instituições financeiras poderão abrir linhas de crédito ou financiamentos para atender o mercado. O passo seguinte seria consolidar a Internet na área rural. O último desafio  está voltado à divulgação de conhecimento aos produtores a respeito da alternativas tecnológicas disponíveis mais vantajosas ao agronegócio, de modo que estes vejam a “digitalização, não como custo, mas investimento”.


Por Marcello Sigwalt – Redação MundoCoop


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