FecoAgro/RS: avanço de preços não evita frustração de safras gaúchas

Publicado em: 23 dezembro - 2020

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Vilão milenar do campo, o clima pode ser apontado como o principal fator determinante para o resultado adverso da agricultura gaúcha ao longo de 2020, ao impor perdas de produção de 30% para o milho e de até 47% para a soja. Contribuiu muito para o desempenho negativo a geada ocorrida na segunda quinzena de agosto, associada à falta de chuvas em período crítico das culturas, que reduziu em um terço a expectativa de colheita, pois o ciclo de verão encontra um solo mais seco do que de costume, sobretudo no que toca à lavoura de milho.

Apesar de ter contado com valores acima da média, o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS), Paulo Pires, entende que “o produtor gaúcho não conseguiu aproveitar a equação de bons preços pagos pelos grãos e alta produtividade”. Enquanto isso, as notícias do campo não são nada boas, uma vez que, para a nova safra de milho, ainda em implantação, as estimativas de perda de produção giram em torno de 50%. “Se fizermos uma média histórica, temos bons preços de produtos agrícolas, mas infelizmente não temos produção. No milho, temos cotações de R$ 80,00 a saca, mas poucos produtores têm produto para ofertar”, explica.

Em contraponto, a expectativa do setor é de aumento da área plantada de soja – para cerca de 6 milhões de hectares –, o que é representativo em termos de produção, avalia Pires, ao revelar que, no decorrer de 2020, os preços históricos da oleaginosa chegaram a superar os três dígitos na cotação. “Tivemos preços extraordinários em todos os produtos. Na soja, a saca alcançou até R$ 160,00. Estes preços bons podem salvar muitos balanços do agro que devem ser divulgados nas próximas semanas”, comemora. Já a ‘esperança de recuperação’ para o trigo, devido à ampliação de 26% da área plantada, acabou sendo frustrada, igualmente por conta do clima. “Devemos ter uma queda de 30% em relação à estimativa inicial, de 3 milhões de toneladas, para um total de 2,3 milhões e 2,5 milhões de toneladas”, previu.

Ano difícil – Em que pesem a estiagem e a pandemia, o entendimento da FecoAgro/RS é de que o sistema cooperativo se ‘preparou para um ano difícil’, em que as cooperativas registraram crescimento de faturamento, embora não tão expressivo. “Mas com alta dos preços agrícolas, esse aumento não foi exponencial devido a uma safra menor”, explica. Sobre as perspectivas para 2021, Pires admite que “há uma euforia do agronegócio em relação à viabilidade econômica, pois a equação do custo de produção e perspectiva de renda traz um momento interessante para o setor”. Embora reconheça que a tendência, no curto e médio prazos, é boa para o setor, o presidente da Federação alerta que “fatores externos, como o clima, podem prejudicar estas expectativas”. Ele conclui afirmando que, “cada cooperativa deve discutir questões básicas, como gestão, eficiência e profissionalização de seu pessoal”. 


Marcello Sigwalt – Redação MundoCoop


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