Integração destaca citricultura paranaense no cenário nacional

Publicado em: 18 novembro - 2020

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Terceira maior do país, a citricultura paranaense vem ganhando expressão econômica no mercado do agronegócio nacional, em especial, a partir da integração entre os setores público e privado, que forneceu a base à criação de empregos e renda em regiões mais vulneráveis do Paraná, como o Vale do Ribeira, maior produtor de ponkan do estado – variedade de gosto mais doce que os demais tipos de tangerinas.

A rápida expansão da cultura nas últimas décadas se deve, sobretudo, à pesquisa e a defesa agropecuárias adotadas pelo governo estadual, além dos investimentos realizados pelas cooperativas agroindustriais.

De acordo com o coordenador do programa de Vigilância e Prevenção das Pragas da Citricultura, da Gerência de Sanidade Vegetal da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), engenheiro agrônomo José Croce Filho, enquanto a pesquisa desenvolveu cultivares resistente a pragas e doenças – cancro cítrico, HLB (huanglongbing), mosca negra e pinta preta dos citros – a defesa agropecuária atuou de forma permanente, conscientizando os produtores sobre a necessidade de evitar a contaminação das áreas de cultivo. 

Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, no ano passado a produção de laranjas chegou a 687,5 mil toneladas, enquanto a de tangerinas superou 5 milhões de caixas (23kg, cada) – destinos preferenciais são a capital, Curitiba, e Santa Catarina.  

Para o combate mais efetivo da praga Cancro Cítrico, causado pela bactéria Xanthomonas citri sbsp citri, a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento solicitou, há quatro décadas, ao então Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) para que desenvolvesse pesquisas para seleção de clones de citros com características de resistência à doença.

Ao mesmo tempo, o governo paranaense montou um pacote tecnológico para enfrentar a doença, mediante a combinação de variedades resistentes, juntamente com a aplicação preventiva de bactericidas à base de cobre, assim como a instalação de quebra-ventos de proteção dos pomares. Essas medidas, juntas, criaram a base de normas que regem a citricultura regional.

 Quando houve a primeira ocorrência de HLB no Brasil, em 2004, a Adapar passou a coordenar um grupo de trabalho, que contou com a participação de especialistas do Iapar, Emater, da Federação da Agricultura do Paraná (Faep) e da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar). A união de esforçou tornou mais eficiente o enfrentamento do problema, resultando na minimização aos impactos causados pela praga na citricultura paranaense.

Já em 2017, com a publicação de medidas contra o cancro cítrico pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Paraná optou pelo Sistema de Mitigação de Risco (SMR) para a praga, excetuando-se 31 municípios da Região Metropolitana de Curitiba e do Litoral onde a Adapar busca o reconhecimento do status de Área Livre da Praga (ALP). Como reflexo, a Adapar criou uma coordenadoria de sanidade da citricultura, o que atesta a importância dada à ameaça por parte do governo paranaense. Ao mesmo tempo, fiscais de defesa agropecuária foram treinados e capacitados para o cumprimento de normas técnicas e legais necessárias à conclusão do processo de produção de citros, observando o aspecto fitossanitário do comércio de mudas de citros.


Por Redação MundoCoop


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