Jovens cada vez mais presentes nas decisões da atividade rural

Publicado em: 16 julho - 2021

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Fernando, 31 anos, e Luis Felipe, 23. Os primos representam a terceira geração de uma família de produtores de Cambé (PR) cujo sobrenome varia de uma ramificação para outra, “por obra dos cartorários, que escreveram errado”, avisa o primeiro.

Não importam as diferenças de grafia. Os Peruzi, Peruzzi, Perucci, Perrucci e Perussi têm o mesmo sangue e representam um grupo familiar que há décadas se destaca pela qualidade do seu trabalho, transmitido de pai para filho.

No passado, os avós chegaram ao Paraná em busca de oportunidades como porcenteiros de café, trabalhando com enxadas, e foi com muita dedicação que eles formaram um patrimônio, conta Fernando.

Seu pai, José Donizete Peruzi, e os irmãos deste – Antonio Luis Perrucci (pai de Luis Felipe) e Valmir Rogério Perrucci -, não só deram sequência à atividade, apostando na mecanização, como se tornaram referência na produção de grãos. Com isso, conseguiram ampliar as áreas e investiram também em aviários para diversificar os negócios.

Hoje, entre terras próprias e arrendadas, eles cultivam 641 hectares espalhados pelos municípios de Cambé, Arapongas e Londrina, onde as lavouras de soja e milho são conduzidas com agricultura de precisão.

Fernando e Luís Felipe começaram juntos em 2016 a participar das decisões. Ambos estão, desde pequenos, habituados ao ambiente rural, onde foram aprendendo a lidar com maquinários, a conhecer o dia a dia da vida no campo e os detalhes de um trabalho sujeito às oscilações do clima.

“A experiência dos mais velhos é fundamental”, diz Luis Felipe. Ele destaca que sua paixão é a operação das máquinas, cada vez mais sofisticadas, se encarregando também da revisão e manutenção. A família possui um parque de máquinas conectado, composto por duas colheitadeiras, três tratores e duas plantadeiras, todas da marca John Deere, além de um pulverizador e uma calcareadeira. “De cinco anos para cá, mudou toda a tecnologia nessa área”, observa.

O problema ainda é a internet, que dificulta em parte a conectividade dos maquinários, mas os dois primos se entusiasmam ao falar, por exemplo, do atendimento remoto prestado pela concessionária Cocamar Máquinas, o que agiliza a solução de eventuais dificuldades, além de trazer economia de tempo e dinheiro.

Fernando e Luís Felipe são de uma família que tem a cultura do investimento, mas sempre com pé no chão, na busca por garantir o maior retorno possível. “Todos conversamos muito antes de tomar uma decisão, mas meu pai e meus tios nos deram carta branca”, conta Fernando. “É tanta confiança que muitas vezes eu fico preocupado com tamanha responsabilidade”, afirma. Foi atribuída a ele a tarefa de pesquisar preços, fechar a compra dos insumos e efetivar a comercialização das safras.

A família também tem a cultura de investir na qualidade do solo, fazendo coletas todos os anos, que são destinadas para análise, o que orienta na reposição de nutrientes. Além disso, os resíduos dos aviários são usados para fertilizar e repor matéria orgânica no solo e, há anos, durante o período de inverno, foi adotado o consórcio milho e braquiária em todas as áreas cultivadas.

Segundo eles, esse consórcio que é incentivado desde 2008 de forma pioneira pela Cocamar, faz toda a diferença: com seu enraizamento profundo a braquiária rompe a camada de compactação, abre canais que facilitam a infiltração de água e entre outros benefícios, produz a cobertura de palha que vai inibir o aparecimento de ervas, reter umidade e favorecer o desenvolvimento da soja no verão.

E quando se fala em produtividade, a família se destaca na região. “Ficamos sempre acima de 170 sacas por alqueire, mas em 2019 colhemos a média de 182 sacas”, comenta Fernando. Na equivalência em hectare são, respectivamente, 70,2 e 75,2 sacas. Para se ter uma ideia, a média geral entre os produtores da Cocamar é de 53,7 sacas/hectare.

Por fim, utilizando o aplicativo de mensagem, Fernando e Luís Felipe participam de vários grupos de produtores, por meio dos quais trocam experiências com outros jovens que, a exemplo deles, estão também se inserindo no processo de sucessão familiar.

“Tem muita gente jovem na agricultura”, afirma Luís Felipe; “a impressão é que o Brasil, já uma grande potência do agro, está ainda só começando”, finaliza Fernando.

Para o engenheiro agrônomo Vitor Palaro, coordenador de Agricultura Digital da Cocamar, “a trajetória dos dois jovens de Cambé demonstra o quanto as modernas tecnologias são importantes para incentivar que as novas gerações façam do campo o seu futuro”.


Fonte: Imprensa Cocamar


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