Linha de crédito de R$ 5,13 mi ajuda cooperativas e associações no país

Publicado em: 18 janeiro - 2021

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Foto: Divulgação/Conexsus

Até meados de novembro último, uma linha de crédito emergencial aberta pelo Instituto Conexões Sustentáveis (Conexsus) já havia liberado R$ 5,13 milhões a cerca de 55 mil pequenos produtores rurais e extrativistas, em todo o país, como forma de compensar as perdas econômicas decorrentes da pandemia, ainda em curso. Aqui a ideia central é incentivar, além do emprego e a renda no campo do segmento contemplado – que corresponderia a uma área de aproximadamente 30 mil hectares – igualmente a conservação de florestas, biomas e atividades correlatas à agricultura familiar. 

Para fazer jus aos recursos, se inscreveram mais de 224 associações e cooperativas, das quais 71 ou 58% do total tiveram seu pleito aprovado, o que inclui organizações de 19 estados. Somando a participação dos estados amazônicos aos do bioma do Cerrado, estes responderam por praticamente a metade dos recursos liberados.

O coordenador de Finanças de Impacto do instituto, Rafael Ribeiro, destaca o alcance social da medida. “Estamos falando de grupos que não atendem aos requisitos dos bancos por não possuírem histórico de crédito, o que os inabilita para acessar o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar)”, explica, acrescentando que o objetivo da instituição é “criar condições para habilitá-las a acessar futuramente esse crédito”, completa. 

Na região Norte, estão sendo atendidas as cadeias de produção do açaí e de castanha-do-pará, ao passo que, no Cerrado, o incentivo é para os setores de polpas de frutas típicas de hortifrútis. Isso sem contar com estímulos feitos às cadeias de mel e do baru nos demais biomas nacionais.

Requisitos para o auxílio

São quatro os requisitos para o auxílio: ser uma associação, ou cooperativa rural/florestal; apresentar mais de 20 associados e CNPJ ativo e faturamento em 2019. Além disso, também tiveram prioridade as instituições que se caracterizam pela produção sustentável e com melhor capacidade de pagamento do financiamento. 

Para o coordenador, o maior diferencial da Conexsus é a assessoria administrativo/financeira oferecida aos segmentos do agronegócio. “A ideia é proporcionar uma boa experiência de crédito às associações e cooperativas, para que estas tenham mais autonomia em seu relacionamento com o mercado e mais facilidade no que toca ao acesso ao crédito rural subsidiado”, comenta.  Para que essa meta se amplie, Ribeiro completa adiantando que serão adotadas estratégias de reorganização da estrutura produtiva, mediante a diversificação de táticas comerciais, para que se atinja mais estabilidade de ações, emprego e renda. Aqueles incluídos na linha emergencial contarão com dois anos para pagar o empréstimo, com um ano de carência e juros em torno de 6% ao ano.

Instrumento inovador

Instituído com a ajuda de instituições como o Fundo Vale, a Fundação Good Energies, CLUA (Climate and Land Use Alliance), USAID, Instituto GPA e B3, o Fundo Socioambiental da Conexsus foi reconhecido pelo Global Innovation Lab for Climate Finance como “instrumento financeiro inovador para acelerar negócios comunitários e florestais”. Para este ano, está prevista a estruturação do Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), pelo qual poderão ser captados R$ 50 milhões para melhor atendimento desse público agro específico. O FIDC terá 40% de cotas subordinadas a investidores institucionais – que assumem perdas, em caso de inadimplência – e as outras 60% de cotas seniores, com preferência de recebimento, mediante taxa fixa.   

De acordo com a expectativa da empresa, o índice de inadimplência deverá variar de 5% a 10%.  “Se o ano foi difícil para grandes empresas, é possível imaginar o que associações e cooperativas que trabalham com cadeias que protegem o meio ambiente e ficaram de fora de políticas assistenciais enfrentaram”, destaca o coordenador da Conexsus, ao admitir a satisfação de “poder suprir deficiências momentâneas de fluxo de caixa que fogem do controle das organizações”.


Por Marcello Sigwalt – Redação MundoCoop


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