Live debate estratégias de comercialização para Ásia e potencial do cooperativismo

Publicado em: 13 novembro - 2020

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“Traçar estratégias que fortaleçam a relação comercial com o mercado asiático”. Esse é o principal objetivo, segundo o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, do II Fórum de Mercado Internacional, que reuniu – em live transmitida pelo canal do Sistema Ocepar no Youtube – dirigentes cooperativos paranaenses e nacionais, secretários do estado, além de representantes federais e adidos comerciais de cinco países (China, Japão, Índia, Indonésia e Coreia do Sul), para troca de experiências e afinamento das estratégias comerciais no mercado asiático.

“É uma continuidade à ação do dia 27 de outubro, quando fizemos uma live com adidos agrícolas que atuam nas embaixadas na União Europeia, Estados Unidos, Arábia Saudita e África do Sul”, lembrou Ricken. “O objetivo é fortalecer a relação comercial e a partir disso traçar estratégias para fortalecer a relação comercial com o mercado asiático’, completou o dirigente. O evento virtual teve boa repercussão e 400 acessos.

Responsáveis pelos estudos dos hábitos do país em que estão lotados, os 24 adidos agrícolas brasileiros estão presentes em 22 países, número que pode aumentar para 28, no curto prazo.  Além disso, os adidos prospectam negócios, antecipam mudanças políticas e sanitárias, produzem relatórios de análise do cenário e promovem os produtos brasileiros.

O dirigente cooperativo acentuou a importância de ações como essas, no sentido de aproveitar a capacidade e o potencial das cooperativas paranaenses de atendimento do mercado externo. Somados, os países representados na live correspondem hoje a 42% da população mundial, um PIB de US$ 23,9 trilhões (28% do PIB Mundial, dados de 2018), informou o presidente da Ocepar. 

Atualmente, 41,4% das exportações brasileiras vão para a Ásia, um mercado gigantesco formado pela massa de 4,5 bilhões de pessoas e, o mais importante, em constante expansão. Na mão invertida, 1/3 das importações nacionais vêm do continente asiático. Trata-se de uma grande oportunidade de negócio para as cooperativas paranaenses, hoje responsáveis por 60% da produção agrícola do Paraná, onde industrializam e exportam sua produção para mais de 100 países – com destaque para produtos do complexo soja e carnes.

“Qualidade técnica, garantida de rastreabilidade e tecnologia não faltam ao segmento, que está habilitado a atender com nível de excelência o mercado externo, que apresenta notável potencial de expansão para os próximos anos”, acentua o dirigente do Paraná. Este ano, a estimativa é de que o agronegócio responda por metade das exportações nacionais. “Isso mostra a assertividade das estratégias comerciais internacionais”, comentou.

Convidado a falar sobre o mercado asiático, o professor do Agro Global do Insper, Marcos Jank, destacou o papel dos adidos comerciais nacionais para conquistar o gigante oriental. “Embora o maior desafio seja o acesso a esse mercado, a demanda é infinita, mas, para atendê-la, será necessário um trabalho muito árduo e constante dos adidos agrícolas e dos funcionários do Itamaraty”, condicionou.

Dos US$ 100 bilhões exportados este ano pelo país, 40% têm como destino a China, assinalou o professor. Ele admite que o resultado decorre, sobretudo, de mais um recorde de produção agrícola. “Mesmo em meio a uma pandemia, o agronegócio foi bem, mas o que segurou a atividade e evitou a recessão no Brasil foi a demanda asiática, da Ásia emergente”, acrescenta.

Jank igualmente chama a atenção que a geografia do agronegócio mudou. “Não é mais a Europa o principal cliente mundial. É a Ásia. É lá que temos que estar. Precisamos conhecer a demanda deles, saber o que eles pensam sobre sustentabilidade, porque é onde estão nossos clientes e cooperativas precisam estar presentes, inclusive de forma conjunta e organizada”, acrescentou.

Participaram do evento virtual os seguintes representantes de entidades parceiras e adidos:

Marcio Lopes de Freitas (OCB), Norberto Ortigara (Seab), Marcio Nunes (Sedest), Marcos Brambila (Fetaep), Luiz Eliezer Ferreira (Sistetema Faep) e Cleverson Freitas (Mapa), Jean Carlo Cury Manfredini (China), Ricardo Maehara (Japão), Dalci Bagolin (Índia), Gustavo Bracale (Indonésia) e Gutemberg Barone (Coréia do Sul).

Dados do intercâmbio comercial Brasil – Ásia (2019)

  • O Brasil exportou US$ 93,2 bilhões para a Ásia (exceto Oriente Médio) e importou US$ 59,1 bilhões, colhendo superávit de US$ 34,1 bilhões.
  • A Ásia representou 41,4% de todas as exportações nacionais (exceto Oriente Médio) e 33,3% de das importações, em valor.  
  • O principal produto exportado para a Ásia é a soja em grãos (24%), seguido pelo minério de ferro (19%) e pelo petróleo (18%).
  • Principais importações: equipamentos de telecomunicações (10%), válvulas e tubos termiônicos (9,1%) e itens para a indústria de transformação (9,1%).

Marcello Sigwalt – Redação MundoCoop


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