Paraná lidera produção nacional de tilápias, com 164.212 toneladas

Publicado em: 22 novembro - 2020

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Atividade com grande potencial de retorno financeiro, o investimento na produção de tilápias tem ganhado cada vez mais adeptos no Paraná que, de acordo com o Anuário Peixe BR de 2019, detém liderança nacional ‘folgada’, com produção de 146.212 toneladas (33,8% do total nacional), bem à frente do vice, São Paulo (64.900) e de Santa Catarina (38.559). 

Um dos principais esteios dessa arrancada paranaense, o cooperativismo só ganha adeptos no estado, como o engenheiro agrônomo Paulo Michelon, de Palotina (PR), cuja produção de 1,2 milhão de tilápias está espalhada em 185 mil metros de lâmina d’água de dez tanques, é integralmente destinada às cooperativas C. Vale – que a exporta, já como filé congelado – sediada na mesma cidade, e a Copacol, em Cafelândia. Sem esconder o entusiasmo com o êxito da iniciativa, ele planeja ampliar para 150 mil metros a extensão das lâminas de água, mediante a aquisição de uma nova propriedade na região. Na mira, a meta de atingir uma produção superior a 1 milhão de tilápias nos novos tanques, praticamente o dobro da atual.

Embora esteja convicto da tendência altista desse mercado, o engenheiro de Palotina identifica condicionantes para a manutenção desse movimento. “Basta melhorar a renda, que o brasileiro vai começar a comer melhor, acrescentando o peixe à refeição. Sem contar a exportação, que ainda está engatinhando”, afirma. E completa: “Essa nova geração também está mais preocupada com a saúde, e aí a carne branca se torna essencial”.

Outro exemplo pode ser dado pelo criador e aposentado Adair Borin, cooperado da C. Vale em Palotina. Há dois anos, ele decidiu substituir o cultivo da soja (por arrendamento) para um modelo baseado na piscicultura. Hoje, Borin ostenta 350 mil tilápias nos 58 mil metros de lâmina d’água, divididas em oito tanques. “Estou gostando muito da atividade. Se tudo ocorrer bem, penso em aumentar em mais 40 mil metros”, afirma.

‘Sonho realizado’

Já o agricultor Rosimar Marquardt que, há 15 anos, trocou o emprego de tratorista em Luís Eduardo Magalhães (BA) pelo ‘sonho’ de criar o peixe em Maripá, no oeste do PR, quando a cultura era pouco conhecida no estado. Seu instinto o guiou na direção certa. “É um sucesso, com a produção crescendo ano a ano”, comemora Marquardt, cuja iniciativa permitiu à Maripá obter, apenas no ano passado, mais de 8 mil toneladas do produto, segundo o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP), quinto maior produtor do estado, atrás apenas de Nova Aurora, Toledo Palotina e Assis Chateaubriand.

“A demanda hoje é maior do que a produção. O que tiver de tilápia, eu vendo”, conta Marquardt, cuja produção bate hoje a casa das 500 toneladas por ano, nos 12 tanques que mantém em sua propriedade. Ao mesmo tempo, ele também se dedica ao cultivo do milho e soja, uma exceção em sua região. Essa experiência foi mostrada pela série de reportagens do projeto “Feito no Paraná”, que apontou a cultura como ‘um dos pontos fortes’ do Oeste paranaense.

Com uma parte da propriedade reservada ao cultivo do milho e soja – exceção na região –  Marquardt diz não possuir acordo com cooperativas, mas prefere vender o peixe a outros mercados. “Tenho minha clientela fixa, gente que compra comigo há muito tempo já”.

Poderio paranaense

Sem contar empreendimentos individuais, o fato é que o cooperativismo pode ser apontado como um dos fatores do poderio do Paraná em matéria de produção de tilápias. Se considerada apenas a Copacol, a cooperativa é responsável pelo abate de 160 mil tilápias por dia, somente nos frigoríficos de Nova Aurora e Toledo, que processam a produção de 230 produtores integrados. A ideia, agora, é expandir esse volume para 250 mil peixes/dia e 400 associados daqui a três anos. “O mercado interno vai crescer e o mercado externo da tilápia também”, prevê Valter Pitol, presidente da Copacol, que movimenta anualmente R$ 70 milhões entre os produtores associados”.  

Próximo dela, a C. Vale de Palotina responde hoje pelo abate de 100 mil tilápias por dia, com a intenção de ampliação para 150 mil no curto prazo. “Assim, contribuímos para que pequenos agricultores permaneçam no campo, até se transformarem em micro e médios empresários. O impacto na qualidade de vida dessas pessoas é imenso”, explica o presidente da cooperativa, Alfredo Lang.

Volume pequeno

Dados do Ministério da Economia apontam que as exportações de cultivo (filés e subprodutos alimentícios ou não – peles, escamas, farinhas e outros) renderam US$ 12 milhões às divisas nacionais. Pescados, em geral, corresponderam a uma receita de US$ 275 milhões. Entretanto, o volume de produtos de pesca de cultivo exportado ainda é pouco representativo, em que pese a tendência de crescimento, todos os anos.

O montante exportado pelo país passou, de 5.185 toneladas, em 2018, para 6.543 toneladas, no ano seguinte, traduzindo um crescimento de 26%, com um detalhe: a tilápia responde por 81% de participação no total e tendo o Paraná como o segundo estado exportador de tilápia e derivados (24,47% do total) ou 1.302 toneladas, só sendo superado pelo Mato Grosso do Sul (39,19% do total) ou 2.085 toneladas. Os principais destinos das exportações nacionais do peixe são o Japão, China e Estados Unidos. Japão e China importam mais subprodutos.

Inovadoras por natureza, tanto a C. Vale quanto a Copacol desenvolveram uma especialidade de exportação de tilápia. Toda semana, elas exportam para os Estados Unidos, via transporte aéreo, cerca de 800 quilos de filé resfriado, produto com alto valor agregado. “É o peixe do Paraná alimentando o povo brasileiro e também o do Exterior”, destaca Pitol. A operação garante, levando em conta todas as cooperativas, pelo menos 27 mil postos de trabalho no oeste paranaense.

Criado pelo governo estadual, o projeto ‘Feito no Paraná’ busca dar maior visibilidade à produção regional, conforme diretriz estabelecida pela Secretaria do Planejamento e Projetos Estruturantes, de manter aquecida a economia, favorecendo o emprego e a renda. 


Por Marcelo Sigwallt – Redação MundoCoop


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