Produtividade de hortifrútis no interior de SP cresce 30% com cultivo protegido

Publicado em: 08 fevereiro - 2021

Leia todas


Maior controle do microclima, baixa incidência de pragas e plantas daninhas, solos mais saudáveis e manejo facilitado. Essas são algumas das vantagens oferecidas pela modalidade de cultivo protegido (mais conhecida como estufa) que, aliado à tecnologia, tem sido responsável pela expansão de 30% da produtividade, no cinturão hortifrutícola do interior paulista. Para atingir esse resultado, os produtores locais empregaram diversos materiais e estruturas, mediante uso variável de ferramentas digitais.

Frente ao desafio de ‘produzir mais e com mais qualidade’, o cultivo protegido proporciona melhoramento genético das plantas, contribuindo para que estas apresentem um crescimento mais equilibrado, apontam especialistas. Um exemplo é o da engenheira agrônoma, Aline Retz que, desde 2014, mantém, em Bauru (SP), uma estufa integrada (modelo dente de serra), com 12 mil de comprimento, em que produz tomates das variedades Italiano, Grape e Coquetel.

“Esse sistema evita a infestação de pragas, além de permitir uma rápida tomada de decisão, quando ocorre algum problema”, explica a produtora, ao acrescentar “toda essa estrutura visou garantir maior equilíbrio às plantas, produtividade alta, resultando em produtos diferenciados nos supermercados”.

Produção em vasos

Com sua produção desenvolvida em vasos – dispostos em calhas, que evitam contato com o solo – Aline admite a importância da tecnologia para atingir o resultado positivo, sobretudo no que se refere à climatização, que utiliza janelas automáticas (que se movimentam conforme a intensidade do vento), sem contar telas que cortam a radiação solar e um sistema próprio de irrigação. No total, a produtora possui 12 mil vasos, que lhe permitem colher até 3 mil quilos de tomate por semana. Agora com a Coopercitrus, Aline pretende ampliar, tanto a área das estufas, quanto a produtividade do cultivo, cuja qualidade ela espera ser reconhecida pelo mercado, ao longo do tempo.

Diversificação de culturas é a palavra de ordem para o produtor e administrador hospitalar, Paulo Câmara, que optou por cultivar pimentões em estufas de metal e tela, em sua propriedade no Sítio São José, em Itaju (SP). “Em área protegida, o pimentão apresenta uma qualidade bem superior, demandando menos insumo, o que permite uma produção de melhor qualidade”, explica Câmara, que conta com o sócio, Acácio Leocádio da Silva, para administrar a produção. Atualmente, o empreendimento possui cinco estufas de ferro, totalizando 18 mil vasos de plantas. Destes, 2,5 mil (porte de uma estufa completa) se destinam ao plantio da pimenta Sweet Palermo, variação do pimentão tradicional que possui maior concentração de brix, ou sabor mais adocicado. “Chegamos a colher 10 mil caixas de pimentões vermelhos e amarelos”, comemora o produtor, ao definir que “produzir em estufa é produzir mais, em menos espaço”.

Na mesma trilha, os sócios Daniel Vicentin e José Paulo Martins, decidiram há oito anos, abandonar o modelo tradicional de horta de sua propriedade, na região de Itápolis (SP), pela construção de estufas para produzir pimentões vermelhos e amarelos. “O primeiro ano foi bom, o segundo também. Percebemos que a produtividade era boa e decidimos continuar”, lembra Vicentin, cujas estufas são de madeira (com três arcos cada) e as plantas, cultivadas diretamente no solo, diferentemente do cultivo aplicado por Aline e Paulo Câmara. Além disso, o manejo dos sócios leva em conta matéria orgânica, fertirrigação por gotejamento e uso da forragem com milheto, para proteção do solo. Pelos cálculos de Martins, cada planta é capaz de produzir, por safra, aproximadamente, 30% a mais do que pelo método convencional.   

Embora distintas entre si, as três experiências de produção de hortifrútis descritas têm, em comum, o reconhecimento da relevância de um manejo cuidadoso, uma administração balanceada de defensivos e fertilizantes, sempre contando com uma assistência técnica atenta, para então colher resultados positivos, “independentemente do método utilizado e do nível de tecnificação”.  


Por Marcello Sigwalt – Redação MundoCoop


Notícias relacionadas



Publicidade