Produtores de leite do Ceará se unem para ampliar produção e manter atividade

Publicado em: 02 fevereiro - 2021

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A união que faz a força e impulsiona os negócios. Com esse pensamento, um grupo de 18 produtores de leite das cidades de Quixeramobim e Senador Pompeu (CE) decidiram se unir para adquirir, de forma coletiva e mais econômica, insumos e equipamentos essenciais à atividade. Exemplo disso é o tanque de resfriamento, que teve desconto de 38%, saindo a R$ 12 mil – em lugar dos R$ 19 mil iniciais – mediante a maior quantidade de unidades compradas.

O êxito da iniciativa foi tamanho que o grupo agora pretende criar uma cooperativa, o que deve “resultar no fortalecimento dos produtores associados”, observa o presidente da associação dos produtores de leite local, Francisco Pinheiro, cuja expectativa é de que, até fim de março, a “Cooperativa Beira de Pista” já esteja legalmente criada, com apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Federação da Agricultura do Estado do Ceará (Faec), além de  parcerias com a Prefeitura de Quixeramobim e a Assistência Técnica Gerencial (ATEG) do programa Agronordeste – vinculado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Mais do que uma alternativa, a cooperativa é uma questão de sobrevivência para a maioria dos produtores de leite locais, a exemplo de Renato Cosmo, que admite estar sufocado pelos altos custos de produção – sobretudo o preço dos insumos – o que tem, praticamente, inviabilizado a atividade. “Sem união, não temos como sobreviver”, adverte. Essa dura realidade é confirmada pelos dados do Sindicato Rural de Quixeramobim, segundo os quais a saca de milho de 50kg custa hoje R$ 40, metade do que valia há um ano. Ao mesmo tempo, os principais insumos da produção leiteira só subiram, como é o caso da saca de 50kg de soja, que saltou de R$ 85 para R$ 160, e o preço da saca de 50kg de torta de algodão dobrou, de R$ 45 para R$ 90.

Acrescente-se a isso, o fato de as condições climáticas serem determinantes para ‘turbinar’ a produtividade, ou não. Durante o ciclo chuvoso, quando o gado dispõe de maior oferta de alimento, a produção média do grupo de criadores – de 11 mil litros de leite/dia – pode crescer até 30%. Para Francisco Olímpio, maior produtor do grupo – com uma produção diária de 1.200 litros de leite por dia – “à medida que o produtor economiza nos insumos e aquisição de maquinário, ele pode investir na produção e expandir”.

Segundo pesquisa divulgada pelo IBGE, a produção leiteira do Ceará cresceu cerca de 63% no período de 2015 e 2019, passando de 489,3 milhões a 797,4 milhões de litros/ano. No estado, a maior bacia leiteira localiza-se na região do Sertão Central, em que se destaca Quixeramobim, que produz hoje cerca de 200 mil litros diários.


Por Marcello Sigwalt – Redação MundoCoop


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