Reino Unido mira Brasil no pós-Brexit e cita ‘experiência cooperativa paraense’

Publicado em: 30 novembro - 2020

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Um parceiro estratégico para novas oportunidades comerciais. Assim é visto o Brasil pelo Reino Unido (RU), que deve encerrar, em 31 de dezembro próximo, a longa transição para sua saída definitiva da União Europeia (UE) – o pós-Brexit.

“A partir de 2021, o Reino Unido terá de consolidar suas próprias parcerias de negócios e o Brasil se coloca como um parceiro estratégico, pois existem interesses complementares para um acordo comercial entre os países”, sustenta o adido agrícola brasileiro em Londres, Augusto Billi, em webinar realizado, na última quinta-feira (26), pelo Consulado do Reino Unido, em parceria com o Sistema Ocepar.

Paraná é referência

O evento virtual – que também contou com a participação do superintendente da Ocepar, Robson Mafioletti, e do cônsul honorário do Reino Unido no Paraná, Adam Patterson – serviu para a discussão de ‘’perspectivas e oportunidades bilaterais existentes no mercado agropecuário”. Na oportunidade, o cônsul destacou a posição estratégica positiva do país com relação as perspectivas positivas abertas com o pós-brexit para ambas as nações. “Há mais de 200 anos, temos um relacionamento de comércio e investimentos. No futuro, acredito esse comércio bilateral ficará ainda mais forte em vários setores, em especial na agropecuária, na qual o Paraná é uma referência de qualidade e produtividade”, afirmou.

Negócios à parte, Billi acentuou o perfil característico do britânico, como consumidor exigente, que não se importa em pagar mais por um produto de qualidade e que cumpra os requisitos de sustentabilidade. “Cabe a nós fazer a lição de casa, que é trabalhar a nossa imagem de sustentabilidade”, receitou o adido, ao apontar a excelência do modelo de negócios sustentável do cooperativismo paranaense:

“Pequenos agricultores que, juntos, se tornaram mais fortes. É isso que temos que mostrar ao consumidor, o quanto o agro mudou e melhorou a vida das pessoas e o quanto as propriedades respeitam o código florestal e se preocupam com o meio ambiente”, concluiu o adido. Também palestraram no evento, a diretora no Brasil da UKEF, Maria Luqueze, e a líder do setor agro no consulado britânico, Gabriela Meucci.

Sexta maior economia do mundo, o Reino Unido – formado por Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte – possui hoje 66 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) de 2,8 trilhões de dólares (2018). Com importações agrícolas que somam US$ 53 bilhões/ano, o país poderá contar com uma presença maior do mercado brasileiro, uma vez que 80% de suas importações agrícolas anuais (no valor de US$ 53 bilhões) até agora são supridas pelos demais países da UE.  “Isso abre uma oportunidade para que o Brasil ocupe um espaço maior no comércio com o Reino Unido”, completa Billi.

Atualmente, estima o adido, o Brasil exporta para o Reino Unido em torno de US$ 1 bilhão em produtos agropecuários, sobretudo carne de frango (138,3 milhões), carne bovina (103 milhões), complexo soja (141,5 milhões), frutas e sucos (160 milhões) e café (104,7 milhões). Uma vez livre de restrições protecionistas, aplicadas anteriormente pela UE, o Brasil, acentua ele, poderá, por exemplo, passar a exportar suínos e pescados para o país.

“A partir de 2021, vamos tentar abrir mercado para uma pauta mais diversificada da produção agropecuária brasileira. Acreditamos que as normas que vão pautar as decisões comerciais terão mais base na ciência, sem a necessidade de agradar interesses dos produtores da França ou Espanha”, adiantou o adido, ao vislumbrar “potencial de negócios no setor de frutas, com aplicação de tarifa zero para sucos”, adiantou.


Por Marcello Sigwalt – Redação MundoCoop


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