Tecnologia da Embrapa garante produção sustentável de soja sem pressão ambiental

Publicado em: 19 janeiro - 2021

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De posse de tecnologias próprias, o país adquire condições de produzir soja de forma sustentável, sem exercer pressão adicional sobre as florestas por isso, mesmo diante de um cenário de demanda externa crescente pelo grão nos próximos anos. Essa é a principal conclusão de pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) que, em 2019, publicaram uma análise detalhada em torno do sistema produtivo brasileiro.

Intitulado provocativamente de “O aumento da produção brasileira de soja representa uma ameaça à Floresta Amazônica?”, o estudo se dedica a analisar as perspectivas de aumento de demanda global, tendo em vista o risco de haver maior pressão sobre a região. De acordo com seus autores, atualmente, o Brasil é o maior produtor de soja do planeta, tendo colhido na última safra (2019/2020) cerca de 125 milhões de toneladas do grão, cultivados em 37 milhões de hectares. Ao mesmo tempo, porém, a análise admite que a demanda internacional crescente pela commodity é um desafio que o país só superará com o engajamento de toda a cadeia produtiva. “A Embrapa e seus parceiros dispõem de uma ampla agenda de tecnologias e pesquisas que garantem o crescimento sustentável da produção de soja brasileira, na verdade, a principal fonte de proteína para o mundo na atualidade”, sustenta o chefe-geral da Embrapa Soja, Alexandre Nepomuceno.

Práticas sustentáveis

O representante da Embrapa citou, ainda, o plantio direto como exemplo de uso de práticas sustentáveis que produzem resultados positivos, inclusive, a ampliação da produção por unidade de área ou produtividade, se quiser. “A recuperação de pastagens degradadas também contribui para o resultado final”, admite o executivo, ao acentuar que o Brasil possui um extenso território que deverá alimentar o planeta, sem pressionar o meio ambiente. “A preservação de florestas nativas também é estratégica para o agronegócio brasileiro no aspecto social, econômico e ambiental”, argumenta.

Para outro autor, o pesquisador da Embrapa Soja Décio Gazzoni, o país vem montado vários cenários sobre as perspectivas da demanda externa pela commodity para as próximas décadas, todos baseados em um ambiente de sustentabilidade. Segundo afiança, “o bioma amazônico não pode ser considerado, qualquer que seja o cenário futuro de expansão do volume de soja produtivo no país, seja por questões ambientais, legais, econômicas, logística, técnicas ou financeiras”.

Ao ressaltar a importância de “preservar a floresta como patrimônio nacional”, Gazzoni entende que o Brasil detém o domínio tecnológico, tanto para dobrar a produção atual nas áreas que já cultivam a soja, quanto para recuperar aquelas cujas pastagens foram degradadas. Para ele, um dos fatores determinantes do avanço produtivo está associado a novas práticas adotadas nos últimos anos, como “recomendações de manejo da cultura, ao potencial genético de cultivares, e “às novas perspectivas abertas pela combinação de áreas de pastagens degradadas em sistemas mais eficientes por meio da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF)”. A conclusão dos autores é de que tal expansão decorre muito mais da produtividade do que no aumento efetivo da área plantada, o que não deixa de ser uma boa notícia.

Legislação rigorosa

No estudo – que comparou dados de desmatamento na Região Amazônica com a expansão da área plantada para produção de soja, no período de 2005 a 2018 – os autores lembram que o país detém uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo, além de contar com uma iniciativa privada que tem sinalizado a intenção de manter o compromisso de preservar o bioma amazônico. “A exploração dessas áreas para soja não é adequada, nem ambientalmente e nem economicamente”, reitera. A análise, porém, não comenta os extensos desmatamentos e incêndios endêmicos ocorridos em alguns estados da região, nos últimos anos.

Entre as tecnologias que mais contribuíram para o crescimento sustentável da produção, a publicação confere destaque àquelas que implicaram melhoria das pastagens, mediante a inserção da agricultura na recuperação do solo, como o iLPF – estimado em 11,5 milhões de hectares em 2016. Também é inovadora, em matéria de agricultura tropical, o processo de intensificação agrícola, pelo qual é possível ter até cinco ciclos de cultivo por ano, na mesma área (safra e safrinha). “Isso permite reduzir a área necessária para a mesma produção agrícola, também chamado de “efeito poupa-terra”, assinala.

De acordo com o pesquisador e autor do estudo Marco Nogueira, o sistema produtivo nacional tem por base tecnologias ambientalmente favoráveis, como a fixação biológica do nitrogênio (sem o uso de adubo nitrogenado, reduzindo, com isso, as emissões de gases de efeito estufa e a contaminação de lençóis freáticos com nitratos), o plantio direto (que conserva o solo, retém água e fixa carbono) e técnicas de manejo integrado de pragas e doenças. “Esse conjunto de tecnologias contribui efetivamente para a redução da emissão de carbono na atmosfera”, conclui.


Por Marcello Sigwalt – Redação MundoCoop


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