Comunicação no cooperativismo: estudo, planejamento e investimento – Fernando Morgado é consultor, palestrante e professor das Faculdades Integradas Hélio Alonso.

Publicado em: 16 dezembro - 2020

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A pandemia de covid-19 acelerou mudanças e aprofundou mazelas, inclusive no campo econômico. Foram muitos os que perderam seus empregos ou fecharam seus negócios. Trata-se de um cenário bem diferente daquele prometido por palestrantes motivacionais através de frases como “estamos todos no mesmo barco”, “nos tornaremos pessoas melhores” e “vai ficar tudo bem”.

Apesar de várias pessoas se sentirem perdidas neste momento, existem saídas. A união talvez seja a melhor delas. As cooperativas dão provas disso desde o século XIX, quando surgiram. Através delas, pessoas transformam sonho em sustento, gerando riqueza para si e para suas comunidades.

Mesmo diante de tamanha importância, são muitos os que conhecem cooperativas, mas não o cooperativismo. De acordo com o Sistema OCB, seis em cada dez brasileiros desconhecem o movimento. Ignoram seus princípios, formulados à luz de valores como democracia, educação e liberdade. Tal doutrina é uma pérola em meio à profusão de fake news na qual vivemos, pois alia beleza e verdade. Os Princípios de Rochdale de fato inspiram diariamente os mais de 1,2 bilhão de cooperados existentes no mundo, sendo que, desses, 14,6 milhões estão no Brasil.

Há quem confunda cooperativa com empresa e não enxergue o cooperativismo como um movimento aberto à participação de todos. Esse fenômeno acaba por reduzir a velocidade de expansão das cooperativas, que poderiam ganhar mais adesões e avançar sobre novos mercados. Também impacta o prestígio político do movimento, que poderia ser ainda maior, a despeito da visão positiva já compartilhada por parte importante do Congresso Nacional.

Existe apenas um modo de corrigir essa enorme distorção: comunicando-se. Isto envolve três passos: estudo, planejamento e investimento. No primeiro, é fundamental que as cooperativas e seus órgãos representativos aproximem-se dos especialistas em comunicação e ouçam seus ensinamentos. Eles darão a força necessária para que seja dado o segundo passo, que envolve a formulação de uma estratégia integrada, não apenas entre as várias entidades que formam o cooperativismo, mas também entre elas e as mídias existentes. Por fim, precisam ser garantidos os recursos necessários para que a mensagem chegue ao público em geral, indo além dos cooperados. O cooperativismo fala muito bem da porteira para dentro. Contudo, é da porteira para fora onde estão os clientes, parceiros e políticos. É com eles que o movimento precisa aprimorar o seu diálogo.

Devido ao avanço do streaming, o setor de comunicação vive um processo de renovação sem precedentes. Ao mesmo tempo, está mais do que provado que meios não morrem, mas se acumulam e se complementam. Tudo isso torna o ato de se comunicar cada vez mais complexo. É preciso compreender essa marcha e usar os recursos disponíveis para fortalecer a imagem do cooperativismo perante a sociedade em geral. Em outras palavras, é preciso construir pontes. Os cooperados têm muito a ensinar aos brasileiros, principalmente que é possível desenvolver um capitalismo mais justo e solidário.


*Por Fernando Morgado – Consultor e palestrante. Professor das Faculdades Integradas Hélio Alonso. Membro da Academy of Television Arts & Sciences, entidade realizadora dos prêmios Emmy. Coordenador adjunto do Núcleo de Estudos de Rádio da UFRGS.



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