Cooperativa é negócio, mas prioritariamente é cultura – Mário Donadio é Sociólogo, Educador e Professor de Pós Graduação em Psicologia Organizacional

Publicado em: 25 outubro - 2021

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As cooperativas sabem se comunicar muito bem com seu público interno, se esforçam para conversar entre si, porém sua essência é pouco conhecida até pelos seus associados e quase desconhecida pelas empresas de seu ambiente de negócios. Números da economia mostram que competem em pé de igualdade com os bancos, redes de consumo, produtores agrícolas e outras instituições. São pujantes e prósperas, prestam serviços de alta qualidade. Entretanto, são tímidas ao explicarem para sua comunidade que pertencer a uma cooperativa é muito mais do que obter vantagens financeiras, facilidades logísticas, associação de recursos e canais de distribuição; é fazer negócios de uma maneira diferente, transformadores da cultura da Velha Economia, incitando novos paradigmas com valores de solidariedade e prosperidade coletiva propostos por uma verdadeira Nova Economia.  

É muito mais do que patrocinar boas campanhas institucionais com peças de marketing bem produzidas. Existe um instante mágico nos negócios no qual as empresas investem horas de treinamento para capacitar seus colaboradores e que faz parte da natureza intrínseca do cooperativismo: aquela relação pessoa a pessoa, onde o cliente é muito mais do que um consumidor, ele é um associado e ambos participam – com vantagens recíprocas – de um jogo ganha-ganha.   

Muitas vezes, o crescimento as faz se esquecer desta essência humana e cair na tentação de apenas investir em sistemas robotizados. Ao invés de facilitar a comunicação, substitui a inteligência humana por uma pseudo “inteligência artificial”; de fato mais artificial do que inteligente. Na relação com seus associados, a cooperativa deve ir além de propiciar bons negócios.  

Os associados compõem uma constelação de empresas com graus diferentes de fidelização e que a experiência tem mostrado que muitos deles limitam sua compreensão sobre estar cooperado às vantagens econômicas imediatas individuais ao invés de superiores ganhos em prazo maior e coletivos.  

No CoopTalks-Crédito 2021, os mais importantes especialistas do cenário econômico global deram ênfase e pistas sobre o quê e como fazer. A chave está no relacionamento. Como ensina Roberto Tranjan, autor de vários livros sobre transformação cultural, isso se faz “Descendo da gávea e indo ao convés do navio, ver como os negócios estão sendo feitos de verdade”.  As lideranças operacionais das cooperativas têm papel crítico nesta relação, considerando que não basta “fechar um bom negócio”, é fazê-lo de modo cooperativo e, mais do que isso, ensinando como prosperar cooperativamente.  

Este relacionamento promotor da educação e transformador da cultura pode ser potencializado ao Incentivar a intercooperação – como ensina o Sexto Princípio – indo além das cooperativas do seu ramo e das outras do Sistema. É colocar entre suas estratégias, além dos necessários objetivos sob as perspectivas financeiras, marketing e processos, o de investir no desenvolvimento cultural de associados, clientes e fornecedores. 

O que faz as cooperativas serem pujantes é sua cultura.  A mais nobre contribuição que podem prestar é – como ensina o Quinto Princípio – propiciar educação, formação e transformação para que as empresas de sua constelação desenvolvam uma cultura ética, humana e próspera. O cooperativismo mostrou que funciona. 


*Mário Donadio é Sociólogo, Educador e Professor de Pós Graduação em Psicologia Organizacional



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