Cooperativismo e a nova economia – Mário Donadio é Sociólogo, Educador e Professor de Pós Graduação em Psicologia Organizacional

Publicado em: 11 junho - 2021

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Nos fóruns econômicos mundiais os empresários, líderes governamentais e cientistas políticos debatem situações atuais e graves para a humanidade: desigualdade, concentração de renda, desemprego estrutural, insegurança alimentar, conflitos sociais, poluição ambiental. Compreendem que há um problema fundamental relacionado à distribuição das riquezas de forma justa e que são as empresas que produzem essas riquezas. Há quatro questões: o que é riqueza; quem se beneficia com ela; quem a produz; como é produzida? É preciso superar o falso conflito entre os interesses – todos legítimos – dos proprietários , trabalhadores e consumidores. As cooperativas, seu modelo de gestão e princípios são a resposta para a construção de uma Nova Economia ética, humana e próspera.

Navegando pela história identificamos as razões de aceitarmos como únicas possíveis as estratégias de gestão que podem beneficiar – nem sempre, nem todas – as empresas, mas produzem estragos na economia e na sociedade. Após o final da Segunda Guerra Mundial o mundo viveu um período de prosperidade devido aos investimentos para reconstrução das cidades e indústrias. Nasceram nos Estados Unidos e Europa as grandes teorias que por muitos anos orientaram as estratégias de desenvolvimento dos recursos humanos das empresas privilegiando os comportamentos e relacionamento interpessoal. O Japão, premido pela urgência de se reconstruir de qualquer forma e a qualquer custo, centrou-se nas técnicas para atingir excelência nos processos e produtos. Teve êxito espetacular inundando o mercado com produtos baratos e de alta qualidade.  Era um mundo de abundância. Chamamos esse período de Era de Ouro da Economia com as empresas lucrando, pleno emprego e clientes satisfeitos.

O sonho acabou nas crises de mercado dos Anos Setenta, globalizadas nos Anos Noventa e nos “estouros das bolhas financeiras”, sendo a mais dramática a de 2008. Para piorar, temos agora a crise da pandemia; os historiadores do futuro explicarão as consequências. Para sobreviver, as empresas se equivocaram, adotando estratégias que acabaram por criar mais escassez: explorar os consumidores, ao invés de fidelizá-los; reduzir custos, ao invés de investir em qualidade; controlar os empregados, ao invés de comprometê-los.

Em uma Nova Economia, a sociedade deve ser a grande beneficiada das riquezas produzidas pelas empresas; atender às necessidades dos consumidores é o processo básico da empresa; trabalhadores são os produtores das riquezas e o lucro – sobras nas cooperativas – é o resultado do equilíbrio entre estas demandas. Todos devem ganhar: resultados para os acionistas ou associados, clientes fidelizados por se sentirem respeitados; e trabalhadores comprometidos por serem tratados com dignidade, ouvidos e bem remunerados.

Para enfrentar as crises contemporâneas as empresam recorreram às técnicas da Velha Economia que produziram as condições para a trágica quebradeira de 1929. Entretando, as melhores soluções já existiam desde 1844. No auge de um dos piores momentos da Primeira Revolução Industrial as empresas praticavam preços altos sem considerar o valor percebido pelos consumidores; impunham longas jornadas de trabalho; promoviam desemprego crescente e desconsideravam os interesses da comunidade onde atuavam. Os fundadores  da Sociedade dos Probos Pioneiros de Rochedale, contrariando o velho modelo que parecia ser o único possível na época, propunham que o ser humano – consumidores, empregados, comunidade, sociedade – e não o lucro, fosse a principal finalidade das empresas e redigiram os Princípios Cooperativos que todos conhecemos.

Operar na Nova Economia é ter uma organização que produza benefícios para os proprietários, consumidores e colaboradores – todos associados em uma cooperativa – através de uma gestão democrática e igualitária para a solução dos desafios sócio-econômicos e promoção do progresso social.


*Mário Donadio é Sociólogo, Educador na Metanoia, professor de pós graduação em Psicologia Organizacional e do Trabalho na Universidade Mackenzie.



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