Cooperativismo e os desafios atuais – Hans Cristian Koch é consultor de micro e pequenas empresas

Publicado em: 07 dezembro - 2021

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O modelo de negócio cooperativista é, ao mesmo tempo, encantador e desafiador.

Tudo começa a partir de um objetivo e propósito muito bem definido, que é o de permitir melhor qualidade de vida aos cooperados, suas famílias, colaboradores e também das comunidades onde está inserida.

Por meio de uma cooperativa é possível atingir possibilidades antes indisponíveis a um indivíduo agindo isoladamente.

Sua constituição depende então, da reunião de pessoas com vontade de trabalhar em unidade, na busca de objetivos sociais, econômicos e financeiros em comum, que satisfaçam as necessidades de todos os membros de forma igualitária.

Em essência, e com fundamento legal, a cooperativa é uma sociedade de pessoas, constituída para prestar serviços aos seus cooperados, organizada democraticamente e economicamente em prol de um interesse comum. possuindo. Aos cooperados, é garantida a livre participação e o respeito aos direitos deveres constantes no Estatuto Social.

Ao operar no mercado regulamentado, a cooperativa deve obedecer leis, normas e regulamentações aplicáveis às empresas mercantis, porém, em contrapartida, o cooperativismo possui princípios que são a base de sua atuação social, e que não podem ser relegados em troca de apenas buscar lucro ou crescimento econômico e financeiro.

Atualmente, assuntos que têm se tornado pauta de grandes empresas, como a preocupação com a comunidade, fazem parte dos princípios cooperativistas e são a mola propulsora para suas ações. Os princípios são:

Adesão livre e voluntária.

Gestão democrática.

Participação econômica.

Autonomia e dependência.

Educação, formação e informação.

Intercooperação.

Interesse pela comunidade.

O crescimento do sistema cooperativista como um todo no Brasil, de forma constante, tem permitido às cooperativas adentrar em segmentos específicos não atendidos anteriormente.

Entretanto, situações como o crescimento de suas operações, o aumento do portfólio de produtos e serviços, a complexidade de novos modelos de negócios, a volatilidade das relações negociais e sociais, o aumento da concorrência, a expansão geográfica, entre outros aspectos, tem exigido aprimoramento constante das metodologias de gestão cooperativas, visando garantir o cumprimento dos objetivos estratégicos.

Neste cenário, é primordial que Conselhos de Administração, Conselhos Fiscais e Diretorias Executivas possuam adequado entendimento de como incertezas e riscos podem afetar negativamente o cumprimento dos objetivos.

Um adequado processo de gerenciamento de riscos é parte integrante de uma forte estrutura de governança cooperativa e diferencia cooperativas preparadas para enfrentar momentos de crise. Os temas ligados ao gerenciamento de riscos devem compor a agenda de discussões dos órgãos de administração, pois tratam de ações ligadas principalmente à manutenção da continuidade e longevidade da instituição.

O cooperativismo, desta forma, depara-se com mais uma importante missão, recheada com alguns desafios, que é de evoluir seus modelos de gestão para torna-los compatíveis à realidade individual de cada cooperativa, respeitando a complexidade dos processos, os mercados em que atua, o porte da instituição e o próprio grau de maturidade da organização em relação ao tema de gestão de riscos.

A concretização desta missão, por sua vez, necessita estar amparada em uma clara e efetiva estrutura de governança, com processos e procedimentos, bem como, requer dos profissionais que desempenham cargos executivos e de conselho, uma adequada formação, disponibilidade de tempo e competência necessária para que conheçam seus deveres e tenham ciência de sua importância no sucesso ou insucesso das instituições.


*Hans Cristian Koch é consultor de micro e pequenas empresas



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