Cooperativismo é prosperidade e prosperidade é a governança da esperança – José Luiz Tejon é palestrante especialista em agronegócio e membro editorial da Revista MundoCoop

Publicado em: 13 maio - 2021

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Márcio Lopes presidente da OCB – Organização das Cooperativas do Brasil, me trouxe essa palavra essencial: “prosperidade”. E a partir disso busco suas raízes onde quer que possa olhar. O Brasil precisa muito. Reúno duas peças estratégicas de elevada importância para o país. Uma delas o artigo do embaixador Rubens Barbosa, presidente do IRICE, Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior no Estadão da última terça-feira (11), página A2. A outra um encontro que tive na mesma data com quatro líderes das mais importantes cooperativas do país, promovido pela Mundocoop.

Rubens Barbosa no seu artigo revela que a China passou doravante a adotar um planejamento estratégico onde não fala mais em aumento do PIB (também  hoje superam US$ 16 trilhões!), e colocam um foco determinado em aumento do poderio econômico e tecnológico até 2035. Sua proposição é ser líder global em inovação, e esse plano foi batizado como “made in China”.

E doravante constata o embaixador Rubens Barbosa, a China pretende ganhar prestígio internacional com uma política ambiental e de mudança de clima, obtendo com isso benefícios econômicos. Ainda a partir da visão de Rubens Barbosa, ele afirma: “não temos no Brasil planos claros de saída da crise nem de avanços sociais e tecnológicos, também já fomos a 7ª maior economia do mundo em 2011 e hoje caímos para a 12ª posição.

E o que o cooperativismo, e esse encontro dos líderes Fernando Degobbi, presidente da Coopercitrus; Willem Bouwman, presidente da Castrolanda; Shandrus de Carvalho, presidente da Holambra Agroindustrial e Carlos Augusto Rodrigues de Melo, presidente da Cooxupe – a maior cooperativa de café do mundo tem em comum?

Simples, tudo aquilo que o presidente do Instituto de Relações e Comércio Exterior, Rubens Barbosa, explicita e pede ao governo brasileiro, trazendo como referência o planejamento chinês, essas cooperativas tem. Crescem a dois dígitos. Aumentam o número de cooperados. Detém o estado da arte da inovação e da tecnologia. Seguem planejamento estratégico e governança.

Degobbi, da Coopercitrus, afirmou ter crescido 27% no ano passado e está criando um modelo exemplar de tecnologia aplicada e de educação com a Fundação Coopercitrus, no modelo da Fundação Shunji Nishimura de tecnologia de Pompeia.

Willem, da Castrolanda, estabeleceu uma intercooperação com outras duas cooperativas exponenciais, Capal e Frisia, todas da região dos Campos Gerais do Paraná e disse que o seu sonho é: “criar uma intercooperação internacional para exportação e agregação de valor global, pois as cooperativas tem ótima imagem e abrirão muito mais portas na competição mundial”.

Shandrus, da Holambra Agroindustrial, tem os melhores índices de produtividade do país, com uma média de 91 sacas por hectare na soja, quando a média nacional está abaixo de 60 sacas. E diz: “precisamos levar o agricultor até a inovação e não a inovação ao agricultor”.

Carlos Augusto da Cooxupe atua com planejamento estratégico de longo prazo e enfatizou a importância do Porto de Santos ter atuado com resiliência e desempenho, sendo isso o que permitiu que as exportações de café continuassem e de todo o agro do país. Carlos Augusto enfatiza a inovação, salientando que a digitalização sempre estará a serviço do ser humano, pois cooperativismo são pessoas.

Precisamos, sim, urgente de um planejamento estratégico das principais cadeias produtivas do país. Somente com a agropecuária não conseguiremos carregar o país nas costas. O agro cresce e o PIB decresce. Sem o agro seria pior, sem dúvida. Porém não é possível termos cadeias produtivas que não se integram, como exemplo a proteína animal sem milho e soja para alimentar os animais a preços competitivos, e desemprego e fome, quando o modelo cooperativista mostra e explica como onde existe uma cooperativa bem liderada, ali o idh, a qualidade de vida e milhões de pequenos e médios empreendedores são bem sucedidos.

Sim, embaixador Rubens Barbosa, precisamos urgentemente de um planejamento preciso e profundo, onde o desejo econômico, institucional, infraestrutura, ambiental e social, não sejam apenas linhas impressas num papel. As cooperativas mostram o caminho. E se me perguntarem hoje quem melhor poderia falar em nome do agronegócio brasileiro, não tenho dúvida: as cooperativas do país.

Márcio Lopes, presidente da OCB,me disse uma palavra espetacular: “cooperativismo é prosperidade”. E como obtemos prosperidade? Com a governança da esperança. As cooperativas serão do tamanho do Brasil e o Brasil será do tamanho do cooperativismo. Liderança cria a governança que realiza a boa esperança.


*José Luiz Tejon é palestrante especialista em agronegócio e membro editorial da Revista MundoCoop



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