Drones: novos voos para o agronegócio brasileiro – Angela Gheller é diretora de Manufatura, Logística e Agroindústria da TOTVS

Publicado em: 22 setembro - 2021

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O uso corporativo de drones está se tornando cada vez mais comum em todo o mundo. Empresas de diferentes setores encontram nos veículos aéreos não tripulados (VANT) aliados tecnológicos e estratégicos para o desenvolvimento de suas atividades. Um levantamento da PwC mostra que, globalmente, o mercado já atingiu a marca de US﹩ 127 milhões por ano e deve seguir em ascensão. Um exemplo é o setor do agronegócio que, de acordo com o estudo, deve ampliar o uso do equipamento em até 69% nas próximas décadas.

Segundo registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em 2021, dos 79 mil aparelhos registrados, apenas 1.492 estão cadastrados para o uso agrícola. O número de drones agrícolas, que representa 2% do total, ainda parece irrisório, principalmente se levarmos em consideração os quase 66 milhões de hectares de agricultura brasileira (dados da Embrapa). Porém o potencial que essa ferramenta tem em substituir aeronaves é o que gera especulação para o futuro do agronegócio. Afinal, quais são as vantagens que esses aparelhos trazem para a produtividade de companhias e indústrias?

O principal benefício do uso de drones no campo é a possibilidade de gerar imagens aéreas de qualidade e amplitude em qualquer território de plantio e, a partir dos registros, analisar tanto o atual estado do cultivo, quanto eventuais melhorias a serem feitas. Com isso, uma série de atividades do cotidiano podem ser não apenas automatizadas, como também aprimoradas.

Um exemplo é o controle de pragas. O escaneamento aéreo traz informações instantâneas sobre infestações e saúde das plantações, incluindo até o nível de nutrição. As fotos e vídeos feitos com os drones trazem precisão sobre o estado de toda a colheita, 100% digital e em tempo real.

Essa tecnologia faz a contagem de plantas, mostra falhas e linhas no cultivo, identifica ervas daninhas e avalia o estado geral das folhas e/ou frutos. Os VANTs podem até mesmo mostrar se a terra precisa de mais nutrientes ou irrigação, assim como irregularidades e características do terreno, apontando os locais mais adequados para cada tipo de cultura.

Já sabemos há algum tempo que a tecnologia aumenta a produtividade geral do trabalho no campo, seja pela automatização de todos os processos da lavoura, pela aplicação de IoT nas máquinas agrícolas ou pelo cruzamento de dados para tomada de decisões, entre outros usos já consolidados. Chegou a hora de incluir os drones e todas as suas vantagens nesse pacote. É mais um caminho sem volta, onde todos saem ganhando. Não adotar os VANTs pode ser o diferencial entre um negócio de sucesso e a obsolescência no agronegócio brasileiro.


*Angela Gheller é diretora de Manufatura, Logística e Agroindústria da TOTVS



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