A importância do futurismo no mundo corporativo – Beia Carvalho é uma trusted advisor e palestrante futurista.

Publicado em: 22 dezembro - 2020

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Vamos começar com os termos futurismo, futurologia e o verbo que gosto de usar: futurar.

O Futurismo foi um movimento artístico de 1909, altamente estético e politicamente radicalizado. Os adeptos do movimento rejeitavam o moralismo e o passado, e suas obras baseavam-se fortemente na velocidade e nos desenvolvimentos tecnológicos do final do século XIX. Os primeiros futuristas europeus também exaltavam a guerra e a violência. E eram bem machistas em relação às mulheres artistas, que queriam aderir ao movimento. O movimento foi lançado no início do século passado, pelo poeta italiano Filippo Marinetti, com a publicação do Manifesto Futurista.

Por que o Futurismo é importante? Se você se interessa por arte, por muitas razões. Uma é bem importante: o fato de ter influenciado outros movimentos como o dadaísmo, o concretismo, e o design gráfico pós-moderno. No Brasil, influenciou Oswald de Andrade e Anita Malfatti.

Portanto, quando falamos de futurismo, na realidade, estamos falando mais de arte e de passado, do que do futuro.

Para mim, futurar é olhar para o futuro e imaginar o porvir com bons olhos. Lutar por um futuro abundante, para fazer as coisas acontecerem bem, é investir no desenvolvimento tecnológico, pensando nos seres humanos do planeta, em primeiro lugar. Quando pensamos em alguns poucos eleitos, caminhamos para um futuro cada vez mais precário, um futuro distópico.

Futurar é imaginar um tempo futuro (5, 10 anos à frente) e vislumbrar o mundo desejado nesse futuro, levando-se em conta a velocidade exponencial das mudanças no século 21. É compreender que a ruptura entre o século XX e XXI, deixaram as mudanças lineares e vagarosas, no passado. Quando pensamos as mudanças com a cabeça do século XX, mudamos, mas não saímos do lugar.

Já a futurologia, segundo a Wikipedia, “é a tentativa de prever o futuro, com uma abordagem científica, tendo como objetivo abordar os vários cenários possíveis do futuro”.

Compreender, levar em conta e lidar com a velocidade exponencial é um exercício extremamente complexo para o ser humano. Exercitar a compreensão desta função é chave para antecipar e compreender tendências. O nome dessa metodologia é backcasting e é o método que utilizo desde que fundei a Five Years From Now®, em 2008.

É essa a velocidade que transforma tão drasticamente os negócios e o nosso dia a dia como cidadãos, executivos, empresários. Quanto mais nos baseamos no passado para tomar decisões do futuro, mais nos enganamos. Quanto mais apostamos que o futuro é uma extensão do presente, mais no passado estamos. Por isso, observamos que muitas empresas ao usar novas metodologias, como o Sprint, não avançam. Porque o peso do passado é, muitas vezes, o impedimento à ousadia. Quando observamos o mercado, vemos setores inteiros magnetizados pelo passado.

A inovação não é uma coisa, um produto. A inovação é uma mentalidade. Tem a ver com a cultura das empresas, com o tal “mindset”. Com o jeito de pensar a sua inserção no mundo, quer seja dentro da sua casa, comunidade ou empresa. Somos uma família acomodada? Somos uma comunidade que vai à luta por condições melhores? Somos uma empresa que olha para as oportunidades de um mundo globalizado?

No mundo de hoje, a inovação está relacionada com a coexistência da diversidade. As gerações são apenas uma das diversidades que temos que cultivar em nossas empresas – juntamente com a diversidade de raça, credo, sexo, gêneros, habilidades. Não canso de repetir as sábias palavras do jornalista Walter Lippmann: “Quando todo mundo está pensando igual, ninguém está pensando muito.” E sempre gosto de adicionar: E perceba como adoramos estar entre pessoas que pensam igual a nós. Quanto mais cultivamos a prática dos iguais, mais cultivamos terrenos inférteis à inovação.

Para indivíduos e empresas não-negacionistas, a COVID-19 nos trouxe o exemplo nu e cru da velocidade exponencial, do alcance da atuação global e da complexidade do século 21. As organizações que compreenderem que o mundo será a cada dia mais complexo, entenderá que tipo de equipes e líderes têm que ter a sua volta para enfrentar os novos futuros.

O que esperar do futuro? Muito trabalho, muito estudo e colaboração! Quase dois séculos depois, o espírito do cooperativismo nunca esteve tão em alta. Temos que estudar, formar equipes colaborativas e compreender como damos as mãos para a tecnologia para criar um mundo abundante para todos os seres humanos deste planeta. Caso contrário, veremos a afluência da distopia como, por exemplo, a ascensão das fake news.

Enquanto a raça humana existir, haverá problemas a serem resolvidos. Neste mundo complexo em que vivemos, há um clamor vital por inovação, por uma forma simples, eficaz e aplicável de resolver problemas. Ser simples é muito difícil! Precisamos nos acercar cada vez mais da diversidade de pessoas curiosas, que gostam de fuçar, de aprender e reaprender, de comparar e testar, e que não se conformam com a primeira ideia, nem com o primeiro resultado.


*Beia Carvalho é uma trusted advisor e palestrante futurista.



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