O cajado e a prosperidade – José Luiz Tejon é palestrante especialista em agronegócio e membro editorial da Revista MundoCoop

Publicado em: 18 maio - 2021

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Márcio Lopes, Presidente da OCB me instigou com o termo “prosperidade “. E fui atrás à busca dessa síntese . Em inglês a palavra ” thrive” já havia me soado forte num encontro com os dirigentes da Cargill na França , em Nantes. Eles repetiam constantemente essa palavra como um valor essencial da empresa. Prosperidade não é apenas a riqueza material, envolve a satisfação e a dignidade de vida a partir dela.

No último Cooptalks da MundoCoop, tive a honra de abrir o dia do encontro de líderes, onde conseguimos extrair na prática como a boa liderança cooperativista realiza a prosperidade. Mas, como tudo na vida, não basta fazer prosperidade é importante mostrar , fazer ver.

O cajado é um símbolo muito antigo associado a um pastor que conduz seu rebanho. Um líder. E sob o ponto de vista humano, a simbologia do cajado representa 4 poderes fundamentais para o exercício dos construtores da prosperidade, pois este é o resultado da “governança da esperança”.

1 – O rumo, o norte, para onde vamos todos juntos. O líder é o leme. Orienta. Guia. O mundo tem sentido, tem direção. Cabe ao ser humano do “cajado” não tomar o certo pelo incerto. Se um caminho mal escolhido for sua decisão com todas as suas pessoas, tudo o que pensar estar fazendo certo servirá para aumentar mais ainda o insucesso e a infelicidade. O cajado é o rumo. Para onde vamos. No cooperativismo os fundamentos e a filosofia cooperativista apontam sempre como uma bússola, para o norte.

2- O cajado significa o enfrentamento dos predadores. Dos inimigos naturais. A luta pela preservação do grupo. O cajado é a defesa contra os ataques e o ataque contra os malfeitores. Sempre haverá no exercício da liderança a tentação, a provocação para os deslizes. Sempre será sagrada a vigilância do líder. E um bom líder não pode apenas se cercar de relatórios, análises, redes sociais, e de auditorias e consultorias. Cabe ao líder caminhar. Andar pela organização, pela cooperativa, pela empresa. E ao andar, identificar o que precisa ser aperfeiçoado, interpretado e as decisões a serem tomadas.

3- O cajado tem uma proposta fantástica como o momento do resgate de algum membro perdido do grupo. Cabe ao líder não perder ninguém. Nos campos do pastoreio representava não perder uma só ovelha. O arco da ponta do cajado existe para trazer de volta os que se desviam do caminho certo. Por isso um líder de verdade governa a todos. Não apenas alguns, ou somente aqueles de quem ele gosta. Ao bom pastor não cabe escolher e ter preferências. Resgatar os que se afastam, o terceiro poder do cajado e do líder.

4- E aqui, o lado da consciência do líder com ele mesmo. Quando cansado, se apoia no próprio cajado, olha para o horizonte e reflete. Para e da luz as reflexões. Pensa no que aprendeu neste dia, no que precisará aprender amanhã. Considera se o rumo escolhido está de acordo com os princípios e valores da sua instituição. E nesse momento especial, debruçado sobre o símbolo da grande liderança , seu “cajado”, ele decide sobre o que precisa ser feito para o aperfeiçoamento do caráter de tudo o que ele representa e da causa à qual serve. E acima de tudo, de si próprio.

Neste Cooptalks os líderes: Fernando Degobbi, Presidente da Coopercitrus ; Willem Bouwman, Presidente da Castrolanda ;Shandrus de Carvalho, Presidente da Holambra Agroindustrial; e Carlos Augusto Rodrigues de Melo, Presidente da Cooxupé, exemplificaram na prática o que significa a prosperidade como “governança da esperança”.

Crescimento de dois dígitos, planejamento estratégico, vontade férrea da busca da intercooperação: “meu sonho seria uma intercooperação internacional para as exportações “, inovação eficaz: “levando o agricultor à inovação e não a inovação ao agricultor”. Governança com educação permanente de todos, compreensão da “jornada de valor”, a luta contra as incertezas, e a consciência de uma cadeia que se interconecta totalmente: “o que seria das exportações se o Porto de Santos parasse?”.

O cajado e a prosperidade servem para realçar a dimensão e a importância de legítimos líderes. Os líderes serão do tamanho de suas cooperativas, e as cooperativas e o cooperativismo serão do tamanho das suas lideranças. E o Brasil será do tamanho da cooperação.

E nesta hora no país, mais do que nunca precisamos de pacificação das tensões, ou lideramos a todos ou nada será liderado. O cooperativismo é uma fonte limpa para inspiração nacional em todos os segmentos econômicos e sociais.

Um genuíno design thinking da prosperidade em ação.

A esperança certa existe. Governar a esperança é o dever dos grandes líderes , isso é prosperidade.


*José Luiz Tejon é José Luiz Tejon é palestrante especialista em agronegócio e membro editorial da Revista MundoCoop



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