O Futuro já Começou – Marcio Lopes de Freitas (Presidente da OCB)

Publicado em: 12 maio - 2017

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Se pudesse escolher uma palavra para falar sobre a interação entre novas tecnologias e inovação, eu, provavelmente, diria: ousadia. Sim, pois sem ela estaríamos, ainda, em um tempo em que nos faltariam, por exemplo: fogo, vidro, televisão, comunicação sem fio, satélites, cartão de crédito, plástico e medicamentos. E ideias como as que geraram todas essas coisas só poderiam ter sido propostas por pessoas ousadas, muitas vezes mal interpretadas, mas que inovaram utilizando a tecnologia do seu tempo.

Sobre ideias dessa natureza, há alguns dias, assisti a uma palestra na qual o professor Marcelo Salim (FGV, PUC Rio e Fundação Dom Cabral) se dizia encantado com a importância delas. Segundo ele, “elas são assim consideradas porque estão fora do imaginário comum. Uma ideia louca é possivelmente a conexão inédita de universos diferentes na mente humana e uma parte delas pode levar a grandes inovações.”

Eu concordo e, também, me pergunto: o que foi dito a Alexander Graham Bell quando pensou em inventar o que conhecemos hoje como telefone? E para Thomas Edison, quando ainda pesquisava sobre a lâmpada elétrica? Ou, ainda, trazendo mais diretamente para o nosso universo, aos pioneiros de Rochdale? Afinal, foram eles os primeiros a falar em cooperativismo, um novo modelo de negócio que tem revolucionado as relações de comércio, de trabalho e de gestão!

Acredito que, de alguma forma, todas essas questões nos levam a pensar sobre o que diferencia as ideias estranhas daquelas consideradas brilhantes. Com certeza, é o incentivo que oferecemos aos seus pensadores para que saiam do papel. Fomentar o novo é o primeiro passo para a evolução e isso é o que o cooperativismo tem feito desde que foi pensado no século passado. O nosso movimento tem crescido e, à medida que isso ocorre, traz resultados a pessoas e comunidades. E isso explica porque as cooperativas investem em tecnologias e soluções inovadoras de negócio, capazes de alavancar resultados e melhorar a produtividade e a vida dos associados. Esse é um claro sinal da criatividade, do empreendedorismo e da inteligência dos cooperados e colaboradores.

Por exemplo: nas cooperativas de saúde temos equipamentos de última geração que ajudam médicos e dentistas a obterem, de forma rápida, o diagnóstico preciso de seus pacientes; no campo é possível pulverizar uma lavoura usando drones; nas cidades realiza-se transações bancárias com poucos toques na tela do celular; também nos garimpos, vemos iniciativas de inovação que nos ajudam a localizar, no fundo da terra, as riquezas minerais que tornam o Brasil ainda mais próspero.

Essas são apenas algumas das milhares de iniciativas que comprovam: as cooperativas estão antenadas com as mais modernas práticas de mercado e, sobretudo, com aquilo que as aproxima de seus públicos. É evidente que toda mudança para melhor pressupõe um olhar íntimo sobre si mesmo, sobre os processos e até sobre produtos. Essa reflexão é parte do conceito que diferencia invenção de inovação, já que esta última envolve ainda mais agregação de valor.

E como sabemos que o mundo muda o tempo todo, para nos adaptarmos às pequenas e grandes mudanças é preciso estarmos dispostos a pensar de forma criativa e a ter um olhar questionador sobre nossos processos e produtos. Inovar não significa fazer somente novas coisas, mas fazer as mesmas coisas de um jeito incomum! Em um contexto tão dinâmico, a palavra de ordem é inovação. Afinal, quem inova se mantém firme e bem-sucedido, passe o tempo que passar, mude o que tiver que mudar.

Esse é um caminho sem volta, sobretudo se considerarmos as gerações Y e Z – e tantas outras que virão. E, exatamente por isso, não podemos continuar fazendo a mesma coisa do mesmo jeito.

Esse consumidor do futuro, que já é uma realidade do presente, está ávido por empresas inovadoras, responsáveis, preocupadas com o meio ambiente e que falem seu idioma. E eu não me refiro a nenhuma língua nativa, mas à atitude empresarial do futuro. Ou mudamos a nossa forma de nos comunicar com essas novas gerações ou elas muito provavelmente irão buscar essa conexão com outras formas de negócio, batendo na porta da concorrência. E não queremos isso!

A sociedade de hoje não tolera mais uma empresa ou organização sem uma boa governança. Pelo contrário, ela quer participar do processo de decisão, se sentir parte, valorizada. Ninguém quer mais simplesmente obedecer a um comando. O que se quer é contribuir com a tomada de decisão. E isso é uma marca do cooperativismo. As cooperativas, sempre atentas e focadas em trazer resultados melhores para seus associados, já perceberam esse movimento e, pouco a pouco, implementam as inovações necessárias, afinal estão constantemente preocupadas em fazer mais para atender seus públicos.

Já avançamos, não há dúvidas, mas ainda temos muito a caminhar. E, com a chegada de um novo ano, temos o timing perfeito para fazermos nossas reflexões. No fundo, no fundo, o que queremos são cooperativas fortes, que gerem resultados econômicos para seus cooperados, valorizando o trabalho em equipe e criando oportunidades para que todos se sintam realizados… felizes… Afinal, gente feliz inova mais, produz mais, contribui
mais, vive mais!

Por isso, convido você, leitor, a refletir comigo: o que mais podemos fazer para melhorar os processos e a prestação de serviços em nossas cooperativas, por exemplo? A resposta está, com certeza, dentro de cada um de nós. Só nos cabe dar voz às nossas ideias, por mais estranhas que pareçam. Quem sabe não serão essas mesmas ideias que irão mudar o mundo como tantas outras já fizeram? Essa mudança, na verdade, nós, cooperativistas, já começamos. Diariamente, trabalhamos para construir um mundo mais justo, feliz, equilibrado e com melhores oportunidades para todos. É nesse propósito que acreditamos e trilhamos o nosso caminho, porque estamos convictos de que, juntos, podemos inovar mais e viver plenamente o futuro que já começou.

Marcio Lopes de Freitas – Presidente da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras)



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