Quem cria crises é malcriado – José Luiz Tejon é palestrante especialista em agronegócio e membro editorial da Revista MundoCoop

Publicado em: 20 julho - 2021

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O mundo por si só já nos oferece crises suficientes para serem administradas. Existe a força superior da natureza. Somos frágeis como seres humanos, tanto física quanto mentalmente. Também as estruturas organizacionais, políticas e estruturais, não são perfeitas e não atuam naturalmente em harmonia. E além de tudo, como constatou Daniel Kahneman, Nobel de Economia em 2002, o fator sorte, o acaso, impacta muito mais a economia do que pensamos. 

Portanto não é necessário criar crises, pois viver na Terra já é, sem dúvida, uma grande jornada crítica. Com essa constatação, a pergunta que não quer calar é: a quem interessa ampliar e criar mais crises num mundo que já nos oferece abundantemente essa matéria prima? Os criadores de crise são adultos resultantes de péssima criação. Podemos assegurar que formam a comunidade dos “malcriados“.  

No bairro onde me criei – Santos, Vila Belmiro, anos 50/60 – os pais e os professores da escola identificavam facilmente as crianças “mal educadas, os malcriados”. Estavam sempre fazendo bullying com tudo e com todos. Adoravam colocar um colega para brigar com o outro. As bombas nos banheiros do colégio (naquela época bombas de São João, mas especialmente preparadas para oferecer um grande estrondo, que também chegavam a causar ferimentos, se estourasse ao lado de algum infeliz). E invariavelmente os piores alunos da classe em todas as disciplinas.  

Nas empresas, os executivos “malcriados” são os que assediam funcionários, desprezam clientes, odeiam as normas éticas e do “compliance“. Malcriados não entendem a lei. Como desconhecem as possibilidades de aperfeiçoamento das imperfeições e das crises da vida na Terra, terminam tendo na destruição, a sua verdade interior e reagem ampliando e criando crises como um sentido pelo qual vale a pena viver.  

Criar crises, confusão, brigas, guerras, acusações, ser insolente, arruaceiro, serve como uma terrível ilusão, pois faz o malcriado acreditar, ser esse o único caminho para viver. Quando um “malcriado” tem poder, galgando posições com gigantesca influência em milhões de seres humanos, a amplificação de suas desgraças são tenebrosas. 

Hoje o Brasil precisa e exige “pacificação“. O sofrimento e as dores conjugadas com a pandemia da saúde, faz de todos os brasileiros uma testemunha viva ou mesmo em si próprio, ou em conhecidos, parentes ou amigos, de alguém com fortes sofrimentos. Temos exemplos do mal entrópico e pleno de crise em desenvolvimento. Ao lado da pandemia, a economia, a estratégia de uma nação, a ciência e a fraternidade. 

Podemos vir a ser um país muito melhor. E seremos. Mas não precisamos sofrer tanto com os malcriados no poder. E com os “malcriadinhos” que não tem poder. Mas se o mal se apodera de uma família, empresa, país ou mesmo uma pessoa, não é por seu mérito estratégico é pela ausência do bem.  

Criadores de crises são malcriados que dependem de mais crises. Destroem, e se autodestroem. Mas antes de criar o próprio fim, deixam dores e sofrimentos desnecessários para todos. Que o bem se reúna no país e a pacificação prevaleça. Já.


*José Luiz Tejon é palestrante especialista em agronegócio e membro editorial da Revista MundoCoop



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